Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

ALBERTO JOÃO JARDIM E AS DÍVIDAS DA MADEIRA

   Sempre tivemos em relação a Alberto João Jardim uma atitude de condescendência para com a sua forma truculenta de estar na política e para a forma desabrida como normalmente trata os que estão contra ele e que na prática são, nem mais nem menos, todos aqueles que não estão obediente e disciplinadamente com ele.

   São duas as razões fundamentais para essa postura. A primeira, porque sendo eu continental (ou melhor cubano no linguarejar próprio de Alberto João Jardim) conheci  a Madeira antes de 1974, e tendo continuado a visitar a Região, com regularidade, depois daquela data pude observar in loco tudo aquilo que por lá foi feito em termos de saúde, educação, vias de comunicação, desenvolvimento local e tantas outras áreas. Ora sendo o Alberto João (como gosta que o tratem lá pela terra) o principal obreiro desse desenvolvimento, ainda que com o dinheiro de todos nós, esse mérito ninguém lhe pode tirar. E estamos a falar de populações absolutamente isoladas, com carências de toda a ordem; e estamos a falar de vias estreitas, sinuosas à beira de precipícios, sem alternativas, em que por exemplo se levava mais tempo numa viagem de táxi do Aeroporto ao centro da Cidade do Funchal, do que na viagem de avião Lisboa/Funchal. E estamos, por exemplo, a falar da construção de escolas e extensões de Centros de Saúde em locais recônditos, mas que se tornavam absolutamente necessários face às dificuldades de deslocação das populações.

   A segunda razão é que em 35 anos de Chefia política, Alberto João Jardim venceu cerca de 40 eleições, não tendo perdido nenhuma, sem que os seus adversários pudessem apontar, com provas, quaisquer aproveitamentos patrimoniais, ou outros, para si ou para familiares que lhe sejam próximos, o que num País como Portugal não é despiciendo, tendo em atenção o que ao longo dos anos temos visto desde Presidentes de Câmara, a ex-Ministros, Deputados, e por aí fora. 

   Porém face às notícias vindas hoje a público, segundo as quais estão em causa encargos da Região Autónoma da Madeira que não foram registados e Acordos para Regularização de Dívidas que não foram reportados  ao INE e ao BdP, as duas entidades responsáveis por apurar as contas nacionais, às quais só após diligências próprias terão chegado informações, entre o final de Agosto e esta semana, que dão conta de Acordos de Regularização de Dívidas celebrados em 2010, com um valor aproximado de 571 milhões de euros,  mais 290 milhões de euros de juros de mora  que podem pôr em causa as contas da Republica, sendo que também relativamente a 2011, são mais 11 milhões de euros referentes a acordos respeitantes a dívida contraídas desde 2005 e juros de mora  de 32 milhões de euros relativos ao primeiro semestre que não foram reportados, bem como não terão sido ainda comunicados os encargos que não foram objecto destes acordos relativos a serviços de saúde de 2008, 2009 e 2010, em montantes de 20, 25 e 54 milhões de euros, respectivamente, dirijo a Alberto João Jardim algumas passagens da Carta Aberta que em 28 de Abril de 2010 dirigi ao então Primeiro Ministro pedindo-lhe que se demitisse. E apenas algumas, poi a referida carta não se lhe aplica na íntegra:

   "... Entendo quanto doloroso deve ser descer sem glória uma montanha que foi subida a pulso, com esforço, e também com algum mérito, ...  Mas é do fundo do coração que lhe digo: Vale bem mais descer uma montanha pelo seu próprio pé, ainda que sem glória, do que vir aos trambolhões por ela abaixo..."

   Ora a serem verdade as políticas de desorçamentação e de desinformação anunciadas na imprensa, as mesmas são incompatíveis com aquilo que exige a coesão nacional, ou seja que no mínimo todas as entidades responsáveis cumpram o seu dever de reporte atempado  aos órgãos nacionais de todos os compromissos assumidos, e isto sem escamotear dados, pelo que Alberto João Jardim deixou de reunir as condições mínimas indispensáveis para se recandidatar à Chefia do Governo Regional da Madeira. Podem os seus detractores dizer que já não é de agora. Mas pelo menos de agora em diante é com certeza.

