Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011

ESTOU DE ACORDO ... MAS NO QUINTAL DO VIZINHO

   Conhecemos um antigo Presidente de Câmara, velho Dinossauro do Poder Autárquico, cuja primeira preocupação quando analisava a viabilidade de uma proposta de loteamento urbano era verificar, nas plantas de síntese do mesmo, se os locais destinados aos caixotes para recolha do lixo doméstico, estavam  devidamente implantados.

   Dizia o Senhor que todos os moradores reclamavam a existência de caixotes para a  dita recolha de lixo, e em profusão, mas ninguém os queria nos muros das suas moradias. Daí a sua exigência de que ficassem previamente identificados os locais de colocação dos mesmos, o que com a aprovação do loteamento se tornavam irreversíveis, não dando assim lugar a quaisquer futuras disputas quanto à sua localização.

   Algo parecido, aliás, com o que se verificou quando da aprovação dos locais para a queima dos resíduos industriais perigosos nas cimenteiras. Todos, ou quase, estávamos conscientes de que era necessária a sua implementação, mas desde que não fosse na localidade onde habitávamos.

   Vieram-me estas recordações à memória, a propósito da entrevista de Salvador Guedes, vice-presidente da Sogrape, SGPS ao jornal Expresso da semana passada, quando afirmava que "agravar o IVA no vinho seria dramático" na senda aliás da entrevista de José Manuel Esteves, secretário-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que  considera que acabar com a taxa intermédia do IVA na restauração, não só é “uma barbárie absolutamente impensável”, como teria consequências negativas para a economia e ameaça, caso tal aconteça, apoiar o consumo de produtos importados pelas empresas portuguesas.

   Cá esta. Aumentos ? Sim, se forem necessários, mas não no nosso Sector.

   E, conhecedor da matéria, José Manuel Esteves ainda vai mais longe quando afirma que qualquer aumento de impostos vai redundar na diminuição da receita, pois "vai significar um convite à fuga ao fisco à economia paralela”.

   Ora é aí mesmo que deve ser apontado o dedo à chaga que afecta todos os portugueses que pagam impostos e à economia do País em geral. Sendo certo que a restauração não é caso único, longe disso, é pertinente colocar a seguinte questão: Qual a percentagem de estabelecimentos hoteleiros, cafés, restaurantes, bares, tascas, snacks e similares que pagam IRC?

   Avanço um número que deverá pecar por excesso 20% (Vinte por cento).

   Deveria ser pois, a par com a instituição de uma carga fiscal mais equilibrada, diminuindo o numero de escalões do IRS e aumentando o valor mínimo sujeito ao mesmo, por exemplo, o grande combate político de um Governo com coragem.

   Estamos convictos que resultados concretos na eliminação ou substancial diminuição da economia paralela (estimada, por baixo, em 30 a 40%% do PIB) seria a alavanca suficiente para uma melhor redistribuição dos impostos devidos por quem efectivamente os paga.

   Senão voltamos sempre ao início da questão. Os trabalhadores por conta de outrem, os Funcionários Públicos, a "malta" dos recibos verdes, estão sempre na primeira linha dos que pagam a crise. Para eles não há economia paralela, e porque não são nem investidores da Bolsa, nem de Depósitos a Prazo ou similares, estão mesmo à mão de semear, e não podem fugir. É garantido e ainda adiantam algum ao Estado que mais tarde devolverá sem juros.

   Até lá os "Chicos Espertos", ao sol das Bahamas, fazem a pergunta cuja resposta vale um milhão: Mas porque será que em Portugal ainda existem "palonços" que pagam impostos?

   E não é que no estado a que o Estado chegou eles têm razão.

 

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Estado de Alma: "Lixado"
Livro: Cidades Invisíveis
publicado por Lanzas às 12:07

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