Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

PORTUGAL DE EXCELÊNCIA

   Vivemos hoje em Portugal uma crise económica e financeira cuja gravidade poucas vezes foi atingida em mais de oito séculos de história, mas vivemos igualmente uma crise de valores éticos, morais e profissionais.

   Claro que com o tempo se há-de fazer o levantamento das  causas que estiveram na sua origem, bem como  o julgamento político dos homens que conduziram  o País à actual situação.

   A história recordará com pesar os seus feitos.

  Porém agora “enterrados os mortos há que cuidar dos vivos”, para enfrentarmos uma situação que provavelmente ninguém saberá como vai terminar, e para a qual cada um de nós advogará, um modelo de governação  e a adopção de medidas diferentes, que  por certo nos conduziria a porto seguro.

   Mas uma coisa é certa, só um País de excelência sobreviverá. Um País que se reveja em pessoas, empresas e instituições que em Portugal  e no estrangeiro poem à prova com sucesso as suas competências. Poderiam apresentar-se centenas de exemplos.

   Desde os êxitos da industria do calçado em geral, e da industria dos moldes da Marinha Grande ao sucesso de empresas no domínio das tecnologias de informação e da electrónica transparente. Desde  a cooperação e qualidade profissional demonstrada por centenas de operários da Auto Europa, à qualidade do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Leiria-Pombal, incluindo o sucesso de inúmeras empresas que souberam descobrir e impor-se em clusters importantes como a logistica, os transportes, os medicamentos e tantos outros.

   São referências meramente ao acaso de, felizmente, um universo imenso.

   Um País constrói-se ou revitaliza-se com trabalhadores empenhados, capazes de se superar mesmo que se considerem pontualmente prejudicados. Com investidores persistentes capazes de colocar os interesses globais a par dos seus interesses particulares. Com governantes capazes, sem tiques nem complexos, e com visão de futuro.

  Um País aguenta-se com desistentes, recalcitrantes, protestantes e Velhos do Restelo, mas se forem poucos.

  Um País afunda-se quando um obscuro Ministro das Obras Publicas, que embora com a cobertura de um  Primeiro ministro, ainda mais obscuro, autoriza o inicio de obras sem visto do Tribunal de Contas, que poderão conduzir a indemnizações de centenas de milhões de Euros. Afunda-se quando alguém sofre um AVC e só chega ao hospital duas horas depois, porque no local onde deveria aterrar o helicóptero que o ia recolher para conduzir aos hospital não havia luz e ninguém sabia onde estavam as chaves do quadro de ligação.

   Afunda-se quando se perdem milhões de euros e se desperdiça metade do sangue que os dadores oferecem voluntariamente, porque um concurso publico  para a aquisição de uma unidade de processamento do plasma está bloqueado há 10 anos. Não é gralha, não são meses, são realmente anos. 10!  10 Anos.

     Um País já está a afundar-se quando o Presidente da Câmara de Grandola, o  autarca socialista Carlos Beato, nomeia o seu  filho para o cargo de adjunto do seu gabinete de apoio pessoal, decisão que qualificou como "consciente e responsável", por se prender com a necessidade de "encontrar alguém com o perfil profissional e pessoal que garanta a qualidade, a eficácia e a confiança que o desempenho destes cargos exige", e tendo também em conta "a dinâmica de desenvolvimento" que o concelho tem sentido, "as novas exigências ao nível das responsabilidades e atribuições dos municípios" e "as medidas de gestão cada vez mais rigorosas que têm de ser tomadas no âmbito da crise que o país e a região atravessam". 

   Um País já está a afundar-se quando o Presidente de Câmara de Loures nomeia a mulher, a filha, dois cunhados e nora para lugares de Chefia  dessa mesma Câmara, sem que ninguém se lhe oponha, admitindo que “embora possa parecer mal” nada lhe pesa na consciência. Claro que não pesa. Para pesar era preciso tê-la.

   Torna-se pois imperioso a criação de um Ministério da Excelência que nos leve a todos, mas mesmo todos,  a interiorizar e adoptar uma mentalidade de Excelência. Do mais humilde trabalhador de todos nós, ao Dirigente de topo.

   Desde o varredor que empurra de forma dolente o carrinho do lixo, cigarro na boca, olhos perdidos no horizonte, mas de tal forma perdidos que não vê o lixo nas ruas por onde vai passando, o qual fica no mesmo sítio, até à senhora que no guichet do Centro de Saúde atende aos berros, e com maus modos, os indefesos utentes, que lhe pedem uma ajuda ou uma informação, porque os que não são indefesos ela não trata do mesmo modo; e até ao Chefe da Repartição de Finanças que pressionado pelo rating das penhoras e cobranças coercivas, estabelecido pelas suas Chefias, adopta o princípio do “primeiro cobra-se o que se puder e quem não estiver de acordo que vá para tribunal”, passando  como cão por vinha vindimada, por cima dos direitos dos pequenos contribuintes, ainda que devedores, relapsos, ou faltosos, mas não procede de igual forma com os mais poderosos que se apresentam na Repartição de Advogado a tiracolo.

    Precisamos de ter a capacidade para dar a volta a este estado de coisas, e só  então será possível admitir que pagaremos ao longo do tempo a nossa dívida soberana.

   Se não formos capazes voltaremos às origens. À emigração em massa, à fome e à miséria.

   Depende de todos nós, hoje, o futuro livre dos nossos filhos, porque o nosso estará para sempre empenhado.

 

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Estado de Alma: Português
Livro: A Colmeia
publicado por Lanzas às 10:57

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