Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

CLARA FERREIRA ALVES E A CULTURA

   Clara Ferreira Alves (CFA) na sua habitual crónica  "Pluma Caprichosa" publicada na Revista Única, resolveu na última semana esmagar a "canalha" com um texto de arromba, em que o subtítulo "Eu sei que a cultura já não é o que era, deixamos que um bando de cretinos mandem em nós" dizia tudo sobre ao que íamos, aqueles que como eu são leitores incondicionais dos seus textos, mas nem sempre são tão incondicionais quanto a concordar com o que escreve.

   Apesar de fazer parte do povo da net, como Miguel Sousa Tavares classificou todos aqueles que para poderem exprimir uma opinião e por falta de mérito não conseguem acesso a outros meios de comunicação e logicamente têm de se contentar com o que há, povo esse que CFA também não aprecia particularmente, e julgo que terá razões de queixa para isso, não posso deixar de tecer um comentário sobre a forma e o tom do referido artigo.

   Escrito utilizando abundantemente a primeira pessoa do plural, para fazer realçar a primeira pessoa do singular, colocando-a modestamente, digo eu, em evidência, CFA numa linguagem prolixa  nomeia em 105 linhas de texto, e pela ordem em que aparecem no mesmo, as seguintes personalidades:

Woody Allen, Bergman, Tolstoi, Dostoievski, Stendhal, Flaubert, Alexandre Dumas, Becky Thatcher, Tom Sawyer, Huckleberry Finn, Mark Twain, Melville, Chopin, Mozart,Beethoven, Mahler, Cole Porter, Irving Berlin, John Ford, Howard Hawks, Nietzsche, Schopenhauer, Mao, Steinbeck, Caldwell, Hobbes, Burke, Baldwin, Steinem, Ophuls (filho e pai), Goethe, Weimar, Hitler, Goebbels, Walter Benjamim, Schiller, Lord Byron, Bernard Henty-Lévy, Sade, Casanova, Rimbaud, Verlaine, Baudelaire, Eliot, Pound, Joyce, Amis pai, Conrad, Beckett, Pinter, Virginia Woolf, Hemingway, Simone Signoret,, Duras, Scott Fitzgerald, Kubrick, Fassbinder, Cézane, Gauguin, Van Gogh, Monet, Henry James, Sartre, Camus, Kafka, Musil, Thomas Mann, Milan Kundera, Rabelais, Homero, Fellini, Visconti, Rosselini, Pessoa e Houellebecq.

   Uff, é obra! Mas por falar em obra ainda houve espaço para uma referência a algumas: Dama das Camélias, Das Kapital, Os Maias, vá lá, um português para além do Pessoa, As Iluminações, As Flores do Mal, Por Quem os Sinos Dobram, dissimuladamente, A Montanha Mágica, e ainda espaço para uns toques nas quintas e nonas (para deixar os papalvos à nora) e nuns filmes que realmente valem a pena.

   E para que ninguém fique com dúvidas lá está o conselho amigo: Vá à Wikipédia, ou leia Pessoa!

   CFA faz lembrar neste artigo um ex-Primeiro ministro que confundia personalidade com arrogância, e se socorria da suas famosas "fichas de entradas" para adornar com um toque de cultura as entrevistas televisivas, as quais nos últimos mais pareciam as célebres Conversas em Família.

   "Só se deve falar quando o que se tem para dizer é mais importante que o silêncio", eu sei disso e sei que o que acabo de escrever não tem importância nenhuma, mas ainda assim não resisto a duas conclusões.

   Primeira: Só manda em nós quem nós deixamos que mande.

   Segunda: O homem (e a mulher) sábio só sabe que nada sabe. E não precisa de dizer que sabe, para que os outros reconheçam que sabe.

   Digo eu, que nada sei e não sou sábio.

 

(Sebastião José Saraiva de Carvalho Régio) 

 

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Estado de Alma: Inculto
Livro: Cem Anos de Solidão
publicado por Lanzas às 09:37

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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

A CRISE SEMPRE SERVE PARA ALGUMA COISA

   Afinal, sabe-se agora, a crise económica e financeira que o mundo em geral atravessa apresenta algumas vantagens que não são despiciendas.

