Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

"DE CABEÇA A RABO"

   Como sempre sucede em Portugal com as declarações dos nossos governantes, tudo corre sobre rodas no que diz respeito aos financiamentos externos e ao andamento da nossa economia. A última declaração conhecida sobre a matéria, a do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, é elucidativa: "a procura foi mais uma vez elevada e bem distribuída, mantendo-se uma expressiva presença de investidores internacionais", acrescentando "os actuais níveis de taxas de juro mostram contudo que a solução para a crise de confiança não passa apenas por Portugal e que a solução Europeia é fundamental”, e rematou com esta declaração digna de uma estocada “de cabeça a rabo”, como se diz na gíria tauromáquica:

 

      ”Portugal está e continuará a fazer o seu trabalho. A Europa tem ficado aquém”.

   Por comparação e reportando-nos ao tempo em que se comprava na mercearia com a utilização do velho rol onde eram apontadas as compras a fiado, actualmente é mais sofisticado através dos cartões de crédito mas o princípio é o mesmo, é como se o merceeiro nos suspendesse a venda de produtos nessas condições e viéssemos para a rua gritar que malandro queria matar a nossa família à fome.

   Não, Portugal não fez o seu trabalho. Hipotecou-se para efectuar obras de fachada não reprodutivas para proporcionar lucros fabulosos à Banca e a algumas Empresas do Sector da Construção Civil, e para servir de propaganda eleitoral. Só faltou o Primeiro Ministro inaugurar o fontanário da minha aldeia. Ou será que inaugurou?

   Agravou a sua situação porque não seguiu uma linha coerente de impostos e de ordenados da função pública, utilizando-os unicamente numa lógica de calendário eleitoral.

   E continua a fazer disparates ao impor obras sem sentido, de que o TGV – Poceirão/Caia é só um exemplo, mantendo uma constante propaganda eleitoralista, como se viu ainda hoje através de José Sócrates: "Nós já temos os números que dizem respeito à execução orçamental de Janeiro e esses números são muito bons”.

   Melhor fora, se com os impostos nos valores mais altos de sempre, com os cortes salariais da função pública, e com os cortes significativos nos apoios sociais de toda a ordem, a execução orçamental não fosse boa.

   Mas fica por saber, e a seu tempo se saberá, quais as engenharias financeiras que foram feitas para atingir estes valores, matéria na qual este governo é exímio conforme se comprova com o verificado no ano 2010 durante o qual o Estado dos 466 imóveis vendidos, mais de metade foram comprados pelo próprio Estado, através da Estamo, que é uma empresa pública a qual comprou mais de 300 edifícios e terrenos públicos, através dos quais o Estado encaixou cerca de 290 milhões de euros, ou seja cerca de 80% do total, permitindo-lhe  com isso diminuir o défice em 0,2 por cento, na sua cruzada para cumprir com o objectivo dos 7,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) a que o Fundo de Pensões da PT veio dar o toque de cereja no topo do bolo, para se poder afirmar aos sete ventos que fizemos ainda melhor do que estava previsto.

E um pouco de vergonha meus senhores?

 

Post 238

Estado de Alma: Forcado
Livro: O Milagre Segundo Salomé
publicado por Lanzas às 15:00

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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

CARTÃO DE CIDADÃO A PREÇOS PROMOCIONAIS

 

Post 237 (Os Manos)

Estado de Alma: Em promoção
publicado por Lanzas às 17:50

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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

A "CHAPELADA" ESTÁ A CAMINHO?

   Com a proposta para extinção do numero de eleitor, face à gravidade do sucedido nas últimas eleições presidenciais, o Governo deu um exemplo perfeito do que é o verdadeiro génio do português malandro, o "xico esperto e oportunista, sempre pronto a fazer os outros de parvos, com a sua esperteza saloia".

   O numero de eleitor deu origem a chatices nas últimas eleições ? Não há problema acaba-se com ele, lá para 2013, e já não é preciso demitir o Ministro.

