Sábado, 26 de Março de 2011

O ADEUS DE CARLOS QUEIROZ

   Pertencíamos ao grupo dos que acreditavam, sinceramente, que Carlos Queiroz daria um óptimo Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, pois sendo um conhecedor profundo dos meandros do futebol e sendo considerado pelos Órgãos Internacionais que dirigem esta indústria, como um expert metódico e organizado, reunia as indispensáveis condições para dirigir globalmente o futebol nacional. E se à semelhança do que sucede com outros Presidentes de Empresas Públicas, tivesse um significativo ordenado acompanhado de bons prémios por objectivos, estávamos convictos sem ponta de ironia, que seria sempre dinheiro bem empregue.

   E com muito mais razoabilidade do que o prémio de cerca de 800.000,00 € que teriam de lhe pagar se por acaso tivéssemos ganho o último campeonato mundial de futebol, onde acabamos eliminados nos oitavos de final, o mínimo dos mínimos aceitáveis, sendo que a história da nossa participação nesse Campeonato do Mundo de Futebol, pode sempre ser contada através dos erros de casting. Em primeiro lugar dos quais a escolha de Carlos Queiroz.

    Porém, em nossa opinião, não reuniu nunca as condições para ser Seleccionador Nacional. A nível de seniores nunca ganhou nada como Técnico Principal, e por onde passou, a esse nível: Sporting, Real Madrid, Selecção África do Sul, etc., deixou sempre uma marca de fricções e insucessos, incluindo a sua primeira passagem como Seleccionador Nacional.

   Dito isto, que já havia sido escrito em 11 de Junho último, no presente do indicativo, fomos dos que acreditamos na sua inocência quanto ao tão propalado caso do doping e consideramos absolutamente desajustados os tratos de polé a que foi sujeito pelos poderes instituídos, seja político, O Governo, seja patronal, a Federação.

   Se não o queriam como trabalhador era simples. Pagavam e mandavam embora. Ponto.

   Carlos Queiroz se tinha razão, como agora se provou, fez bem em ir para os tribunais defender a sua honra. Também é para isso que existem. Para que possam existir homens livres, livres de arbítrios.

    E agora, feita justiça, era a vez de a história acabar aqui, pela sua parte. Receber o que tem direito e partir. Deixar para trás uma aventura que foi uma desventura para todos.

   Mas não, Carlos Queiroz qual D. Quixote puxou da lança (neste caso a palavra) e partiu em desenfreado combate a moinhos de vento. Tudo o que mexe é adversário. Quem quer que fale é inimigo.

   Revelou depois de ter razão que tinham razão os que achavam que não tinha condições para ser Seleccionador Nacional de Futebol, demonstrou que não tinham razão aqueles, como eu, que acreditavam poder ser um bom Presidente da Federação de Futebol. Por uma razão muito simples:

   A justiça não se faz com revanches. Faz-se com homens de grandeza moral. Que saibam perdoar.

   Como desportista devia saber que é mais difícil saber ganhar do que saber perder.

   É que os golos por vezes embriagam.

 

Post 279

Estado de Alma: A acenar
Livro: Compêndio para Uso dos Pássaros
publicado por Lanzas às 19:10

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1 comentário:
De Dylan a 2 de Abril de 2011 às 00:47
Carlos Queiroz continua a vencer os sonsos que o quiseram afastar da Selecção Nacional com pretensos processos disciplinares e castigos. Porque não está em causa as opções técnicas do treinador mas a forma como o despacharam do cargo: primeiro, com a rábula de ter perturbado um acção da Autoridade Antidopagem, depois, a culpa já era de uma entrevista onde Queiroz criticava o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol apontando "o polvo". Eu sei que o Governo a que pertence Laurentino Dias caiu, que Gilberto Madail não foi reeleito para o Comité Executivo da UEFA, que a adequação dos estatutos da F.P.F. ao novo Regime Jurídico das Federações já leva 2 anos para ser aprovado, que se instrumentaliza um jogador naturalizado e que mal sabe cantar o hino nacional para atacar quem ergueu bem alto o nome do futebol português, mas por favor, vão preparando a choruda indemnização.


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