   Todos conhecemos muitos casos de crianças de seis, sete anos que jantavam às 10/onze horas da noite e faziam os chamados TPC (trabalhos de casa), literalmente a dormitar em cima dos livros ou dos cadernos, depois de dias que eram autenticas maratonas.

   Depois de se levantarem em muitas situações antes das sete da manhã para serem transportados para a escola, pelos pais, familiares ou pelos transportes escolares, onde cumpriam o horário normal de escolaridade, iniciavam ao fim da tarde correrias incessantes destinadas a cumprir horários de disciplinas extra que não lembravam ao Diabo. Ginástica, ballet, judo, musica, artes plásticas e mais um infindável rol de actividades "didácticas" que lhes consumiam o resto da energia, torravam uma parte do orçamento familiar e não davam espaço para as suas indispensáveis, e saudáveis, brincadeiras.

   Mas não havia nada a fazer. A Micas, a Mitó, o Paulinho o Afonso, e todos os outros betinhos da escola e da vizinhança andavam nessas andanças e  portanto os nossos não podiam ficar trás se não deixavam de estar no grupo dos eleitos.

   E aos fins de semana a actividade não era menor. A equitação, o ténis, o basquetebol ou a escolinha de futebol, sim porque o rapaz tem jeito, e pode ser um futuro Cristiano, também não davam descanso.

   Os pais "ganharem" uma ou duas horas a brincarem com os filhos? Como se não havia tempo para nada

   Afinal a crise veio colocar um travão nesta falta de bom senso, mascarada com " o que havemos de fazer? É um sacrifício, mas é para bem dos nossos filhos"

   Costuma dizer-se que o homem põe mas as circunstâncias, ou a natureza  segundo uns e Deus segundo outros, dispõem.

   E os pais a quem o aperto do cinto obriga a restringir, e em alguns dos casos eliminar completamente, as actividades extra curriculares dos rebentos acabam descobrindo, actividades e brincadeiras com as quais nem sonhavam e que podem tornar as suas crianças, e eles próprios, mais felizes.

   Estudos recentes nos EUA revelam que crianças que passam pelo menos uma hora por dia a brincar com os pais são menos sujeitas stress e mostram ser mais felizes.

   Se realmente assim for, a crise sempre serviu para alguma coisa.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 392

Estado de Alma: A brincar
Livro: A Arte de Amar
publicado por Lanzas às 09:17

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Domingo, 25 de Setembro de 2011

ALENQUER - PADRE ZÉ, 50 ANOS DEPOIS

 

   Cinquenta anos depois de chegar ao Concelho de Alenquer (nomeado Pároco de Aldeia Galega da Merceana desde 1 de Novembro de 1961) e de 36 anos como Pároco de Alenquer, o Padre Zé como é vulgarmente conhecido José Eduardo Ferreira Martins de 77 anos de idade, diz hoje a sua missa de despedida. (The last, but not the least).

   Na hora de dizer até já, que o Deus em quem acredita lhe continue a dar a vida, a saúde e as forças necessárias para poder ajudar quem mais precisa, como sempre o fez ao longo destes últimos 50 anos.

   Obrigado por tudo aquilo em que se envolveu para poder ajudar o próximo, sem olhar a quem. Obrigado por tudo o que fez nos restauro do Património religioso da Vila Presépio. Obrigado pela imensa "ajuda" que deu à cultura, em todos os domínios, do Concelho; mas sobretudo um muito muito obrigado por ter trazido de volta a Alenquer as Festas do Divino Espírito Santo.

    Bem haja.

{#emotions_dlg.chat}Post 391       (Foto: Aguarela de Artur Franco -  escadaria e porta interior do Convento de S.Francisco - Alenquer)

 

Estado de Alma: Triste, na hora da despedida
Livro: A Escola do Paraíso
publicado por Lanzas às 09:27

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Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

SACRIFICADOS SIM, MAS INFORMADOS

   Na fase de turbulência, por agora financeira, que a Europa atravessa, Portugal corre o risco de, por “contágio” de uma qualquer Grécia, ou como efeito das suas próprias políticas, vir a ser “convidado” a sair do Zona Euro.

