Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

E DEPOIS DO ADEUS

   E depois do adeus  a uma ditadura de 40 anos que conseguiu manter o País com a cabeça fora de água, mas não soube encontrar a motivação necessária para evoluir, para se reformar progressivamente, dando espaço e voz a novas correntes de opinião que iam surgindo,  fechando-se sobre si própria e considerando  inimigos públicos todos os que não partilhavam a opinião oficial chegamos, 37 anos depois, a uma situação em que a diferença substancial, mas importante, é que agora podemos falar, podemos divergir, e se quisermos até pudemos mudar. Democraticamente.

   Quanto ao resto a situação não é muito diferente. Vive-se hoje globalmente melhor do que em 1974. Temos mais, não quer dizer melhor, educação; temos, apesar de tudo, mais e melhores serviços de saude, mais e melhores estradas, mas à custa de quê?

   De um endividamento estúpido, que consumirá a energia e os meios de gerações futuras.

   Deixamos de produzir (e pescar) aquilo que contribuía para a nossa subsistência em troca daquilo que nos conduziu à ruína. O Betão, construído sem uma visão estratégica de desenvolvimento, apenas e só para ajudar a ganhar eleições.

   E tal como então a obstinação de um homem só faz frente a uma sociedade que não é capaz de dizer em voz alta aquilo que sussurra, e que ainda não tem a coragem de dizer o que todos já vêm: Que o "Rei" vai nu. Mas tal como então já são muitas as vozes sensatas que sugerem que é melhor o entendimento alargado ao poder estreito de quem quer governar sozinho, simplesmente porque não tem condições psicológicas nem cultura democrática, para estabelecer pontes e governar em convergência.

   Ganhar é sempre mais difícil que perder. Perdendo a personagem vitimiza-se. Aponta o dedo acusador a meia dúzia de inimigos reais ou imaginários. Faz  um discurso de despedida e vai-se embora.

   Ganhando fica. Todos os dias. E aí vêem à tona todas as cumplicidades, todas as fraquezas e limitações. É (devia ser) preciso saber respeitar então quem perdeu, e saber ouvir as suas propostas. É (devia ser) preciso que quem ganha se recordasse todos os dias que mais de 50% dos eleitores não tem a sua opinião. E que os outros, sobretudo aqueles que financiam os nossos disparates, não são parvos.

   Podem ser exploradores e oportunistas; podem ser tudo aquilo que quisermos, mas fomos nós que nos pusemos a jeito para ser explorados.

   A pergunta que se coloca hoje é: Mereceu a pena o 25 de Abril ?

   A resposta é inequívoca: Claro que sim. Existem povos que por esse facto se libertaram e seguem, livres, o seu caminho. Ninguém está preso por manifestar a sua discordância em relação aos poderes instalados. Uma preciosidade que quem não viveu em Ditadura não está em condições de apreciar.

   Até por não ter sido feita ao longo destes 37 anos de Democracia uma verdadeira pedagogia sobre o que foi a Ditadura,  aqui fica um aviso de quem sentiu por perto o "bafo" de uma Entidade sinistra que quando existe é a vergonha de um País e em Portugal não tinha rosto, mas tinha nome, A PIDE: É sempre preferível uma má Democracia a uma "óptima" Ditadura.

  Também por isso mesmo os portugueses têm de se saber unir nesta fase difícil das suas vidas, e interiorizar que apesar de não ser boa esta Democracia em que vivemos, tem uma grande vantagem: Pode ser vivida em LIBERDADE.

 

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Estado de Alma: A fazer um brinde
Livro: Portugal Depois de Abril
publicado por Lanzas às 13:40

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