   Dr. Alberto João Jardim, por tudo aquilo que fez pela Madeira e pelos madeirenses não vá a jogo nas próximas eleições de Outubro. Indique um nome capaz de o substituir, e creia terá para sempre o reconhecimento da grande maioria do Povo madeirense, pela obra que deixa.

   Se não o fizer acabará, como todos aqueles que se querem eternizar seja no Governo de um País seja no de uma Região,  por ser empurrado, sem contemplações, pela escada abaixo o que  não será, de todo,  justo. É que de Generais insubstituíveis estão os cemitérios cheios. Incluindo os da Madeira.

   Quando em 28 de Abril de 2010 aqui escrevi a Carta Aberta pedindo a demissão do ex-Primeiro Ministro a mesma foi considerada deslocada por muito boa gente.

   Este apelo também não está.

 

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Estado de Alma: Madeirense(apesar de tudo)
Livro: A Ilha dos Encantos
publicado por Lanzas às 16:47

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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

CINTRA, AS FUNDAÇÕES E OS NOSSOS IMPOSTOS

   Confesso que tenho uma aversão quase absoluta às isenções fiscais. Admito que tal se deva a deformação profissional.

   É uma hipótese viável, mas fico sempre com "pele de galinha" e a sensação que estou a pagar impostos para alguém meter parte deles ao bolso, quando oiço falar em grandes projectos de investimento ou de desenvolvimento mas com isenções fiscais previamente negociadas. Estranha senção!

   Claro que compreendo a necessidade do Estado criar, em situações que deveriam ser muito excepcionais, condições para determinado tipo de investimentos, ou para realizações ainda mais excepcionais, e não de acordo com interesses de quem momentâneamente tem a capacidade de decidir.

   Que fique claro: Quando alguma Entidade Privada investe com isenção de impostos, parte desse investimento pertence a todos nós contribuintes líquidos, pelo que deveriam ser claramente quantificados e publicitados os benefícios que a sociedade em geral retira desse mesmo investimento. Era o mínimo a que um estado de direito se devia obrigar.

   O que tem sucedido até à data é que muitos dos benefícios concedidos, em muitos casos quase às escondidas, configuram um favoritismo seja pessoal, político ou de qualquer outra índole, que agora não vem ao caso.

   Se em relação a investimentos reprodutivos tenho essa desconfiança, em relação às Fundações essa mesma desconfiança aumenta exponencialmente sem prejuízo de poder estar a cometer alguma injustiça em relação a alguma destas entidades que desenvolva uma acção pública de relevo.

   Mas o princípio mantém-se. Se não pagam impostos parte dos seus projectos, acções e realizações somos todos nós que pagamos.

   E essa minha desconfiança tem dois tipos de fundamentação. Em primeiro lugar em relação aquelas que são criadas pelos poderes políticos com carácter manifestamente duvidoso de que destaco como emblemática a Fundação para a Prevenção Rodoviária. Em segundo lugar aquelas que são criadas sem que se entenda qual a razão da sua existência. É o caso da Fundação Sousa Cintra, constituída no final de 2010 como "instituição de desenvolvimento e solidariedade social", tendo como área de actuação predominante "a actividade cinegética, as ciências e a economia do mar" a qual foi reconhecida através de um despacho do secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes, com o fundamento de a Fundação Sousa Cintra não ter qualquer apoio ou subsídios de dinheiros públicos, pelo que não existia nenhuma razão para não conferir o seu reconhecimento.

   Ora quando o Governo diz que vai proceder a uma análise exaustiva dos institutos e fundações existentes no País (mais de 800, que custaram aos contribuintes o ano passado cerca de 100 milhões de euros), no âmbito de uma urgente redução do Estado paralelo, seria do mais elementar bom senso que o reconhecimento de novas entidades do género se verificasse apenas e só após essa análise, que se espera breve conforme foi prometido por responsáveis governamentais.