   É uma hipótese que não deve ser minimizada, muito menos descartada.

   Sucede que os portugueses em geral pagam impostos que atingiram já o limiar da razoabilidade, e é também visível quase a olho nu que a população em geral está também a levar muito a sério os avisos sobre a necessidade de consumir menos e de poupar mais.

   Porém era importante que as pessoas sentissem realmente que os sacrifícios que estão a fazer, e os que ainda serão chamados a fazer num futuro próximo, não são em vão, e que se por um lado esses mesmos sacrifícios se destinam a pagar as barbaridades cometidas ao longo de muitos anos mas com incidência especial nos últimos três /quatro anos por políticos incompetentes (no mínimo), por outro se destinam a precavê-los de uma desgraça maior que seria a saída de Portugal da Zona Euro.

   Nunca tendo tido uma opinião favorável à nossa entrada na Zona Euro, e continuo hoje convencido que foi um erro, estou muito à vontade para afirmar que nesta altura a nossa saída seria uma verdadeira catástrofe.

   Por isso era francamente positivo que o Presidente da Republica no exercício do magistério de informação devido aos portugueses, e para evitar visões partidárias que distorcessem a realidade, patrocinasse um conjunto de programas televisivos, que tivessem reflexo na imprensa escrita e nas redes sociais, que de forma simples, esquemática, sem fundamentalismos, informasse o que seriam as consequências práticas da nossa saída da Zona Euro.

   Por exemplo o que representaria para um casal que está a pagar o empréstimo da sua habitação num valor digamos de 600/700 euros mensais, passar a receber o ordenado em escudos, com uma desvalorização mínima de 30 a 40 por cento, e ter de converter parte desse ordenado em Euros, para continuar a pagar o empréstimo que continuaria vinculado a essa moeda.

   Este e alguns exemplos mais, devidamente repisados, levariam com certeza a que as pessoas em geral encontrassem alguma razoabilidade para o enorme sacrifício que estão a fazer e fizesse, também, renascer a esperança de estarem a trabalhar para evitar um futuro ainda mais negro.

   Os portugueses merecem senhor Presidente.

  

{#emotions_dlg.chat}Post 389

Estado de Alma: Martirizado
Livro: O Livro dos Mártires
publicado por Lanzas às 10:07

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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

O "FADO" DA MADEIRA

    Não deixa de ser irónico que seja o seu Partido – o PSD - a indicar a Alberto João Jardim a saída da cena política, pela esquerda baixa, mas vai ser inevitável, se este não resolver sair pelo seu próprio pé.

   Depois de mais de 30 anos a somar vitórias, para si mas também para o Partido, sendo que em algumas dessas eleições a Madeira foi o único sítio onde o PSD venceu, Alberto João Jardim transformou-se do problema que sempre foi, no bode expiatório de todos os males que acontecem neste País. O que nos faz lembrar um conhecido “boneco” de um programa humorístico de Jô Soares que sempre que era preso, gritava alto e bom som: “Só eu? e cadé os outros?”

   É certo que Alberto João Jardim, para além de ser obviamente o responsável por uma dívida verdadeiramente colossal ultrapassou todos os limites da razoabilidade democrática. Mas não foi o único.

   Dois exemplos dos últimos tempos socialistas ilustram bem esta afirmação. Porque razão um ex-Primeiro Ministro, acolitado por uma espécie de Ministro das Obras Públicas, adjudicou à pressa um bocado de TGV, quando já sabia que o País estava em bancarrota se não recorresse à ajuda externa? Seria para para tornar a obra irreversível e assim garantir o lucro das empresas envolvidas quer se efectuasse ou não a obra? Perante os factos, peço muita desculpa, mas é uma dúvida legítima que se levanta. Senão porque começar uma obra com aquele volume de custos antes do “visto” do Tribunal de Contas?

   Outro exemplo paradigmático foi a compra massiva de quadros interactivos para as salas de aula, anunciada com pompa e circunstância como modelo do desenvolvimento do País e da “governação de sucesso” da Educação em Portugal.

