Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

ALBERTO JOÃO JARDIM E AS DÍVIDAS DA MADEIRA

   Sempre tivemos em relação a Alberto João Jardim uma atitude de condescendência para com a sua forma truculenta de estar na política e para a forma desabrida como normalmente trata os que estão contra ele e que na prática são, nem mais nem menos, todos aqueles que não estão obediente e disciplinadamente com ele.

   São duas as razões fundamentais para essa postura. A primeira, porque sendo eu continental (ou melhor cubano no linguarejar próprio de Alberto João Jardim) conheci  a Madeira antes de 1974, e tendo continuado a visitar a Região, com regularidade, depois daquela data pude observar in loco tudo aquilo que por lá foi feito em termos de saúde, educação, vias de comunicação, desenvolvimento local e tantas outras áreas. Ora sendo o Alberto João (como gosta que o tratem lá pela terra) o principal obreiro desse desenvolvimento, ainda que com o dinheiro de todos nós, esse mérito ninguém lhe pode tirar. E estamos a falar de populações absolutamente isoladas, com carências de toda a ordem; e estamos a falar de vias estreitas, sinuosas à beira de precipícios, sem alternativas, em que por exemplo se levava mais tempo numa viagem de táxi do Aeroporto ao centro da Cidade do Funchal, do que na viagem de avião Lisboa/Funchal. E estamos, por exemplo, a falar da construção de escolas e extensões de Centros de Saúde em locais recônditos, mas que se tornavam absolutamente necessários face às dificuldades de deslocação das populações.

   A segunda razão é que em 35 anos de Chefia política, Alberto João Jardim venceu cerca de 40 eleições, não tendo perdido nenhuma, sem que os seus adversários pudessem apontar, com provas, quaisquer aproveitamentos patrimoniais, ou outros, para si ou para familiares que lhe sejam próximos, o que num País como Portugal não é despiciendo, tendo em atenção o que ao longo dos anos temos visto desde Presidentes de Câmara, a ex-Ministros, Deputados, e por aí fora. 

   Porém face às notícias vindas hoje a público, segundo as quais estão em causa encargos da Região Autónoma da Madeira que não foram registados e Acordos para Regularização de Dívidas que não foram reportados  ao INE e ao BdP, as duas entidades responsáveis por apurar as contas nacionais, às quais só após diligências próprias terão chegado informações, entre o final de Agosto e esta semana, que dão conta de Acordos de Regularização de Dívidas celebrados em 2010, com um valor aproximado de 571 milhões de euros,  mais 290 milhões de euros de juros de mora  que podem pôr em causa as contas da Republica, sendo que também relativamente a 2011, são mais 11 milhões de euros referentes a acordos respeitantes a dívida contraídas desde 2005 e juros de mora  de 32 milhões de euros relativos ao primeiro semestre que não foram reportados, bem como não terão sido ainda comunicados os encargos que não foram objecto destes acordos relativos a serviços de saúde de 2008, 2009 e 2010, em montantes de 20, 25 e 54 milhões de euros, respectivamente, dirijo a Alberto João Jardim algumas passagens da Carta Aberta que em 28 de Abril de 2010 dirigi ao então Primeiro Ministro pedindo-lhe que se demitisse. E apenas algumas, poi a referida carta não se lhe aplica na íntegra:

   "... Entendo quanto doloroso deve ser descer sem glória uma montanha que foi subida a pulso, com esforço, e também com algum mérito, ...  Mas é do fundo do coração que lhe digo: Vale bem mais descer uma montanha pelo seu próprio pé, ainda que sem glória, do que vir aos trambolhões por ela abaixo..."

   Ora a serem verdade as políticas de desorçamentação e de desinformação anunciadas na imprensa, as mesmas são incompatíveis com aquilo que exige a coesão nacional, ou seja que no mínimo todas as entidades responsáveis cumpram o seu dever de reporte atempado  aos órgãos nacionais de todos os compromissos assumidos, e isto sem escamotear dados, pelo que Alberto João Jardim deixou de reunir as condições mínimas indispensáveis para se recandidatar à Chefia do Governo Regional da Madeira. Podem os seus detractores dizer que já não é de agora. Mas pelo menos de agora em diante é com certeza.

   Dr. Alberto João Jardim, por tudo aquilo que fez pela Madeira e pelos madeirenses não vá a jogo nas próximas eleições de Outubro. Indique um nome capaz de o substituir, e creia terá para sempre o reconhecimento da grande maioria do Povo madeirense, pela obra que deixa.

   Se não o fizer acabará, como todos aqueles que se querem eternizar seja no Governo de um País seja no de uma Região,  por ser empurrado, sem contemplações, pela escada abaixo o que  não será, de todo,  justo. É que de Generais insubstituíveis estão os cemitérios cheios. Incluindo os da Madeira.

   Quando em 28 de Abril de 2010 aqui escrevi a Carta Aberta pedindo a demissão do ex-Primeiro Ministro a mesma foi considerada deslocada por muito boa gente.

   Este apelo também não está.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 386 

Estado de Alma: Madeirense(apesar de tudo)
Livro: A Ilha dos Encantos
publicado por Lanzas às 16:47

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1 comentário:
De Luís a 17 de Setembro de 2011 às 00:05
Está na hora deste senhor largar a cadeira. Só faz asneiras e o "contenente" que pague. Vergonhoso!

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