Sábado, 21 de Maio de 2011

HÁ PRAXES FIXES MAS HÁ PRAXES QUE SÃO UMA VERGONHA

Declaração de Interesses: Tenho alguma aversão intrínseca às praxes.

E a razão fundamental dessa aversão prende-se com a primeira praxe a que fui sujeito.

Era hábito nos idos de sessenta do século passado, nas oficinas e nas obras, serem os aprendizes, putos com 12/13 anos, quando não menos,  sujeitos a umas “partidas” ou uns “apertos” por parte dos mais velhos quando se apresentavam para o seu primeiro dia de trabalho.

Ora a minha primeira praxe teve lugar  na oficina de reparação de electrodomésticos e de máquinas de escrever, nomeadamente as chamadas portáteis, que na altura começavam a aparecer.

Tendo-me apresentado ao serviço, o Encarregado, depois de me medir de alto a baixo, disse-me com ar grave:
- Vês o tabuleiro que está em cima daquela bancada? Ao lado está um garrafão de gasóleo e desperdício. Pois bem vais lavar as fitas usadas das máquinas de escrever que estão lá dentro.

Quero aquilo bem lavado,  para depois poderem ser recarregadas, ouviste?

Ouvi sim senhor, respondi e lá fui, cabisbaixo e nervoso mas atirei-me à tarefa com afinco, pois as recomendações em casa tinham sido claras:

"Porta-te bem e faz o que te mandarem, para não arranjares chatices".

No decorrer da manhã pareceram-me algo estranhos alguns cochichos entre os mais velhos, alguns olhares cúmplices e alguns sorrisos maliciosos, mas continuei, firme, em frente.

Quando tocou para o almoço, com o Encarregado à frente a comunidade veio observar o trabalho efectuado.

As fitas tinham mudado de cor, deixando ser pretas e vermelhas, para passarem a um castanho terroso, igual ao que me pintava a cara, o cabelo e a roupa.

Depois de umas sonoras gargalhadas, e de umas frases elogiosas como “és um puto porreiro; se te portares sempre assim vais longe”, foi-me explicada o porquê (já era assim quando viemos para cá, diziam os mais velhos) daquelas brincadeiras e deram a praxe por encerrada.

Também me ri e ainda me lembro hoje da cara assustada da minha mãe quando ao fim do dia cheguei a casa.

Quando lhe expliquei o sucedido, pareceu-me ouvir num ligeiro sussurro: “malandros”.

Volto ao início:Tenho alguma aversão intrínseca às praxes.

publicado por Lanzas às 14:56

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