    Acresce a tudo o que foi dito que como vivemos num País onde a capacidade de desenrascanço de cada um de nós é a medida do seu valor, a Fundação Sousa Cintra, incluiu no seu património, segundo a imprensa especializada, uma moradia no Restelo e um prédio urbano em Sagres, cujo valor patrimonial global ascende a cerca de seis milhões de euros, conseguindo com isso uma poupança anual em IMI de cerca de 20.000 euros. Digamos que para inicio de uma actividade de solidariedade social não está nada mal, embora para as duas Câmaras, Lisboa e Vila do Bispo, ambas falidas, não deixe de ter algum impacto, mais evidente obviamente no caso de Vila do Bispo, embora o seu Presidente tenha afirmado, de forma algo comprometida, que a Fundação "sempre terá consequências positivas para o Concelho

   Não sabemos quais serão essas consequências positivas, mas os primeiros 20.000 euros anuais, pelo menos, de apoio social ou de desenvolvimento são de todos os contribuintes e não da Fundação.

   Esperemos que não seja um jeep para oferecer ao Comando dos Bombeiros.

 

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Estado de Alma: Fundido
Livro: Do Espírito das Leis
publicado por Lanzas às 10:07

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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

VIVA PORTUGAL

   Um Pais faz-se com vencedores e com êxitos que ajudam a elevar o ego colectivo, que é o caminho certo para o bem estar de uma sociedade, não se faz com vencidos nem com desiludidos.

   O facto de Portugal ter duas equipas numa final de uma Taça Europeia de Futebol, e de ter tido três (em quatro) nas meias finais está em linha com o que foi dito. Um dos finalistas não causa grandes surpresas. Dirigido superiormente por um Presidente, que é na nossa opinião uma das pessoas com mais conhecimentos de futebol no mundo, e que pese a sua truculência, e por vezes má educação, tem um feeling especial para a industria (eu diria mais negócio) futebolística, acertando em 9 de cada 10 escolhas que faz.

   Digamos que a equipa joga aquilo que ele quer, pois escolhe a partitura, o maestro e os músicos, deixando transparecer para o exterior, quando lhe convém, que se tratam de decisões colectivas, mas que na realidade são da sua única responsabilidade. Mérito seu portanto.

   O outro finalista tem seguido igualmente, nos últimos anos, um caminho semelhante, também graças a um Presidente sagaz, que apesar de ser bem mais novo que o seu colega finalista, reúne muitas das suas características.

   Apostas bem sucedidas, que têm consolidado o seu projecto, em maestros (leia-se treinadores) e selectividade nas escolhas dos músicos (leia-se jogadores) naquilo a que se pode chamar o mercado secundário bem como  capacidade de organização e de mobilização, ingredientes capazes de transformar uma equipa do meio da tabela numa equipa a olhar para feitos bem mais altos. A sua carreira europeia afastando da competição alguns nomes fortes do  panorama futebolístico europeu com orçamentos francamente superiores foi notável. Era bonito que não morressem na praia.

   O terceiro clube também merece ser enaltecido. Jogou com as suas armas e as convicões do seu maestro (leia-se treinador) embora não tenha sido bem sucedido, sendo a equipa um reflexo do que se passa no nosso País. Aposta em "obras" (leia-se jogadores) sumptuárias, sem critério e sem enquadramento colectivo. Sem pretender pessoalizar num jogador todos os inexitos da época, digamos que o guarda redes é o seu TGV. Investimento demasiado alto para a rentabilidade. Como diria Cavaco Silva é sempre fundamental conhecer o rácio custo/benefício que neste caso é baixinho.

   O rácio, porque o guarda redes é alto.

   A equipa chegou ao fim dando mostras de não estar física e psicologicamente preparada para ganhar. Tudo foi feito em esforço, sem souplesse, com dignidade mas mostrando pouca valia para os investimentos milionários efectuados. Digamos que no seu conjunto se trata da Auto Estrada da Beira Interior. Obra de encher o olho, mas demasiado cara e sem acrescentar valor. No caso da AE poucos carros, no caso da equipa pouco Futebol.

   Do Presidente não falamos. Como diria José Sócrates, ter dinheiro ... não é tudo.

   Em resumo glória aos vencedores, Futebol Clube do Porto e Sporting de Braga,  honra ao vencido, Sport Lisboa e Benfica.

   E Viva Portugal.