   É como se nada tivesse acontecido. Passa-se a discutir o novo facto político acabado de criar, a extinção do numero de eleitor, para procurar acabar com a discussão e apuramento das responsabilidades do sucedido.

   E se até lá existirem eleições?  Não faz mal, utilizam-se os actuais cadernos eleitorais, que mais parecem uma Lista Telefónica antiga com números repetidos várias vezes e ainda sem os novos assinantes constarem da mesma.

   Quando uma democracia não é capaz de cuidar daquilo que é um dos seus sustentáculos ou seja organizar  com seriedade e rigor uma listagem  daqueles que estão em condições de votar, logo por exclusão de partes de quem não está, e não é capaz de prestar atempadamente a informação precisa e concreta onde podem votar aqueles que estão em condições de o fazer, é porque entrou em declínio e a semear ventos de onde só pode colher tempestades.

   O mínimo que se pode exigir a quem nos governa é que nos garanta que quem for eleito o será em perfeita legalidade. Não vá aparecerem por aí uns ventos  da velha "chapelada".

 

Post 236   

Estado de Alma: De barrete
Livro: O Últmio Alquimista
publicado por Lanzas às 20:30

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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

CUBA E O TGV POCEIRÃO/CAIA

   Estive em Cuba no ano de 2000. Colocando de lado alguns aspectos que me chocaram no dia a dia dos cubanos, gostei de lá ter estado.

   Havana, detentora de um charme decadente, é uma cidade a entrar no roteiro das cidades imperdíveis quando for possível restaurar aquele imenso património arquitectónico.

   O povo cubano dava mostras de uma capacidade de adaptação às situações mais incríveis, com um sorriso e uma disponibilidade para a vida que são de registar.

   Merecem, e com certeza conseguirão vir a viver melhor.

   As visitas de turista foram as de rotina: Piñar del Rio, as Fábricas de Charutos; o Teatro e a Catedral de Havana; Cayo Coco com as suas águas cálidas e transparentes, as paisagens paradisíacas, e a lagosta ao natural cozida no barco apenas com alho e um fio de azeite; as caminhadas pelo Paseo del Malecon, a  ronda pelos bares, com destaque para os célebres mojitos  no "La Bodeguita del Medio", o bar favorito de Ernest Hemingway; o Forte Velho, que hoje é um museu, o qual guardava uma das extremidades do muro que protegia  Havana Antiga, e onde todos os dias exactamente às 20 horas eram disparados três tiros de canhão para avisar a população que os portões da cidade iriam ser fechados, e cuja tradição ainda é cumprida, com solenidade, agora para turista ver. Uma visita ao Hotel Nacional  e uma viagem pela cidade num táxi tradicional, o qual se deslocava à custa das orações do motorista e que a cada solavanco se esperava não rodasse nem mais um metro e  uma curta experiência num coco-taxi completam, agora, as recordações que ainda resistem de uma viagem solitária. "A lembrança de lá ter estado, é o prazer do peregrino".

   Mas o que verdadeiramente me surpreendeu, e para o qual não consegui nenhuma explicação foram os viadutos inacabados sobre a estrada Havana/Varadero, "plantados" na paisagem sem quaisquer ligações nem acessos, a aguardar a chegada, um dia, da rede rodoviária, mas que então já estarão inoperacionais.

