Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

O PRÉMIO NOBEL DA PAZ

   Neste preciso momento (12 horas do dia 10 de Dezembro de 2010) o antigo professor universitário e crítico literário, Liu Xiaobo, de 54 anos, que se encontra preso desde Dezembro de 2008,  condenado a 11 anos de prisão por "actividades subversivas", depois de ter sido um dos autores de um manifesto que reclamava a democratização da China, deveria estar em Oslo a receber o Prémio Nobel da Paz de 2011, que lhe foi atribuído pelo respectivo Comité Nobel, o qual justificou a sua escolha para o Prémio da Paz deste ano pela "sua longa e não violenta luta pelos direitos fundamentais na China".

   As autoridades chineses consideram que Liu Xiaobo é "um criminoso condenado por violar as leis chinesas" e a escolha do Comité Nobel constitui "uma ingerência na soberania judicial da China", impedindo a sua presença ou a da sua mulher, entretanto detida em prisão domiciliária, para receber o Prémio, assim como "ameaçaram"  todos os países que se fizessem representar na cerimónia.

   Esta posição é uma manifesta derrota para a toda poderosa China, que começa a querer impor definitivamente a sua força ao Mundo, e tem dificuldades imensas em lidar com a liberdade de opinião, sendo uma vitória para todos aqueles que acreditam ser possivel vivermos todos juntos apesar das nossas divergências.

   As presenças e ausências de hoje em Oslo são um mero detalhe, mas a ausência de Ramos Horta, Presidente de Timor e anteriormente laureado com um Prémio Nobel da Paz, é significativa por aquilo que representa.

   É o calar de uma voz importante perante a força de uma ditadura, esquecendo que foram milhões aqueles que ergueram a voz, perante outra ditadura, quando estava em causa a sua (dele Ramos Horta e do Povo timorense). liberdade e os seus direitos de cidadania.

   Em Portugal costumamos dizer que o Povo tem a memória curta.

   Pelos vistos em Timor também.

 

Post: 173

Estado de Alma: Laureado
Livro: Tudo o Que Eu Tenho Trago Comigo
publicado por Lanzas às 12:00

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1 comentário:
De Dylan a 19 de Dezembro de 2010 às 22:16
A China é de facto um grande país, com uma economia de peso, mas o seu regime político transforma a nação num pequeno tigre de papel que não convive bem com a democracia. Com a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo isso ainda foi mais evidente: a censura rançosa do moderno social-comunismo nos meios audiovisuais, na internet e a tentativa de intimidar os países que marcassem a sua presença em Oslo. O cúmulo do despeito aconteceu com a criação apressada do Prémio Confúcio da Paz que acabou por ser um contra-senso pois a doutrina filosófica do confucionismo baseia-se na consciência política e no respeito pelos valores morais e sociais. Nem a compra de parte da dívida pública portuguesa pela China poderá jamais branquear o desterro do Dalai Lama, o massacre de Tiananmen e as constantes violações dos direitos humanos de personagens como Liu Xiaobo.

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