   Alguém deveria informar os portugueses que estão a ser violentamente espoliados dos seus rendimentos de trabalho para pagar verdadeiras monstruosidades, prtaicads sem rei nem roque, qual foi o total gasto nestas “obras de arte”, quantas foram adquiridas e quantas vezes foram utilizadas cada uma dessas preciosidades.

   São conhecidas escolas que nem um único foi alguma vez usado. E temos razões para supor que muito poucos foram alguma vez usados. Uma pergunta singela. Terá aproveitado a alguém o gasto (sim foi um gasto, não foi um investimento) efectuado? Supomos bem que sim, que a alguém aproveitou.

   Por estas e por outras, muitas outras, é que António José Seguro deveria ter um pouco mais de decoro quando pede para que Pedro Passos Coelho diga se mantém a confiança política em Alberto João Jardim.

   Claro que não mantém, é mais do que evidente. É óbvio que quando o Presidente de um Partido, e Primeiro Ministro, diz da actuação de um correligionário que por acaso é o Presidente do Governo Regional da Madeira, que "é natural que a ser verdade a situação nas contas da Madeira não abone a favor da imagem do País…” está a dizer o quê? Que apoia a sua política, ou que mantém a sua confiança política? Se fosse Ministro teria sido naturalmente demitido. Como Presidente do Governo Regional da Madeira, por agora, fia mais fino.

   Porém as contas da Madeira, e já agora as dos Açores, eram um gato escondido com o rabo de fora. Toda a gente sabia que existia um buraco, mas fingia que não sabia e assobiava para o ar à espera que o balão rebentasse. Presidente da Republica, Tribunal de Contas, PGR, Deputados, Partidos políticos. Em resumo: Todos.

   O que admira é que um político com a sagacidade de João Jardim se tenha deixado “embrulhar” com a última alteração da Lei das Finanças Locais feita pelo ex-Primeiro ministro deliberadamente com destinatário certo: A Região da Madeira.

   Ainda assim é provável que Alberto João Jardim ganhe as próximas eleições regionais de Outubro, se calhar até com maioria absoluta.

   Mas por uma questão de bom senso, caso não queira renunciar a ser candidato, deveria desde já anunciar que não assumiria o lugar de Presidente do Governo Regional e indicar quem propunha para seu sucessor na Chefia do Governo.

   Costuma dizer-se que de Espanha “nem … “ mas José Luis Zapatero é um exemplo que lhe deveria servir referencial.

   É a saída possível. Ainda com algvuma dignidade.

 

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Estado de Alma: Interactivo (A pagar impostos)
Livro: Destroços
publicado por Lanzas às 21:07

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Sábado, 17 de Setembro de 2011

CARLOZ QUEIROZ VOLTA AO ATAQUE

    Quando parecia que tudo estava dito e redito sobre o caso do abandono do estágio da Selecção Portuguesa de Futebol por parte do futebolista Ricardo de Carvalho, acção pela qual que foi punido com rapidez pouco usual nos meandros futebolísticos cá do burgo, eis que Carlos Queiroz também quis meter o bedelho no assunto.

   À partida poder-se-ia dizer que o fez sem ser para o caso chamado, mas na verdade  tem obviamente o direito de o fazer como qualquer outra pessoa.

   E também tem o direito de discordar do modo como o assunto foi concluído, mas a forma como o fez, deixa no ar a sensação de quem se quer aproveitar de qualquer pretexto para atacar o seu antigo patrão, e isso não lhe fica bem. Mesmo nada.

   Pode Carlos Queiroz ter, ou vir a ter, razão no seu diferendo com a Federação Portuguesa de Futebol, com quem deverá, em nossa opinião, continuar a dirimir o seu justo direito de ser indemnizado por despedimento sem justa causa, mas daí a vir dizer referindo-se a Ricardo de Carvalho, que “ …deviam pedir-lhe desculpa e retirar-lhe imediatamente o castigo, pois esta foi uma decisão que veio, mais uma vez provar que há coisas que estão muito mal na FPF",  não lembrava nem ao Diabo.

   É que até o próprio Ricardo Carvalho já reconheceu o erro que cometeu e pediu desculpa por aquilo que o próprio classificou como um acto irreflectido.