 

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Estado de Alma: Desportista
Livro: Novos Líderes
publicado por Lanzas às 10:05

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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

TEIXEIRA DOS SANTOS - UM HOMEM SÓ

   Ao longo do tempo temos escrito algumas vezes sobre Fernando Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças nos Governos Sócrates, normalmente para contestar a política económica de que tem sido o rosto, mas sempre ressalvando as suas qualidades pessoais e profissionais.

   Basta ler o seu curriculum para se perceber que se trata de um homem que ao longo da vida foi associando especialização à sua actividade, foi consolidando competências e juntando experiência ao saber.

   É por isso um mistério digno de um "case study" o porquê de se ter deixado colonizar por um Primeiro ministro que manifestamente não o estima, e que se tem aproveitado, quando lhe convém, do seu saber e prestigio.

   Um dia hão-de ser conhecidas as razões que conduziram a tal submissão e que estiveram na base de um comportamento no mínimo estranho, pois para espanto de muitos, decisões absolutamente irracionais e eleitoralistas,  de José Sócrates e do Partido Socialista, como a descida do IVA e o inacreditável aumento dos funcionários públicos em 2009 não tiveram da sua parte uma recusa frontal ou, em alternativa, a sua demissão o que à partida não se coaduna com aquilo que é conhecido acerca da sua frontalidade ou desapego ao poder político de que manifestamente não precisa, pois é detentor de uma carreia académica e profissional sólida e inquestionável, mas que não evitaram o seu afastamento das listas para deputados à futura Assembleia da Republica, um triste episódio escondido atrás de uma história manifestamente mal contada.

   A grosseria de Vieira da Silva, coordenador do processo de elaboração das listas PS acerca do seu afastamento: "... em relação ao actual ministro de Estado e das Finanças,  não se colocou a questão de Teixeira dos Santos ser convidado para integrar as listas ...", não é mais do que a vingança, servida fria, do aparelho partidário aos intrusos  que ousam ocupar the jobs que na sua óptica são exclusivamente "for the boys".

 É uma atitude indigna por parte do partido que nunca o tendo acolhido verdadeiramente dele se utilizou quando precisou da sua imagem para tentar caucionar e credibilizar políticas partidárias incongruentes. 

  A sua patética presença ao lado de José Sócrates na NÃO COMUNICAÇÃO que este fez ao País sobre o Acordo com a troika é a todos os títulos lastimável, e as suas respostas de circunstância às questões hoje colocadas pelos jornalistas sobre o seu papel nestas negociações: "tenho a sensação de dever cumprido", bem como sobre o estado da sua relação institucional com José Sócrates: "fui encarregado pelo primeiro-ministro de conduzir as negociações com a troika, e com certeza que não as conduzia à revelia do senhor primeiro-ministro", são a parte visível dum iceberg imenso de divergências. 

   O que aconteceria neste País se este homem, Fernando Teixeira dos Santos falasse hoje, acerca do que verdadeiramente se passou nos últimos seis anos? Não sabemos.

  Mas sabemos que o deveria fazer para evitar futuros desmandos.

  E então teria resgatado a sua dignidade política.

Estado de Alma: De todas as cores
Livro: O Que Diz Molero
publicado por Lanzas às 12:01

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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

FMI - A NÃO NOTÍCIA

   Foi absolutamente deprimente o que se passou ontem no panorama televisivo português. A partir de uma NÃO notícia a qual foi cuidadosamente encenada por José Sócrates, com o inenarrável Ministro das Finanças Teixeira do Santos a seu lado, fazendo o papel do maestro José de Melo no programa televisivo o "Museu do Cinema" apresentado nos anos 50 a 70 por António Lopes Ribeiro, que entre outros pontos de interesse incluía a forma brejeira, que foi glosada pelo País inteiro, como este se dirigia ao maestro: "Melo diz boa note ao senhores telespectadores"; todos os canais televisivos se desdobraram na apresentação de comentadores, mesas quase redondas e outros formatos para comentar o que não sabiam, pois José Sócrates limitara-se a dizer cinco coisas que não viriam no Acordo e aproveitou para mais um ataque "a todos aqueles que ...", o que em linguagem "socratiana" quer dizer todos os que não pensam como ele.

