Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

O ORDENADO DO PRESIDENTE

   Tenho assistido com tristeza ao debate que tem envolvido as palavras do Presidente da Republica acerca dos cortes nas suas reformas.

   Concedo que a forma como se escolheu a si próprio para exemplificar os sacrifícios que todos temos agora de suportar, devido aos erros de governação de alguns, não foi o mais feliz. Podia ter escolhido outros exemplos ou estar calado.

   No entanto estranho que pessoas com responsabilidades na política, nos negócios em suma na sociedade portuguesa não tenham tido a coragem de enfrentar a realidade e colocar as palavras proferidas no seu devido lugar.

   Até o esclarecido Marcelo Rebelo de Sousa, se refugiou no lugar comum da linguagem futebolística para abordar o problema, atirando também ele  a bola para a bancada.

   É de uma mesquinhez confrangedora que o Presidente da Republica, goste-se ou não da pessoa que circunstancialmente está a desempenhar o cargo, tenha de renunciar ao ordenado enquanto Supremo Magistrado da Nação, face a rendimentos legais que aufira de outra natureza quaisquer que eles sejam.

   Dito de outra maneira. O ordenado do Supremo Magistrado da Nação, hoje Cavaco Silva, ontem Mário Soares ou Jorge Sampaio, amanhã outro qualquer cidadão deveria se de valor tal que se por via das imposições legais tivesse de renunciar a quaisquer rendimentos fossem aqueles que não se referem ao lugar de Presidente da Republica, e não este, por ser inferior à soma dos outros.

   É uma vergonha que se questione o ordenado de um Presidente da Republica, por muitas dificuldades que o país atravesse, aceitando que cada antigo Presidente custe ao Estado mais de 300.000,00€ anuais com mordomias.

   Quanto gasta a Espanha com o Rei Juan Carlos, e a Inglaterra com a Rainha Isabel, e a Suécia e a Holanda com os seus Reis?

   Não foi o ordenado do Presidente da Republica que atirou o país para o buraco em que se encontra, nem é da renuncia a ele que depende  a nossa salvação. E não se fale de exemplo que não colhe, pois não tem comparação com nada que se queira comparar. 

   Há um limite para a mesquinhez. E para a inveja também.

   É um atestado de menoridade para os políticos portugueses envolverem-se nas questões demagógicas em que se envolvem para satisfazer as suas clientelas em vez de tratar dos assuntos sérios do País.

   Por isso, também, estamos onde estamos.

 

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Estado de Alma: A marcar um penalty
Livro: O Principe
publicado por Lanzas às 16:27

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