   E no caso de Carlos Queiroz tenho cá um "feeling" que nem sequer foi uma opinião irreflectida. Foi bem pensada. Muito mesmo.

   Por essa razão, e não só, um pedidozinho de desculpas vinha mesmo a calhar.

 

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Estado de Alma: Treinador (de bancada)
Livro: Album de Família
publicado por Lanzas às 16:07

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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

ALBERTO JOÃO JARDIM E AS DÍVIDAS DA MADEIRA

   Sempre tivemos em relação a Alberto João Jardim uma atitude de condescendência para com a sua forma truculenta de estar na política e para a forma desabrida como normalmente trata os que estão contra ele e que na prática são, nem mais nem menos, todos aqueles que não estão obediente e disciplinadamente com ele.

   São duas as razões fundamentais para essa postura. A primeira, porque sendo eu continental (ou melhor cubano no linguarejar próprio de Alberto João Jardim) conheci  a Madeira antes de 1974, e tendo continuado a visitar a Região, com regularidade, depois daquela data pude observar in loco tudo aquilo que por lá foi feito em termos de saúde, educação, vias de comunicação, desenvolvimento local e tantas outras áreas. Ora sendo o Alberto João (como gosta que o tratem lá pela terra) o principal obreiro desse desenvolvimento, ainda que com o dinheiro de todos nós, esse mérito ninguém lhe pode tirar. E estamos a falar de populações absolutamente isoladas, com carências de toda a ordem; e estamos a falar de vias estreitas, sinuosas à beira de precipícios, sem alternativas, em que por exemplo se levava mais tempo numa viagem de táxi do Aeroporto ao centro da Cidade do Funchal, do que na viagem de avião Lisboa/Funchal. E estamos, por exemplo, a falar da construção de escolas e extensões de Centros de Saúde em locais recônditos, mas que se tornavam absolutamente necessários face às dificuldades de deslocação das populações.

   A segunda razão é que em 35 anos de Chefia política, Alberto João Jardim venceu cerca de 40 eleições, não tendo perdido nenhuma, sem que os seus adversários pudessem apontar, com provas, quaisquer aproveitamentos patrimoniais, ou outros, para si ou para familiares que lhe sejam próximos, o que num País como Portugal não é despiciendo, tendo em atenção o que ao longo dos anos temos visto desde Presidentes de Câmara, a ex-Ministros, Deputados, e por aí fora. 

   Porém face às notícias vindas hoje a público, segundo as quais estão em causa encargos da Região Autónoma da Madeira que não foram registados e Acordos para Regularização de Dívidas que não foram reportados  ao INE e ao BdP, as duas entidades responsáveis por apurar as contas nacionais, às quais só após diligências próprias terão chegado informações, entre o final de Agosto e esta semana, que dão conta de Acordos de Regularização de Dívidas celebrados em 2010, com um valor aproximado de 571 milhões de euros,  mais 290 milhões de euros de juros de mora  que podem pôr em causa as contas da Republica, sendo que também relativamente a 2011, são mais 11 milhões de euros referentes a acordos respeitantes a dívida contraídas desde 2005 e juros de mora  de 32 milhões de euros relativos ao primeiro semestre que não foram reportados, bem como não terão sido ainda comunicados os encargos que não foram objecto destes acordos relativos a serviços de saúde de 2008, 2009 e 2010, em montantes de 20, 25 e 54 milhões de euros, respectivamente, dirijo a Alberto João Jardim algumas passagens da Carta Aberta que em 28 de Abril de 2010 dirigi ao então Primeiro Ministro pedindo-lhe que se demitisse. E apenas algumas, poi a referida carta não se lhe aplica na íntegra:

   "... Entendo quanto doloroso deve ser descer sem glória uma montanha que foi subida a pulso, com esforço, e também com algum mérito, ...  Mas é do fundo do coração que lhe digo: Vale bem mais descer uma montanha pelo seu próprio pé, ainda que sem glória, do que vir aos trambolhões por ela abaixo..."