   Vem isto a propósito do célebre e já caricato TGV Poceirão/Caia. O mais recente avanço  na matéria foi o lançamento, a 28 de Dezembro, do concurso para o projecto da estação internacional de Elvas/Badajoz, com um preço-base de 7,5 milhões de euros, o qual está a decorrer e a despertar o interesse das principais empresas ibéricas de consultoria de engenharia, que têm até dia 16 de Março para apresentar as respectivas propostas, algumas das quais, as vencedoras do concurso, ficam desde logo a ganhar. Ou com a obra, que esperam não se venha a realizar para não terem chatices ou com a indemnização da ordem que virão a reivindicar pela sua não execução. Onde é que nós já vimos isto?
   Trata-se de mais um monumento ao disparate, tal como os viadutos de Cuba, e uma falta de respeito pelos 619.000 desempregados registados no INE, e a mais umas centenas de milhar que não estão regsitados em lado nenhum, mas que andam por aí a caminho da miséria, ou que, infelizmente, já nela estão instalados.
   É também uma agressão a todos aqueles que foram defraudados no seu voto com as promessas de gente que não merece ser levada a sério.

   Mas que um dia terão de prestar contas dos seus desmandos.

 

Post 235

Estado de Alma: Defraudado
Livro: Pelo Bem Comum
publicado por Lanzas às 15:00

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RESULTADOS ELEITORAIS

 

 

Post 234 (Os Manos XX)

Estado de Alma: Com o dedo pintado
publicado por Lanzas às 09:55

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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

AINDA A MOÇÃO DE CENSURA

   Quando na semana passada o BE apresentou na Assembleia da Republica, durante o debate parlamentar, uma moção de censura ao Governo, fomos daqueles que achamos ser altura de todos os Partidos falarem de uma vez por todas acerca do assunto e depois ficarem calados durante um razoável período de tempo, acerca de  um fantasma que parece ser agitado apenas quando não têm nada de mais substancial para apresentarem.

   Agora, decorrido algum tempo, assente a poeira, e apesar de cada vez mais a moção ganhar contornos de que foi, concertada, apalavrada, ou pelo menos falada entre o PS e o BE  mantemos a mesma opinião. É a hora de falarem meus senhores.

   Quais foram então as vantagens  para a apresentação da moção de censura, perguntar-se-á.

   Para o Governo e para o Primeiro Ministro criou um espaço de manobra e de diversão de que não dispunha e de um prazo de validade  prorrogado, bem como a oportunidade de poder atacar o PSD, como se tivesse sido este Partido a apresentar a moção de censura. A habitual falta de escrúpulos políticos, que nem o suposto ar de desalento do PM nem os esgares e as  habituais tremuras de mãos de Louçã  fazem alterar, agora, a convicção de que se tratou de algo que teve pelo menos a bênção do cardeal do regime, o Ministro Silva Pereira, e que permitiu ao BE, procurar colocar um manto diáfano de silêncio sobre a sua derrota nas presidenciais, bem como antecipar-se num passe de mágica ao PCP, cuja anunciada moção afinal não era mais do que bolas de sabão, sopradas ao vento. Bonitas enquanto duram mas a desfazerem-se em espuma breves segundos após terem nascido.

   O CDS, manteve-se numa suposta posição de estado inclinados para onde lhes parece que o vento sopra. E agora sopra >>>  dali.

   Sobra o PS e o PSD, aqueles que um dia serão verdadeiramente julgados pelos que são os alvos indefesos das políticas indecorosas que protagonizam ou protagonizaram. Os desempregados, as gerações do desencanto, as mães e pais de família desesperados, os pobres e os doentes deste País.

   Meus senhores apresentem AGORA as vossas moções. De censura uma, de apoio ao Governo outra. Confrontem-se e confrontem os Partidos que falam, falam, mas não dizem nada.

   E de uma vez por todas partam para um combate honesto à crise.

   É que com o desemprego em 11% e a subir, com o aumento das taxas de juro a consumirem, só por si, (os aumentos dos juros, não são os juros) os brutais aumentos de impostos e cortes na assistência social verificados, e com o Governo a continuar a adjudicar bocadinhos de TGV, o qual aos poucos se vai tornando irreversível para gáudio da senhora Merkel, e de mais uns quantos que a seu tempo saberemos quem são, Submarinos e Face Oculta, dixit, não dispomos de mais  tempo.

   Em breve estaremos enterrados vivos.