   É sabido que José Sócrates deve a sobrevivência política à sua capacidade de reescrever os acontecimentos. Partindo de um qualquer facto, reescreve-o e a partir daí parte para um combate feroz, como se aquela tivesse sido a realidade, comprometendo os adversários, obrigando-os a sucessivos desmentidos, normalmente sem grande êxito, e cerceando-lhes a sua capacidade para desenvolver os seus verdadeiros pontos de vista. Até agora tem resultado.

   Aliás esta forma de estar na política como Primeiro ministro teve o seu inicio logo no seu primeiro mandato, quando partindo de um défice pura e simplesmente não existente criado e inflacionado com a ajuda do seu "compagnon de route" Vítor Constâncio, a quem "pagou" essa inestimável ajuda com uma colaboração activa na sua nomeação para a Vice-Presidência do BCE, criou as condições para o aumento dos impostos, nomeadamente do IVA, quando a sua campanha eleitoral tinha sido feita à base da promessa do não aumento dos impostos. A promessa de diminuição de desempregados, o cheque bebé, e outras promessas similares são apenas detalhes de uma forma questionável de fazer política.

   Uma pessoa que assume perante todos os portugueses, na televisão, na imprensa escrita, no partido, que: "Não estou disponível para governar com o FMI", entidade com quem menos de um mês depois celebra um acordo, e é candidato a Primeiro ministro para o executar, não reune as qualidades mínimas  para ser Primeiro ministro de Portugal.

   Se voltar a ser, não nos queixemos. Limitemo-nos a pagar os seus delvaneios e boca calada.

Estado de Alma: Arreganhado
Livro: A Contradição Humana
publicado por Lanzas às 10:45

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Terça-feira, 3 de Maio de 2011

A MORTE DE OSAMA BIN LADEN

   Morreu  Osama Bin Laden, e francamente para nós ocidentais é indiferente a forma como terá sido morto. Se com um tiro num olho, enforcado ou por qualquer outra forma que tenha conduzido ao desenlace desejado.

   Tratava-se na nossa opinião de um mero assassino que escudado numa auréola religiosa matou milhares de pessoas, destruiu famílias inteiras e que colocou a nossa (ocidental) forma de viver em sério risco, sem que tivesse de qualquer forma contribuído para o desenvolvimento da civilização que dizia defender.

   Até o seu modo de vida, numa mansão de três andares, rodeado de familiares e bem protegido, longe dos supostos buracos escavados nas montanhas frias e agrestes do Paquistão ou do Afeganistão que a máquina de propaganda da Al-Qaeda nos queria fazer crer ser real, foi apenas mais um embuste, só agora desmascarado.

   Posto isto resta analisar o "outro lado" da questão. Compreendendo que não se podem criar locais de peregrinação para "ícones" do terrorismo, compreendendo que a revelação das fotografias "pós morten" podem ser chocantes (embora o enforcamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein tenha sido transmitido em directo, ou quase, pela televisão) e podem  fazer crescer a raiva de multidões já por si enfurecidas e pré dispostas a actos de  violência, a sua ausência deixa no entanto um certo travo de desconfiança, que a velocidade com que se quiseram ver livres do cadáver faz acrescentar eventuais dúvidas aqueles que se mantêm cépticos quanto à realidade da sua morte. Que sempre os há. E que deixa uma questão no ar: E se Osama Bin Laden, tivesse simplesmente sido feito prisioneiro ?

   Também a forma mediática como foi gerida a operação, há pelo menos uma semana que não havia dúvidas sobre a localização do refúgio de Osama Bin Laden, e  a hora, escolhida cirurgicamente,  como foi transmitido o seu desenlace, ao povo americano e ao mundo, nas palavras de Barack Obama, para permitir interromper um programa televisivo de um putativo adversário seu às próximas eleições presidenciais, deixa transparecer uma abusiva utilização pessoal do acontecimento, o que convenhamos não é lá muito bonito.

   Lá como cá a política primeiro, os princípios logo a seguir.