   Ora a serem verdade as políticas de desorçamentação e de desinformação anunciadas na imprensa, as mesmas são incompatíveis com aquilo que exige a coesão nacional, ou seja que no mínimo todas as entidades responsáveis cumpram o seu dever de reporte atempado  aos órgãos nacionais de todos os compromissos assumidos, e isto sem escamotear dados, pelo que Alberto João Jardim deixou de reunir as condições mínimas indispensáveis para se recandidatar à Chefia do Governo Regional da Madeira. Podem os seus detractores dizer que já não é de agora. Mas pelo menos de agora em diante é com certeza.

   Dr. Alberto João Jardim, por tudo aquilo que fez pela Madeira e pelos madeirenses não vá a jogo nas próximas eleições de Outubro. Indique um nome capaz de o substituir, e creia terá para sempre o reconhecimento da grande maioria do Povo madeirense, pela obra que deixa.

   Se não o fizer acabará, como todos aqueles que se querem eternizar seja no Governo de um País seja no de uma Região,  por ser empurrado, sem contemplações, pela escada abaixo o que  não será, de todo,  justo. É que de Generais insubstituíveis estão os cemitérios cheios. Incluindo os da Madeira.

   Quando em 28 de Abril de 2010 aqui escrevi a Carta Aberta pedindo a demissão do ex-Primeiro Ministro a mesma foi considerada deslocada por muito boa gente.

   Este apelo também não está.

 

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Estado de Alma: Madeirense(apesar de tudo)
Livro: A Ilha dos Encantos
publicado por Lanzas às 16:47

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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

CINTRA, AS FUNDAÇÕES E OS NOSSOS IMPOSTOS

   Confesso que tenho uma aversão quase absoluta às isenções fiscais. Admito que tal se deva a deformação profissional.

   É uma hipótese viável, mas fico sempre com "pele de galinha" e a sensação que estou a pagar impostos para alguém meter parte deles ao bolso, quando oiço falar em grandes projectos de investimento ou de desenvolvimento mas com isenções fiscais previamente negociadas. Estranha senção!

   Claro que compreendo a necessidade do Estado criar, em situações que deveriam ser muito excepcionais, condições para determinado tipo de investimentos, ou para realizações ainda mais excepcionais, e não de acordo com interesses de quem momentâneamente tem a capacidade de decidir.

   Que fique claro: Quando alguma Entidade Privada investe com isenção de impostos, parte desse investimento pertence a todos nós contribuintes líquidos, pelo que deveriam ser claramente quantificados e publicitados os benefícios que a sociedade em geral retira desse mesmo investimento. Era o mínimo a que um estado de direito se devia obrigar.

   O que tem sucedido até à data é que muitos dos benefícios concedidos, em muitos casos quase às escondidas, configuram um favoritismo seja pessoal, político ou de qualquer outra índole, que agora não vem ao caso.

   Se em relação a investimentos reprodutivos tenho essa desconfiança, em relação às Fundações essa mesma desconfiança aumenta exponencialmente sem prejuízo de poder estar a cometer alguma injustiça em relação a alguma destas entidades que desenvolva uma acção pública de relevo.

   Mas o princípio mantém-se. Se não pagam impostos parte dos seus projectos, acções e realizações somos todos nós que pagamos.

   E essa minha desconfiança tem dois tipos de fundamentação. Em primeiro lugar em relação aquelas que são criadas pelos poderes políticos com carácter manifestamente duvidoso de que destaco como emblemática a Fundação para a Prevenção Rodoviária. Em segundo lugar aquelas que são criadas sem que se entenda qual a razão da sua existência. É o caso da Fundação Sousa Cintra, constituída no final de 2010 como "instituição de desenvolvimento e solidariedade social", tendo como área de actuação predominante "a actividade cinegética, as ciências e a economia do mar" a qual foi reconhecida através de um despacho do secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes, com o fundamento de a Fundação Sousa Cintra não ter qualquer apoio ou subsídios de dinheiros públicos, pelo que não existia nenhuma razão para não conferir o seu reconhecimento.

