Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

AINDA SOU DO TEMPO ...

   Não há muito tempo uma cadeia de hipermercados lançou uma campanha publicitária em que o tema base era: "Ainda sou do tempo em que ..."

   Pela minha parte ainda sou do tempo em que se ia ao Futebol de farnel, porque para ver um desafio importante  convinha ir com tempo para se poder arranjar "aquele lugar marcado" bem no enfiamento da linha divisória do terreno de jogo, devidamente equidistante das duas balizas para não se perder pitada dos golos da nossa equipa.

   Arrozinho de tomate no tacho de alumínio, devidamente enrolado em jornais para se manter quentinho acompanhado de uns pastelinhos de bacalhau, ou em dia de "cabeço de água", um "orelhudo", com um tintinho para ajudar, era o menu possível. Por vezes "catavam-se" uns "trocados", e lá ia um "fruta ò chocolate" a servir de sobremesa. E se sobrava tempo uma "suecada" ajudava a fazê-lo passar até à entrada dos nossos ídolos em campo.

   As famílias conheciam-se, trocavam cumprimentos e os habituées trocavam palpites. De muito em muito longe  lá ecoava um grito de guerra com o dedo apontado ao incauto adepto: "é lagarto...é lagarto", porque os seus comentários eram entendidos  como não defendendo devidamente as cores do "nosso" clube.

   Uns tabefes de parte a parte e o assunto arrumava-se por ali com meia dúzia de polícias mais entretidos a ver o jogo do que a olhar para o "maralhal".

   Não se sabia o que eram claques organizadas, tochas, petardos, very-lights, cântigos, coreografias e outras terminologias que de todo não deviam fazer parte deste desporto.

   Era uma festa ir ao futebol.

   Hoje por hoje é quase um suicídio.

   O Futebol transformou-se numa industria e a maioria da assistência em exércitos organizados e comandados com objectivos pouco claros.

   Murmura-se muita coisa. Que o futebol encobre outros negócios. Que interessa a alguns poderes instalados nos clubes. Disso não sei.

   Que é uma vergonha não tenho dúvidas, e os acontecimentos de ontem em Alvalade são apenas um exemplo.

 

Post 242  

Estado de Alma: Espectador
Livro: A Arte da Guerra
publicado por Lanzas às 18:45

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