Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

E A AVESTRUZ SOU EU ?

 

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Estado de Alma: No areal
Livro: As Prodigiosas Vitórias da Psicologia Moderna
publicado por Lanzas às 10:15

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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

ÁGUA PURA DA RIBEIRA

   É com toda a franqueza que o digo: Sinto tristeza por Teixeira dos Santos. Sei que o senhor não precisa da minha comiseração, mas tal não invalida que a expresse.

   É de pungente sofrimento a mascara de mártir que ostenta nas fotos que diariamente são publicadas na imprensa e é de tristeza, diria mesmo de dor, a sua postura quando se apresenta perante as câmaras de televisão.

   É óbvio que tem culpas no cartório, e temos comentado algumas das medidas politicamente condenáveis que assumiu ou "foi obrigado" a assumir, dado que  foi arrastado, sem dó nem piedade, para o pântano, por quem tinha necessidade de apresentar um nome credível para dar o corpo às balas, pela sua (dele) política económica sem credibilidade.

   Como escrevemos recentemente só o desnorte que se verifica no Governo permite que ontem Teixeira dos Santos tenha afirmado: "O Governo obviamente negociará e empenhar-se-á em ser um facilitador dos contactos e diálogo com outras forças políticas para que elas também se comprometam perante essas organizações" quando na passada sexta-feira afirmou: "Chamo a atenção que quem tem de negociar com a oposição não é o Governo, são as partes envolvidas do lado europeu. Essa não é uma responsabilidade do Governo”. Paradigmático.

   Entretanto o primeiro-ministro convocou para hoje os partidos para reuniões com vista à discussão do processo de negociação do pedido de ajuda financeira a Portugal, quando há três semanas na apresentação da sua moção de recandidatura como secretário-geral do PS, afirmou que "a agenda do FMI e da ajuda externa levaria o país a suportar programas que põem em causa não só o nosso estado social mas também o que é a qualidade de vida de muitos portugueses e eu não estou disponível para isso", afirmando repetidamente ao longo do discurso que "Portugal não precisa de nenhuma ajuda externa". Mais claro do que isto só a água pura da ribeira.

   Viver em Portugal neste ano de 2011 da graça de Deus era divertido; Se não fosse dramático.

 

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Estado de Alma: Com sede
Livro: Como Observar as Pessoas
publicado por Lanzas às 09:50

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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

AI SE ELES FALASSEM

   É sabido por todos que José Sócrates não mente, apenas se limita "a construir a sua própria versão dos acontecimentos dando-lhe a forma que mais lhe convém no momento" na feliz caracterização feita por Mário Crespo.

   Realmente quando o Primeiro ministro ousa dizer que numa reunião, por acaso do Conselho de Estado, não se falou de uma coisa que realmente foi falada na presença de mais dezoito pessoas, na expectativa que o manto de silêncio que normalmente cobre essas reuniões desse o assunto por encerrado, ficando no ar apenas o perfume da negação da existência de  acontecimentos que realmente se verificaram, não há mais nada a acrescentar sobre a sua personalidade.

   Resta-nos apenas chorar.

  Episódios caricatos parecidos com este não é a primeira vez que sucedem , sendo a mais curiosa das inverdades sobre o que aconteceu ou não numa determinada situação aquela que teve origem no interesse de Paulo Portas,  então jornalista do extinto «Independente», em saber o acontecido em determinado jantar, tendo para o efeito procurado saber junto de Marcelo Rebelo de Sousa como tal jantar tinha decorrido. Marcelo descreveu-lhe todos os pormenores: Quem lá estava, do que haviam falado, e até o que haviam comido, tendo apimentado a descrição com o pormenor de a refeição ter começado por uma vichyssoise.

   Só sobrava um detalhe. O jantar não se realizara, fora adiado. O resto era tudo "verdade".

   Resta-nos apenas rir.

   Outro jantar com história teve a ver com o abortado negócio, meio publico meio privado, da compra da TVI por parte da PT.  Henrique Granadeiro, Presidente da PT primeiro garantiu aos jornalistas que falou com Sócrates uma única vez antes de enviar o comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o que teria acontecido a 23 de Junho. Porém perante a versão de José Sócrates de que só soube da intenção da PT num jantar a 25 de Junho, o presidente da Portugal Telecom mais tarde admitiu ter cometido um lapso quando descreveu aos jornalistas o momento em que falou a José Sócrates no interesse da PT na TVI, e esclareceu que falou com o Chefe do Governo apenas depois de informar o regulador dos mercados, no dia 25, e então já tinha pormenores:

   «Eu falei de facto com o senhor primeiro-ministro no dia 25 e nesse dia, num jantar que até veio relatado na comunicação social, informei-o daquilo que constava no comunicado que já tínhamos distribuído à CMVM», disse, admitindo ter inicialmente cometido um lapso.