   Ora quando o Governo diz que vai proceder a uma análise exaustiva dos institutos e fundações existentes no País (mais de 800, que custaram aos contribuintes o ano passado cerca de 100 milhões de euros), no âmbito de uma urgente redução do Estado paralelo, seria do mais elementar bom senso que o reconhecimento de novas entidades do género se verificasse apenas e só após essa análise, que se espera breve conforme foi prometido por responsáveis governamentais.

    Acresce a tudo o que foi dito que como vivemos num País onde a capacidade de desenrascanço de cada um de nós é a medida do seu valor, a Fundação Sousa Cintra, incluiu no seu património, segundo a imprensa especializada, uma moradia no Restelo e um prédio urbano em Sagres, cujo valor patrimonial global ascende a cerca de seis milhões de euros, conseguindo com isso uma poupança anual em IMI de cerca de 20.000 euros. Digamos que para inicio de uma actividade de solidariedade social não está nada mal, embora para as duas Câmaras, Lisboa e Vila do Bispo, ambas falidas, não deixe de ter algum impacto, mais evidente obviamente no caso de Vila do Bispo, embora o seu Presidente tenha afirmado, de forma algo comprometida, que a Fundação "sempre terá consequências positivas para o Concelho

   Não sabemos quais serão essas consequências positivas, mas os primeiros 20.000 euros anuais, pelo menos, de apoio social ou de desenvolvimento são de todos os contribuintes e não da Fundação.

   Esperemos que não seja um jeep para oferecer ao Comando dos Bombeiros.

 

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Estado de Alma: Fundido
Livro: Do Espírito das Leis
publicado por Lanzas às 10:07

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Domingo, 11 de Setembro de 2011

11 DE SETEMBRO, DEZ ANOS DEPOIS

    Há dez anos tinha acabado de chegar ao trabalho, vindo directamente do Aeroporto, quando um familiar me alertou via telefone:  - "Estás a ver televisão"?

   - Não, respondi. - "Então vai ver e depois falamos".

   Desci a três os degraus do 2º. andar, sem elevador, até ao café instalado no rés do chão, e fiquei estupefacto com o olhar preso naquilo que via no ecrã. Como era possível? Estaria a civilização que eu conhecia a desmoronar-se como aquelas torres? A minha cabeça tentava processar o que estava a acontecer e procurava conciliar com aquilo que eu vivera nos últimos dez dias em Israel, para onde havia viajado com o desejo de me identificar com a realidade local, o confronto de civilizações e visitar sítios “que me falavam” e que por isso mesmo  gostaria de conhecer.

   Foi uma viagem agradável. Visitei aquilo que um turista normal numa viagem em grupo (pequeno) pode fazer. O facto de entre os companheiros de viagem se encontrarem dois Missionários Combonianos ajudou a compreender algumas realidades.

   Não senti o peso do conflito local e fiz algumas, pequenas, incursões a "território menos seguro" que me ajudaram a obter uma panorâmica mais global.

   Não visitei Jericó, cuja entrada estava vedada a “estrangeiros”, mas consegui ir a Belém depois de negociações entre autoridades fronteiriças, que fizeram com que o autocarro com ar condicionado em que nos deslocávamos e o nosso guia, um brasileiro naturalizado israelita que havia servido no exército de Israel, ficassem na fronteira, enquanto nós tomávamos lugar num autocarro palestiniano a precisar de uma revisão urgente, com um improvisado guia espanhol, que fugiu de mim a sete pés quando lhe quis fazer algumas perguntas sobre o que estava a acontecer por ali.

   Durante a estadia fiquei num Kibutz com as colinas dos Montes Golã por fundo. Banhei-me no Rio Jordão, no Mar Vermelho e no Mar Morto. Estive no deserto e, não escondo que me emocionei quando visitei o avião que no dia 4 de Julho de 1976 participou na operação de resgate de 248 reféns no Aeroporto de  Entebbe no Uganda.

   Visitei os Museu do Holcausto e do Livro.

   Percorri o que foi possível de Jerusalém. Deixei um bilhete no Muro das Lamentações com votos de paz para todas as populações que ali se cruzam, e só não visitei a Mesquita de al-Aksa (a da cúpula dourada), porque na altura estavam interditas as visitas a não muçulmanos.

