Terça-feira, 5 de Julho de 2011

CRÓNICA DE UMA DEMISSÃO ANUNCIADA

   Pedro Passos Coelho cometeu um erro de casting ao ter escolhido Fernando Nobre para candidato a Deputado pelo PSD, mas cometeu um erro ainda maior ao fazer acompanhar esse convite de um outro que não se justificava de todo, o de apoiar a sua candidatura a Presidente da Assembleia da Republica. Era um convite demasiado arriscado, que só se poderia concretizar com uma sólida maioria parlamentar deste partido, uma vez que, sabe-se hoje, foi por falta de apoio dentro do próprio PSD que Fernando Nobre não foi eleito, dado que, apesar de tudo, conseguiu recolher alguns votos no seio dos restantes partidos.

   Não se sabe e provavelmente nunca se saberá qual a vantagem que este convite trouxe ao PSD, em termos eleitorais, mas sabe-se quais as desvantagens em termos de desgaste junto dos eleitores e da opinião pública, antes e depois das eleições. Foram muitas.

   Fernando Nobre cumpriu o que tinha prometido, de coração aberto, quando "avisou" um dia depois do convite que só aceitaria ficar na Assembleia da Republica, caso fosse eleito Presidente. Em termos de democracia estávamos conversados. Se fosse para o "penacho", e para fazer o estágio para uma futura candidatura à Presidência da Republica tínhamos Homem, caso contrário adeus "malta" que tenho mais que fazer.

   E nem as suas desculpas "esfarrapadas" dos dias seguintes, nem as "correcções" políticas efectuadas pelos estrategas do PSD e inclusive pelo seu Presidente surtiram qualquer efeito convincente.

   Porque se não fosse essa a condição e a razão da aceitação do convite que lhe fizeram, Fernando Nobre, teria (deveria ter) renunciado ir a votos, poupando-se, e poupando Pedro Passos Coelho, a um espectáculo deprimente, que foi o da votação parlamentar na qual foi sucessivamente derrotado,  no qual se revelou bem o estado de espírito de dois homens que embora sentados lado a lado no hemiciclo tinham duas posturas completamente opostas.

   Por um lado Pedro Passos Coelho obrigando-se a levar até às ultimas consequências o cumprimento da palavra dada, qual Egas Moniz que se apresenta ao Parlamento de baraço ao pescoço, isto é embaraçado, esperando que aquele pesadelo terminasse. Do outro Fernando Nobre esticando a corda até ao limite procurando conseguir aquilo que estava á vista de todos era intangível.

   As imagens que foram transmitidas pelas televisões, depois das votações, de um Fernando Nobre sozinho, acabrunhado, a abandonar as instalações da Assembleia da Republica eram a visão do adeus de um homem politicamente derrotado.

   Agora e no futuro.

   Fica um passado cheio de solidariedade para com o próximo, e o futuro que Deus quiser, mas fora da política.

   Como em tudo na vida, quando se joga ganha-se e perde-se.

   Mas neste caso concreto Fernando Nobre não devia ter ido a jogo.

 

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Estado de Alma: Abandonado
Livro: Cruel Abandono
publicado por Lanzas às 15:47

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