   Se a verdadeira "verdade" destes e outros acontecimentos similares fossem contados por quem os protagonizou em tempo oportuno se calhar não tínhamos chegado ao estado deplorável em que nos encontramos.

   A história um dia será feita, porém tarde demais. Já não mudará o resultado do jogo.

   Perdeu Portugal.

 

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Estado de Alma: A comer sopa
Livro: Como Água para Chocolate
publicado por Lanzas às 10:50

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

CONVERSAS IMAGINÁRIAS

 

                                             Fotomontagem: João Portalegre

 

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Estado de Alma: Em transe
Livro: Expiação
publicado por Lanzas às 21:05

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TEIXEIRA DOS SANTOS E JOSÉ SÓCRATES

DE CANDEIAS ÀS AVESSAS ?

   É de absoluto desnorte o clima emocional que se vive no seio do Partido Socialista. Num Congresso que deveria servir para um sereno debate de ideias internas, para clarificação de pontos de vista contraditórios, que são conhecidos, entre correntes internas de opinião e para a apresentação de ideias que ajudassem a apontar um caminho aos portugueses, nada disto se verificou.

   Como alternativa foi escolhido o discurso recorrente de apontar  culpas à oposição, como se fosse esta que tivesse governado nos últimos seis anos, às forças ocultas, leia-se Presidente da Republica, e a assistiu-se a uma falsa união em torno de um líder que sendo um bom comunicador, esgota as suas capacidades nisso mesmo, conforme salientou em tempos João Salgueiro. 

   Por outro lado as opiniões divergentes entre Ministros, e entre estes e o Primeiro ministro são manifestas sobre a oportunidade de conjugar esforços com outros partidos para encontrar soluções que visem salvar Portugal de uma crise que ameaça arrastar-se por décadas. Apontemos um só exemplo elucidativo: 

   Na última sexta feira à saída de uma sessão do Conselho de Ministros das Finanças, Teixeira dos Santos declarou: “O Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional terão que negociar com o Governo e terão que envolver nessa negociação os principais partidos. Mas chamo a atenção que quem tem que negociar com a oposição não é o Governo, são as partes envolvidas do lado europeu. Essa não é uma responsabilidade do Governo”, afirmando ainda não ser rigoroso dizer-se que a ajuda será de 80 mil milhões de euros, e que espera que o Presidente da República Cavaco Silva ajude a criar o ambiente propicio ao processo negocial que agora vai começar. Na mesma linha de raciocínio tinha dito ago de parecido em entrevista televisiva, quando afirmou peremptório que o Governo, por estar em gestão, não podia pedir ajuda externa, sendo que a única entidade que o poderia fazer era o Presidente Republica. Porém 3 ou 4 dias depois, ao almoço com José Sócrates e entre duas colheres de sopa, mandou vir o FEEF, o FMI e  o  BCE. 

   Para quem estivesse mais desatento a ouvir Teixeira do Santos poderia até parecer que Portugal estava a fazer um favor aquelas entidades e que éramos nós que lhes íamos emprestar dinheiro para salvá-los da bancarrota.

   Que mau feitio que o homem tem, meu Deus.

   Pela sua parte, José Sócrates, perante a crua realidade da nossa incapacidade de resolvermos sozinhos os nossos problemas, afirmou no Congresso do PS que “o Governo assumirá a responsabilidade de liderar as negociações com as instituições europeias sobre o programa de assistência financeira, de modo a que o país não corra riscos no financiamento do Estado, do sistema bancário e da economia”.

   “O momento exige elevação política e sentido de Estado”, acrescentou.

   Será o que tem faltado a Teixeira dos Santos ?

 

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Estado de Alma: Perplexo
Livro: Economia Portuguesa
publicado por Lanzas às 14:45

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Domingo, 10 de Abril de 2011

CONGRESSO DA OPOSIÇÃO

   Quem tivesse aterrado em Portugal este fim de semana vindo da estratosfera, e tivesse ligado a televisão pensaria decerto estar a assistir a um Congresso de um Partido que estava há seis anos na oposição, tal era o vigôr da retórica contra quem tinha tomado as medidas que levaram Portugal práticamente à bancarrota e se viu obrigado a pedir ajuda ao FEEF e consequentemente ao FMI, entidade que durante semanas a fio foi deabolizada, enquanto os juros da nossa dívida antigiam valores inacreditaveis a apenas meia dúzia de meses.

   Com visão, que sempre faltou e sem demagogias baratas, que sempre sobraram,  caso o pedido agora efectuado tivesse sido feito um ano antes teriam sido poupadas centenas de milhões de euros ao País e sacrifícios desnecessários para a generalidade da população.

