Domingo, 1 de Maio de 2011

AS ELEIÇÕES DE 5 DE JUNHO

   Temos a opinião, contrária ao que temos visto expresso por outros analistas, que as próximas eleições para a Assembleia da Republica a disputar no próximo dia 5 de Junho não  têm um carácter decisivo para Portugal. Nem sequer importante.

   A cartilha que vai ser executada em todos os domínios da governação do País por imposição dos novos poderes instalados em Portugal, FMI/UE/BCE, tornam irrelevante saber quem vai ser o próximo Primeiro ministro, sendo fácil acreditar  que  quem exercer o cargo nesse período vai ter uma nódoa no seu curriculum, e não um facto relevante de que se possa vir a orgulhar. 

   Por outro lado o cenário de empate técnico que se está a desenhar nas sondagens que têm sido publicadas e que parece realmente ser o resultado mais provável, mostra quanto para os portugueses é indiferente saber quem sairá vencedor, pois que inevitavelmente este vai ter que encontrar soluções de compromisso com alguns dos restantes partidos, por forma a poder cumprir as directrizes da Troika, e só nessa área dos acordos entre partidos pode surgir alguma surpresa de última hora, e isto porque para os dois principais partidos, PS e PSD,  as consequências de uma vitória ou derrota eleitoral não terão  exactamente o mesmo impacto.

   Se o PS for derrotado as consequências globais para este partido não serão significativas. Poderá mais tarde ou mais cedo haver a natural renovação de Secretário Geral, sendo porventura substituído por um político menos agressivo e com uma maior capacidade de abrangência no espectro politico nacional, o que tem sido uma das manifestas falhas do partido, pese as últimas tentativas de minimização de Sócrates com o discurso pouco credível de "há muito tempo que ando a falar em convergência, mas ninguém me ouve", e pouco mais.

   Já no PSD, na nossa óptica, uma derrota será devastadora. Com efeito o partido e o seu Presidente Pedro Passos Coelho, partiram para estas eleições de uma posição absolutamente invejável com a previsão de uma vitória folgada, e mesmo de provavel maioria absoluta, mas têm vindo  paulatinamente a desbaratar essa enorme vantagem.

   Começou a desenhar-se essa perda de vantagem com o afastamento voluntário, ou imposto, de pessoas que tendo sido referenciais do partido em determinados momentos, poderiam agora acrescentar credibilidade à renovação necessária. E este facto fez passar para a opinião pública a impressão, eventualmente incorrecta, que o partido não estava pronto para governar, pois as fragilidades de Pedro Passos Coelho, pese as sua qualidades, não estão devidamente enquadradas pela experiência e competência de antigos lideres ou outros altos responsáveis partidários, que ajudariam a mesclar a renovação e a torná-la credível.

   Por outro lado algumas escolhas de candidatos, estamos a referir-nos concretamente a Fernando Nobre, foram apresentadas de forma absolutamente destrambelhada, que colaram ao candidato e ao partido a chancela de oportunismo político, e que as posteriores declarações deste não ajudaram a dissipar, bem pelo contrário. Aquela de afirmar, "com franqueza", que nem sequer lera o programa eleitoral do partido é de cabo de esquadra.

   E a afirmação de Marques Mendes a este respeito "È fraude, é uma burla", foi mortífera.

   E por falar em declarações, as proferidas por Passos Coelho de que "Sócrates se limitou a informá-lo do PEC4 na véspera e por telefone", para três semanas depois revelar que afinal "o telefonema servira para marcar o encontro durante o qual tomou conhecimento do mesmo", arruinou de vez a sua credibilidade política, tornando-o com isso um político igual aos outros, leia-se Sócrates, objectivo que este há muito perseguia para descrebilizar Passos Coelho, e que serve agora de pretexto para ataques durante a campanha eleitoral. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

   A verificar-se pois uma derrota do PSD, sobretudo se esta for de alguma forma significativa, os  militantes e partidários não deixarão de apresentar a factura de tal facto ao partido com consequências imprevisíveis, pois vai por certo assistir-se à "refundação" de um novo PSD. 

   De notar que Pedro Santana Lopes continua a andar por aí, de braço dado com Durão Barroso, e pode conseguir, ele ou outro, criar um partido com sucesso, onde caibam várias correntes, num confronto de ideias permanente, mas que na hora de disputar eleições se saiba unir em torno de um Chefe e de uma identidade própria, que não tenha complexos nem dúvidas em apontar aos portugueses, sempre sem mentiras, os caminhos a percorrer, por mais difíceis que estes sejam.

   Então o quadro partidário do País pode vir a sofrer significativas alterações.

   Temos de esperar para ver. 

 

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Estado de Alma: A Votar
Livro: O Sucesso Não Acontece por Acaso
publicado por Lanzas às 16:50

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