Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

SACRIFICADOS SIM, MAS INFORMADOS

   Na fase de turbulência, por agora financeira, que a Europa atravessa, Portugal corre o risco de, por “contágio” de uma qualquer Grécia, ou como efeito das suas próprias políticas, vir a ser “convidado” a sair do Zona Euro.

   É uma hipótese que não deve ser minimizada, muito menos descartada.

   Sucede que os portugueses em geral pagam impostos que atingiram já o limiar da razoabilidade, e é também visível quase a olho nu que a população em geral está também a levar muito a sério os avisos sobre a necessidade de consumir menos e de poupar mais.

   Porém era importante que as pessoas sentissem realmente que os sacrifícios que estão a fazer, e os que ainda serão chamados a fazer num futuro próximo, não são em vão, e que se por um lado esses mesmos sacrifícios se destinam a pagar as barbaridades cometidas ao longo de muitos anos mas com incidência especial nos últimos três /quatro anos por políticos incompetentes (no mínimo), por outro se destinam a precavê-los de uma desgraça maior que seria a saída de Portugal da Zona Euro.

   Nunca tendo tido uma opinião favorável à nossa entrada na Zona Euro, e continuo hoje convencido que foi um erro, estou muito à vontade para afirmar que nesta altura a nossa saída seria uma verdadeira catástrofe.

   Por isso era francamente positivo que o Presidente da Republica no exercício do magistério de informação devido aos portugueses, e para evitar visões partidárias que distorcessem a realidade, patrocinasse um conjunto de programas televisivos, que tivessem reflexo na imprensa escrita e nas redes sociais, que de forma simples, esquemática, sem fundamentalismos, informasse o que seriam as consequências práticas da nossa saída da Zona Euro.

   Por exemplo o que representaria para um casal que está a pagar o empréstimo da sua habitação num valor digamos de 600/700 euros mensais, passar a receber o ordenado em escudos, com uma desvalorização mínima de 30 a 40 por cento, e ter de converter parte desse ordenado em Euros, para continuar a pagar o empréstimo que continuaria vinculado a essa moeda.

   Este e alguns exemplos mais, devidamente repisados, levariam com certeza a que as pessoas em geral encontrassem alguma razoabilidade para o enorme sacrifício que estão a fazer e fizesse, também, renascer a esperança de estarem a trabalhar para evitar um futuro ainda mais negro.

   Os portugueses merecem senhor Presidente.

  

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Estado de Alma: Martirizado
Livro: O Livro dos Mártires
publicado por Lanzas às 10:07

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