   É sabido de há muito que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Ora a liderança do Partido Socialista desde a chegada de José Sócrates a Secretário Geral é manifestamente absolutista, centrada à volta do Grande Líder de quem todos dependem e a quem todos prestam a devida vassalagem. Não admira pois que as ideias estejam absolutamente corrompidas.

   Neste Congresso não apareceu uma única voz discordante. Não se apresentou uma alternativa.

   Não foi de unanimidade, mas sim de unanimismo o ar que por ali se respirou, logo é preciso terem muito cuidado com as costas. 

   Digno de registo apenas o regresso dos "bons filhos" que à casa tornam. De seus nomes Ferro Rodrigues e Manuel Alegre.

   Também eles sem ideias, só com frases feitas à procura de espaço para as próximas batalhas internas que se antevêem fratricidas, as quais como a história ensina são sempre as mais mortíferas.

   Portugal merececia mais e melhor.

 

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Estado de Alma: Congressista
Livro: Caçadores de Tempestades
publicado por Lanzas às 16:05

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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

NOME DO EDITOR

   Temos recebido alguns "recados" por estarmos a publicar os nosso Posts, que são considerados de opinião sob o anonimato de Mocho (Sábio).

   Consideramos que não foi pelo facto de o nosso nome não ter vindo a aparecer no Blog que o mesmo não seguiu sempre as regras básicas da urbanidade e da boa educação.

   Nunca neste espaço ofendemos quem quer que seja, nem publicamos nada que possa minimamente ser considerado um ataque pessoal.

   Colocamos sempre as questões em termos políticos, defendendo o nosso ponto de vista com mais ou menos veemência, mas sempre dentro de padrões que consideramos correctos.

   Quem tivesse interesse nisso facilmente chegaria ao autor, pois as fotomontagens e cartoons estão todas assinadas, e neste último caso com referência do copyright do autor registado no IGAC.

   Porém ao entrarmos numa fase importante da vida política, social e económica do País, e porque queremos continuar a ser uma voz incómoda para os poderes instalados (todos os poderes de todas as cores) aqui fica uma assinatura do autor: João Portalegre.

   Para terminar esta breve explicação quero deixar uma palavra de homenagem a José Régio que soube  como ninguém dignificar a Cidade de Portalegre  onde viveu durante quase 40 anos e onde deixou marcas indeléveis no ensino e na cultura.                                                

Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
...

Livro: As Encruzilhadas de Deus
tags:
publicado por Lanzas às 21:15

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TOADA DE PORTALEGRE

 


Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...

Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- Quis-lhe bem como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego.

Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras
Ao vento suão queimada
( Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem fôr,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha, então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante de uma janela

Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que tosse e gela
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda
Derredor da minha casa,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos e sobreiros
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!

Serras deitadas nas nuvens,
Vagas e azuis da distância,
Azuis, cinzentas, lilases,
Já roxas quando mais perto,
Campos verdes e Amarelos,
Salpicados de Oliveiras,
E que o frio, ao vir, despia,
Rasava, unia
Num mesmo ar de deserto
Ou de longínquas geleiras,
Céus que lá em cima, estrelados,
Boiando em lua, ou fechados
Nos seus turbilhões de trevas,
Pareciam engolir-me
Quando, fitando-os suspenso
Daquele silêncio imenso,
Sentia o chão a fugir-me,
- Se abriam diante dela
Daquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego...

Ora agora,
?Que havia o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Que havia o vento suão
De se lembrar de fazer?

Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
?Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?

Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
Á qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...

?Como é que o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Me trouxe a mim que, dizia,
Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere ... e consola
Com o próprio mal que faz?

Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...

Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela!

Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!

O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me,
Deixando só, nulo, vácuos,
A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...

E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casa que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- A minha acácia crescia.

Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!

E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura!..., mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
Ou se um filho me nascera.

(José Régio )

 

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Livro: Poemas de Deus e do Diabo
publicado por Lanzas às 21:05

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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

ZAPATERO Vs. SÓCRATES

   É consensual que depois do nosso pedido de resgate e  estando portanto o "limão" chamado Portugal completamente espremido  pelos “mercados”, estes terão como próximo alvo a abater a nossa vizinha Espanha.

   Apesar das afirmações de confiança no seu futuro  feitas por Países membros da UE e de tiradas grandiloquentes como: “estamos mais perto da Alemanha e da França do que de Portugal”, proferidas à pouco tempo por José Luís Zapatero, é certo e sabido que os ditos “mercados” irão virar as suas baterias para Espanha, e se a UE não conseguir, num curto espaço de tempo, tornar-se um União verdadeiramente comum, continuando cada País a manter a actual política de primeiro nós depois os outros, com os seus interesses bem demarcados, onde todos  são iguais, mas há uns mais iguais do que outros, então não há Merkel que lhes valha.

