Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

OS MAUS NÚMEROS DA EXECUÇÃO ORÇAMENTAL

   Quando tecemos algumas considerações acerca da execução orçamental de Janeiro, esperada pelo Governo com se D.Sebastião se tratasse, e  na altura tidos como positivos, fizemo-lo sobre reserva, e escrevemos: "Ora os números tal como a inflação não mentem, e se os das execução orçamental de Janeiro não estiverem "martelados", são bons embora esperados atendendo aos aumentos de impostos e diminuição de ordenados..."

   Cautela e caldos de galinha, tratando-se de José Sócrates, são sempre absolutamente necessários. Com efeito a forma como os resultados foram sendo apresentados aconselhavam alguma prudência. Primeiro em grandes parangonas no Jornal O Expresso, que começa a notabilizar-se como o jornal do regime, fazendo-nos recordar outras épocas e outros jornais, abrindo caminho para que o Primeiro ministro, na sua acção de campanha eleitoral de sábado, voltasse ao assunto dizendo que os números eram realmente bons, tendo voltado ao  assunto na segunda feira atacando à esquerda e à direita, afirmando que "não entendia aqueles que não tinham ficado satisfeitos com os bons resultados da execução orçamental de Janeiro".

   Publicados os números no meio do alarido que um jogo Sporting vs Benfica sempre provoca, também a fazer-nos lembrar outras épocas e outros Presidentes de Conselho de Ministros que aproveitavam o "futebol e Fátima" quando se propunham aumentar 10 centavos a gasolina, temos de alterar a nossa posição: É que não são só os números da inflação e os do desemprego que são maus. Os da execução orçamental de Janeiro também o são.

   Deixemos apenas três ou quatro números para exemplificar: O défice caiu 400 milhões de Euros. Ok.  Cerca de 250 milhões de euros referem-se à tributação da distribuição antecipada de dividendos em 2010 de apenas 4 empresas, entendendo-se assim porque deixou o governo que tal fosse possível e perdendo com isso o Estado pelo menos outro tanto. O Aumento das taxas do IVA proporcionaram um acréscimo de 60 milhões de euros, e o Imposto sobre veículos, empurrado pelas compras de automóveis em Dezembro, antes dos aumentos de imposto, cresceu mais de 30 milhões de euros. O resto foram as descidas nos salários, retirada de apoios sociais, diminuição da comparticipação do Estado nos medicamentos, e mais uma medidas de "atarracho" ao estado dito social de José Sócrates.

   Portanto dir-se-à que com este números os "mercados" são estúpidos ao continuarem a penalizar a nossa dívida com taxas superiores a 7,5% ao ano para empréstimos a 5 e 10 anos. Não será assim?

   Não, não é, porque José Sócrates no seu melhor estilo,  infelizmente também acompanhado de um técnico sério e competente como Teixeira dos Santos, "esqueceram-se" de dizer que a Despesa Primária que deveria ter descido 3,7% subiu 0,4%. Que a despesa corrente subiu 0,7%. Que as despesas com pessoal subiram 4,9% e que os Juros da Dívida Publica subiram 23%.

   E isto são maus (péssimos?) números e não os anunciar, antes procurar dissimulá-los, é uma mistificação que não engana quem vê os números com olhos de ver, sobretudo aqueles que vêm o seu dinheiro a começar a arder.

   Não é por acaso que a REFER não consegue colocar dívida, mesmo com o aval do estado, para pagar dívida vincenda. A seguir, mesmo já a seguir, infelizmente vai ser o próprio Estado que lhe vai seguir as pisadas.

   Senhor Primeiro ministro, olhe para um  bom exemplo que vem do futebol e para a atitude digna do ex-treinador da Académica de Coimbra quando anunciou a sua demissão: «Nunca seria um problema para a Académica, deixo de ser o treinador porque sinto que sou um problema. Isto tem de levar um abanão, há necessidade de fazer algo que eu não consegui.»
   Portugal também precisa de um abanão, Por favor demita-se senhor Primeiro ministro.

 

Post 244

Estado de Alma: Intrujado
Livro: Não Me Conte o Fim
publicado por Lanzas às 15:20

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