Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

ORÇAMENTADO E MAL PAGO

   Estamos novamente em plenos anos 60 da nossa economia, com a agravante de as solicitações de consumo serem hoje incomensuravelmente maiores do que aquelas que assaltavam os consumidores naquela época.

   Com a dificuldade acrescida de entretanto ter sido criado na população, por parte de quem nos Governou, o sentimento de que o Estado tem "a obrigação de", a qual sempre foi irrealista, embora fácil de aceitar porque de benesses se tratavam, uma vez que eram proporcionadas à custa de endividamento e não à custa da redistribuição da riqueza.

   Seria fácil hoje procurar apontar nomes de quem nos conduziu até aqui. Se quisessemos simplificar díriamos que foram todos aqueles que em cada momento tiveram, a partir de 1974, participação directa fosse no Governo, nas Autarquias, nas Regiões Autónomas e também no Sector Empresarial do Estado.

   Uns por interesse fosse pessoal, político ou partidário, conduziram o bem comum como se de quintas privadas se tratassem por forma a retirar delas o que podiam ou que lhes convinha. Outros (muitos) foi por mera incompetência.

   Alguns indicadores utilizados para "medir" as melhorias das condições de vida podem, enganadoramente, apontar algum progresso. Mas trata-se de progresso assente em pés de barro, sem retorno, e que vamos, ou melhor estamos, ou ainda melhor já temos vindo a pagar com língua de palmo.

   Aumentamos o número de quilómetros de auto estrada exponencialmente. Seremos na europa o País com o indicador Km autoestrada/População mais elevado. Era assim tão importante? E o número de automóveis multiplicou por dez, porque o sector financeiro acenou com condições de crédito que quase se poderiam dizer eram irrecusáveis. No imobiliário não há uma explicação lógica para o número de fogos construídos. Hoje 35% do crédito total concedido pelos Bancos está neste sector. Precisavamos assim de tantas casas?

   Aumentou o número de licenciados de forma significativa é certo, mas não aumentou o conhecimento na mesma proporção, nem pouco mais ou menos. Nesta matéria somos como no futebol temos grandes craques mas como equipa somos fraquinhos.

   Foram as promessas de eldourados sem fim, possiveis de conquistar com pouco trabalho e muito crédito, que fomos conduzidos às portas da miséria.

   Miséria, que sem falsos alarmismos se avizinha a passos largos, mesmo para aqueles que há bem poucos vezes julgavam só que iam passar um "bocado" mal. Mas não mais do que isso.

   Ora este orçamento pela forma como está concebido não vai resolver o problema da nossa economia. Pode eventualmente mostrar a quem nos governa (os verdadeiros donos do dinheiro) que estamos a ser alunos bem comportados, para que estes continuem a emprestar-nos mais dinheiro, para podermos continuar a fazer mais e mais cortes.

   Perante quadro tão negro não há por aí ninguém, dos que em algum momento detiveram o poder, que seja capaz de vir a público como o Egas Moniz dizer: Desculpem, eu sou um dos culpados?

   É que o povo gosta de mártires para sua catarse.

 

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Estado de Alma: Sem Orçamento
Livro: Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma
publicado por Lanzas às 10:07

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1 comentário:
De Dona das Chaves a 14 de Outubro de 2011 às 16:04
Eu não diria melhor! Andaram 37 anos a ver os navios a passar, e alguns a encherem-se que nem balões. Agora que se acabou o ar, vamos todos ter de soprar para que continuem inchados. O Zé Povinho, éque paga, e o resto é história... triste por sinal.

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