    Vi o sentido de responsabilidade de um povo mas também a forma descontraída como vive e convive com outras religiões, desejando a paz mas sem medo da guerra.

    Depois de um homem bomba ter sido abatido antes de se conseguir fazer detonar numa paragem de autocarro, vi na televisão o seu pai chorar, não pelo seu filho morto, mas por a este não lhe ter sido permitido cumprir a sua missão.

   Como corolário da viagem ficou-me a imagem de quem “validou” a minha bagagem no Aeroporto de Telavive no regresso a Lisboa. Pediu que abrisse a mala e que verificasse se na mesma se encontrava algo que não fosse meu. Perguntou se tinha feito algumas compras e perante a resposta afirmativa perguntou se tinha assistido ao embrulho das mesmas. Satisfeito com as minhas respostas acrescentou: - "Quer ver novamente se está tudo bem na sua mala? Olhe que não sou eu que vai no avião, é o senhor".

   Recordo agora de na altura, perante o horror do que estava acontecer, reviver todos estes factos perante a constatação que a dita mais forte Nação do Mundo com biliões de dólares investidos em forças de elite de todo o tipo, em armas de defesa e destruição ultra sofisticadas, em aviões visíveis  e invisíveis; em satélites que vigiam permanentemente a terra e o universo  com capacidade de intercepção de dados e informações permanente tivesse permitido que simultaneamente em quatro aviões descolados dentro seu próprio território, um restrito grupo de pessoas ainda que dispostas a morrer pela sua causa, para a grande maioria de nós ocidentais sem qualquer justificação, mostrassem ao mundo que o gigante afinal tinha pés de barro. Como era isso possivel? Ou havia algo mais que o comum dos mortais desconhecia ?

   Dez anos passados, morto Bin Laden, alguns responsáveis e dezenas de milhar de inocentes, gastos largos biliões de dólares pelo caminho, nada se alterou e continuamos a viver na expectativa e no medo de acontecimentos que não dominamos.

   Teria sido possível neste espaço de tempo, aproveitar melhor os erros cometidos? Creio bem que sim.

   Poderiam ter sido evitado tantas mortes injustificadas e aproveitado melhor tanto dinheiro gasto em destruições maciças que não se sabe a quem aproveita, enquanto milhares de pessoas morrem diariamente de fome e sede, por esse mundo fora em condições infro humanas? Claro que sim.

   Ainda vamos a tempo? Espero bem que sim.

 

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Estado de Alma: Frustrado
Livro: Hegemonia ou Sobrevivência
publicado por Lanzas às 10:57

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Sábado, 10 de Setembro de 2011

ALENQUER TERRA DO DIVINO ESPIRITO SANTO

 

   Quando alguém disse que já tinha visto tudo quando viu um porco a andar de bicicleta, achei que esse alguém não devia andar longe da verdade.

   Afinal estava enganado. Em Alenquer, terra situada a 25 minutos de Lisboa, entre a Serra de Montejunto e o Rio Tejo, onde através  dos seus variados acidentes geográficos se determina a paisagem desta velha civilização rural, carregada de tradições, e cuja dispersão do povoamento dos antigos Sítios e Castros, alcandorados nas colinas, através das terras baixas que descem até à Borda de Água, que permitiu que pelo Tejo, conquistada que foi Alenquer à “moirama”, chegassem ao Concelho a riqueza e o progresso, isto é os vinhedos e a industria, e onde arribaram Paços Reais, Conventos e Quintas com pedras de armas; e de onde partiram ancestralidades que sobrevivem ainda hoje nos Açores e no Brasil, através das Festas do Divino Espírito Santo, ainda havia muito para ver.

   Com efeito, desta terra de onde saíram Damião de Góis, Pero de Alenquer e outros ilustres Filhos à descoberta do Mundo. e onde recolheram monges e freiras para rezar, meditar e ajudar as gentes locais, as árvores para vergonha nossa florescem no alcatrão.

    Tantos séculos passados é triste constatar: Alenquer que pobre terra és porque tais gentes agora criaste para te governar. 

 

 

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Estado de Alma: Mal plantado
Livro: A Árvore em Portugal
publicado por Lanzas às 13:47

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