Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

OS RESTOS E AS SOBRAS

   Temos observado com tristeza o desenrolar de comentários e de críticas que têm sido tecidas acerca da iniciativa dos restaurantes de oferecerem comida a quem tem fome, os quais tendem a reduzir a iniciativa às expressões simplistas de "restos" ou "sobras", atribuídas de acordo com o ponto de vista de quem se prenuncia.

   Várias têm sido as personalidades que  de uma forma ou de outra, se têm igualmente aproveitado da iniciativa para atirarem umas "pedritas" para o telhado do vizinho, esquecendo-se normalmente, que o seu também é de vidro. Desde os candidatos à Presidência da Republica Cavaco Silva e Manuel Alegre ao irrepetível José Sócrates, ninguém resiste a uma "sobrazita" ou a um "restinho".

   Também alguns colunistas e opinion makers como Pedro Adão e Silva e Daniel Oliveira, meteram a colher na panela. Outras opiniões têm sido veiculadas moldando as virtudes ou defeitos da iniciativa à sua própria visão da situação politica e social que o País actualmente atravessa.

   Tudo bem, tudo legítimo.

   É conhecido o princípio "confunciano", de que se deve ensinar a pescar em vez de dar um peixe, e é fácil aceitar que "não é por combatermos a fome que combatemos a pobreza";  mas enquanto cabe aos políticos resolver o sério problema da pobreza em Portugal, o que definitivamente não o têm feito, apesar da propaganda oficial tipo SNI com que nos bombardeiam diariamente, as iniciativas de minimizar os efeitos devastadores da fome na população que alastra de forma inexorável neste País têm cabido à sociedade civil. E têm aparecido, multiplicando-se um pouco por todo o lado.

   É que aquilo que para os que se entretêm a teorizar, de barriga cheia, se são "restos" ou "sobras", para os que foram apanhados pelo tsunami da crise económica, a qual terá porventura ampliado a grave crise social em que o País já se encontrava mergulhado, e que de barriga vazia não têm o que dar de comer aos filhos é, muitas das vezes, uma questão de sobrevivência.

   Mais importante que a teoria e as críticas, é acudir no imediato a quem tem fome. E esperar que cada um faça a sua parte.

   Se os responsáveis pela actual situação souberem fazer algo mais do que fizeram até agora, pode ser que ainda haja tempo.

   Pelos seus actos serão julgados. Disso não haja a menor dúvida.

 

Post: 184

  

Estado de Alma: Faminto
Livro: A Sombra da Morte
publicado por Lanzas às 09:30

link do post | comentar | favorito

EM DESACORDO

Janeiro 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

posts recentes

JE SUIS CHARLIE

QUANDO NÃO ERA FIXE FALAR...

Marcelo, Santana e o Cand...

Marcelo, Passos e o Candi...

DIREITOS DOS ANIMAIS ...

O ORÇAMENTO DO NOSSO DESC...

CLARA FERREIRA ALVES

CHOVE EM LISBOA

A FISCALIZAÇÃO SUCESSIVA ...

SUPONHAMOS

arquivos

Janeiro 2015

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Procurar no blog

 

links

blogs SAPO

subscrever feeds

blogs SAPO

tags

todas as tags