   Neste contexto o Presidente do Governo espanhol José Luís Zapateto intuiu o óbvio e tomou a decisão criteriosa, de não se recandidatar, em Março de 2012, à liderança do Governo espanhol pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) criando atempadas condições ao seu partido para encontrar a melhor solução para a sua sucessão escolhendo um candidato “fresco,” para as duras batalhas que se adivinham.

   É uma medida inteligente, tomada em tempo oportuno.

   O partido da oposição dispõe assim, igualmente, de tempo para reflectir se tem, neste novo contexto, condições para colaborar com o PSOE numa busca comum de soluções válidas para o seu País. 

   A posição asssumida pelo líder do PSOE contrasta em absoluto com o que infelizmente se passa em Portugal, onde o líder de um partido igualmente socialista que arrastou o País para uma das suas piores crises de sempre, se prepara mesmo assim para aceitar continuar a ser o Secretário Geral do partido, numa encenação mediática bem ao seu estilo, como se nada se tivesse passado. 

   Na política como na religião cada um acredita no que quer e em quem quer.

   Por nós é convicção assumida que Sócrates delineou, ao milímetro, as diversas fases do processo da sua demissão desde o anúncio do PEC 4, por forma a poder enjeitar as responsabilidades da sua governação, sobretudo das medidas eleitoralistas e politiqueiras qiue foram tomadas desde 2009, as quais são um verdadeiro descalabro à luz de qualquer manual de economia e finanças. 

   Em matéria de vitimização foi quase perfeito. Só não teve em conta a voracidade dos tão propalados "mercados" que o "obrigaram",  já em pleno estertor do seu Governo a pedir a chamada ajuda externa que tanto abominava.

    Não foste porreiro, pá. Podes crer. 

Post 291

Estado de Alma: A Fazer contas
Livro: A Ideia de Europa
publicado por Lanzas às 10:27

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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

ALENQUER E OS ANIVERSÁRIOS

   O Presidente da Câmara Municipal de Alenquer determinou por despacho  de 31 de Dezembro último que os funcionários passem a ter dispensa do serviço no dia do seu aniversário.

   Para além da total falta de respeito que aquela medida representa para quem está desempregado, o despacho, só por si, é digno de antologia.

   Ei-lo em todo o seu esplendor: "Considerando que o dia de aniversário é sempre uma data importante da vida de cada um de nós e, à semelhança de procedimento idêntico adoptado em diversas entidades da administração central e local, determino que seja concedida dispensa do serviço a todos os trabalhadores municipais no dia do seu aniversário natalício".

   Sabe-se o que representam despachos deste teor em pequenas localidades. Por um lado servem para aliciar votos para as próximas eleições locais. Por outro procuram esconder as próprias limitações de quem tem de gerir e motivar funcionários sem que tenha de acenar-lhe com concessões sem sentido.(porque não se pretende ofender quem quer que seja, e face aos comentários recebidos decidimos alterar a frase inicial:  um molho de cenouras )

   É o reconhecimento da mais absoluta incapacidade para liderar um projecto.

   Esta brincadeira, sim porque só de brincadeira se pode tratar, representa menos 700 dias de trabalho anuais, ou seja cerca de 5.000 horas não trabalhadas e pagas por todos nós, sim por todos nós e não só pelos munícipes de Alenquer, sem qualquer justificação.

   Para a próxima vez em que, e segundo as palavras do edil alenquerense, Jorge Riso de seu nome, seja necessário "estimular os nossos trabalhadores, numa altura em que têm sido penalizados por cortes nos seus rendimentos e medidas de austeridade", sugerimos que torne extensiva a medida agora aprovada, devidamente adaptada, ao dia de aniversário do cônjuge, e caso as medidas de austeridade se agravem, como tudo parece indicar, ainda temos os filhos, o cão o gato e tudo o que mexa lá em casa.

   Há quem diga em Alenquer que a medida agora adoptada é neutra face à produtividade dos destinatários da mesma, mas é demagógica e absolutamente irresponsável numa época de crise social e de desemprego como aquela que atravessamos em Portugal.

   Não haverá maneira de alguém  pôr cobro a desmandos destes? Já alguém ouviu falar em Países como o Japão, a Alemanha  os Estados Unidos da América e tantos outros em que o numero de dias trabalhados por ano, e estou a falar de trabalho não estou a falar de presença no emprego, estão muito para além dos trabalhados em Portugal?

   Não estamos a falar da China da Índia ou do Paquistão, estamos a falar de Países onde se respeitam os direitos e a dignidade dos trabalhadores.

   Medidas como a que foi agora tomada em Alenquer são um contributo sério para ajudar Portugal a afundar-se.

   E poucos de nós sabem nadar.

 

Post 290

Estado de Alma: Aniversariante
Livro: O Economista Disfraçado
publicado por Lanzas às 09:29

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