Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

O PAÍS DO FAZ-DE-CONTA

   Vivemos num País do faz de conta em todos os domínios, mas por hoje vamos cingir-nos à politica. O Bloco de Esquerda apresentou recentemente uma moção de censura que era suposto ter por objectivo derrubar o Governo, mas afinal era um pretexto para ajudar o Governo a respirar durante mais algum tempo dando-lhe  oportunidade para atacar os Partidos que não se pronunciaram no minuto seguinte à apresentação da moção dizendo que eram contra esta e que portanto com essa atitude estavam a causar instabilidade política, origem de todos os males que nos afligem, e para os quais obviamente o Governo não contribuiu.

   O PCP, anda há semanas a gritar: “agarrem-nos senão apresentamos uma moção de censura “, mas soube-se agora pela voz do seu secretário geral que afinal a moção não é contra o Governo, é contra a Direita, logo  o PSD e o CDS estão “proibidos de votar a favor da mesma”. Poetas.

   O PSD às segundas, quartas e sextas afirma solenemente que se o Governo não tiver condições para governar tem soluções para a crise. Às terças, quintas e sábados está com o Governo para “salvar” o País da bancarrota. Aos Domingos escuta Marcelo Rebelo de Sousa para reorientar a sua navegação à vista. 

   O CDS, faz-nos lembrar aquele ancião que na hora da morte enquanto passava em revista o que tinha sido a sua vida ia murmurando que o seu Deus era bom mas acrescentava entre dentes, pelo sim pelo não, que o Diabo também não era mau, e assim poder morrer mais descansado. No caso do CDS uma aliança com o PSD era bom, mas se tiver que ser com o PS também não era mau.

   Sobra José Sócrates, porque o PS não existe dado que morreu ressequido no deserto de ideias do seu Secretário-Geral, o qual governa (?) um País que só ele sabe onde fica  e  onde segundo diz se  vive melhor que nunca, pois as novas  tecnologias e  as energias renovaveis, onde somos lideres, são o garante do futuro.  O País onde as exportações são a tábua de salvação de tudo o resto e o desemprego, graças aos seus (dele) esforços para criar postos de trabalho (pelo menos 150.000), tem vindo a aumentar menos do  que  seria de esperar face às crises internacionais, porque ele no seu País, que ninguém mais conhece, ou talvez o Ministro Silva Pereira também conheça, nunca foi o pai de nenhuma  crise e ainda está à espera que nasça algum Primeiro Ministro que faça melhor do que ele em matéria de défice. O País que não precisa de apoio de ninguém porque suporta perfeitamente taxas de juro da sua dívida soberana a 7% e 7,5% o ano. O País onde apesar de estar endividado até às orelhas e em plena crise económica e financeira, o Governo adjudicou e assinou o contrato de construção, de um troço do TGV entre o Poceirão, futura Capital do País de José Sócrates, e o Caia, para assim poderem ficar garantidos os lucros do consórcio vencedor, mesmo que a obra não se realize. Um País que embandeira em arco porque a execução orçamental  do mês de Janeiro foi boa, mas onde depois de analisadas as  contas se verifica que as despesas do Estado aumentaram, quando deveriam ter diminuído 3,7%. O País onde se pagava 19% de IVA quando José Sócrates chegou a Primeiro-ministro, e que já vai nos 23%, e onde hoje o seu Ministro da Finanças deu o mote do que em breve vai acontecer: "Temos que reafirmar de forma clara o compromisso de que tudo faremos para cumprir os objectivos orçamentais e que dispomos de medidas adicionais, se necessárias, para garantir esse cumprimento".

    Leia-se AUMENTAR IMPOSTOS. O País onde a gasolina atingiu hoje o seu preço mais alto de sempre, apesar do preço petróleo, ainda que alto, não estar nem de perto no seu valor mais elevado de sempre. São os impostos e a liberalização dos preços para conforto de alguns. O País onde hoje o Primeiro-ministro José Sócrates afirma que a Europa de cuja média nos afastamos paulatinamente todos os anos "já cometeu erros de mais" e "que a resposta à actual crise de dívida soberana tem de ser europeia porque o problema é do euro". Perdoai-lhe Senhor.

  Claro que isto se passa num País do faz de conta, e qualquer semelhança de nomes, pessoas e locais é pura coincidência. Digo eu.

   No País real o Primeiro-ministro vai na próxima quarta-feira receber instruções de quem manda, que é quem paga, ou seja Ângela Merkel, para poder continuar a boiar com a corda ao pescoço durante mais algum tempo, até que esta perca mais alguma eleição, ou os “mercados” entidade mítica que nos governa se chateie de vez e resolva fazer aquilo que competia aos portugueses fazer.

 

Post 248

Estado de Alma: A Fazer de conta
Livro: Os Bichos Faz-de-Conta
publicado por Lanzas às 15:45

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