  

Post 233

  

Estado de Alma: Censurado
Livro: Que Farei Quando Tudo Arde
publicado por Lanzas às 11:45

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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

DIA DOS NAMORADOS

 

Post 232 (Os Manos XIX)

Estado de Alma: Enamorado
publicado por Lanzas às 15:00

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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

MOÇÃO DE CENSURA

   No debate quinzenal de ontem no Parlamento, o Bloco de Esquerda afirmou a sua intenção de apresentar no próxima dia 10 de Março, um dia depois da tomada de posse de Cavaco Silva como Presidente da Republica, uma moção de censura ao Governo a ser discutida na Assembleia da Republica.

   José Sócrates  pareceu apanhado de surpresa pelo anuncio feito por Francisco Louçã e reagiu de forma algo desabrida à sua apresentação.

   Pode-se questionar a oportunidade para a apresentação da moção e se será ou não uma jogada de antecipação ao PCP, mas estava escrito nas nuvens que vindo de qualquer quadrante político ela, a moção, vinha a caminho.

   Não foi pela sua apresentação que os juros da nossa dívida soberana no mercado secundário atingiram valores históricos. Não é por causa das medidas duras que agora estão a ser tomadas e  que são injustas na medida em que não são igualmente suportadas por todos, que substituimos dívida publica vencida no mercado primário e onerada a juros de 2 e 3 por cento, por dívida onerada a quase 7 por cento.

   Foi por causa da "obra" deste Governo e do que o antecedeu igualmente da responsabilidade do PS e de José Sócrates que aqui chegamos. Quatro pontos mais em IVA do que pagávamos quando chegaram ao Governo. Redução dos salários dos trabalhadores. O desemprego a atingir números recorde. A carga fiscal a atingir um peso insuportável para quem ainda trabalha. E o que mais está para vir. É obra.

   Pode ser uma "colossal irresponsabilidade" do Bloco de Esquerda a apresentação da moção de censura, como disse José Sócrates. Poderá criar instabilidade politica. Mas é por causa de uma politica irresponsável, a que tem sido seguida por este Governo, e pelas medidas eleitoralistas do anterior que dez milhões de portugueses estão e irão pagar duramente a crise. Dez milhões não serão. Talvez nove milhões novecentos e noventa e nove mil. Os restantes são bem tratados. Com carinho.

   Tudo visto, cumpre dizer que a moção é benvinda. Ou é votada favoravelmente e o senhor engenheiro vai a andar, ou não é aprovada e os partidos da oposição perdem legitimidade para acenar com o fantasma da moção de censura sempre que tal lhes convém.

   Vamos  clarificar, de uma vez por todas, a posição de cada um, e assumir as responsabilidades consequentes.

   Como se costumava dizer nas cerimónias de casamento: "Que fale agora quem tiver algo para dizer ou cale-se para todo o sempre".

 

Post 231

 

Estado de Alma: Na expectativa
Livro: Republica dos Sonhos
publicado por Lanzas às 09:46

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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

DESTAQUE NO SAPO FOTOS

 

   Esta fotografia foi colocada ontem em destaque no Sapo Fotos.

   Publicada no dia 2 deste mês,  no blogue RUIVAERUIVOS,  insere-se num conjunto de imagens agrupadas no album a que chamamos Algures, do universo do nosso blogue, o qual procura servir de elo de ligação entre as fotografias nele publicadas, as quais por sua vez tendem a ser um ponto de partida para observar o nosso País e o mundo. 

   Estamos abertos à colaboração de quem nos quiser acompanhar nessa viagem, quer através de fotos que mereçam ser publicados, quer através de textos com elas relacionados.

    Obrigado.

Estado de Alma: Disco voador
tags: ,
publicado por Lanzas às 13:00

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MÉDICOS DE FAMÍLIA

 

Post 229  (Os Manos XVIII)

Estado de Alma: Desprotegido
publicado por Lanzas às 09:40

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