 

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Estado de Alma: Céptico
Livro: A Vertigem Americana
publicado por Lanzas às 14:15

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

LE POISSON D' AVRIL (E A CÂMARA MUNICIPAL DE MATOSINHOS)

   Segundo relato do Jornal O Público, o executivo da Câmara de Matosinhos aprovou ontem, em reunião privada, a compra dos estádios do Leça e do Leixões, dois clubes de futebol profissional do concelho em sérias dificuldades económicas, tal como a Câmara, por cerca de 6,3 milhões de euros,

 A Câmara de Matosinhos, cujo passivo no final do ano passado ascendia a 184,3 milhões de euros, irá comprar o estádio do Leça por 1.380.000 euros, em 60 prestações mensais (cinco anos) até ao montante máximo de 27.500 euros cada, enquanto o estádio do Mar será pago ao Leixões e custará à Câmara 4.980.000 euros, sendo que quando da outorga da escritura pública, o clube receberá 750 mil euros mais 30 mil euros respitantes às acções que o município possui na SAD leixonense, Sociedade esta que a autarquia abandona, e a que se seguem 120 prestações (10 anos) de 35 mil euros.

  Na mesma reunião privada do executivo foram  aprovadas as contas municipais de 2010. O documento comprova que o passivo da autarquia, sobretudo devido à dívida de curto prazo aumentou 9,7 milhões de euros face a 2009. 

   Detalhes.

   Só pode pois ser uma mentira do primeiro de Abril, publicada com atraso, para o pessoal rir, ou então trata-se de uma manobra de dibersão para testar os nervos de aço dos homens do FMI.

   Digo eu que sou alentejano e não sei nada de contas.

   Também há quem fale de promiscuidade entre o Futebol e o Poder Político. Más línguas por certo.

 

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Estado de Alma: A rir às gargalhadas
Livro: As Histórias Daqui e Dali
publicado por Lanzas às 16:20

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

TEIXEIRA DOS SANTOS E JOSÉ SÓCRATES

DE CANDEIAS ÀS AVESSAS ?

   É de absoluto desnorte o clima emocional que se vive no seio do Partido Socialista. Num Congresso que deveria servir para um sereno debate de ideias internas, para clarificação de pontos de vista contraditórios, que são conhecidos, entre correntes internas de opinião e para a apresentação de ideias que ajudassem a apontar um caminho aos portugueses, nada disto se verificou.

   Como alternativa foi escolhido o discurso recorrente de apontar  culpas à oposição, como se fosse esta que tivesse governado nos últimos seis anos, às forças ocultas, leia-se Presidente da Republica, e a assistiu-se a uma falsa união em torno de um líder que sendo um bom comunicador, esgota as suas capacidades nisso mesmo, conforme salientou em tempos João Salgueiro. 

   Por outro lado as opiniões divergentes entre Ministros, e entre estes e o Primeiro ministro são manifestas sobre a oportunidade de conjugar esforços com outros partidos para encontrar soluções que visem salvar Portugal de uma crise que ameaça arrastar-se por décadas. Apontemos um só exemplo elucidativo: 

   Na última sexta feira à saída de uma sessão do Conselho de Ministros das Finanças, Teixeira dos Santos declarou: “O Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional terão que negociar com o Governo e terão que envolver nessa negociação os principais partidos. Mas chamo a atenção que quem tem que negociar com a oposição não é o Governo, são as partes envolvidas do lado europeu. Essa não é uma responsabilidade do Governo”, afirmando ainda não ser rigoroso dizer-se que a ajuda será de 80 mil milhões de euros, e que espera que o Presidente da República Cavaco Silva ajude a criar o ambiente propicio ao processo negocial que agora vai começar. Na mesma linha de raciocínio tinha dito ago de parecido em entrevista televisiva, quando afirmou peremptório que o Governo, por estar em gestão, não podia pedir ajuda externa, sendo que a única entidade que o poderia fazer era o Presidente Republica. Porém 3 ou 4 dias depois, ao almoço com José Sócrates e entre duas colheres de sopa, mandou vir o FEEF, o FMI e  o  BCE. 

   Para quem estivesse mais desatento a ouvir Teixeira do Santos poderia até parecer que Portugal estava a fazer um favor aquelas entidades e que éramos nós que lhes íamos emprestar dinheiro para salvá-los da bancarrota.

   Que mau feitio que o homem tem, meu Deus.

   Pela sua parte, José Sócrates, perante a crua realidade da nossa incapacidade de resolvermos sozinhos os nossos problemas, afirmou no Congresso do PS que “o Governo assumirá a responsabilidade de liderar as negociações com as instituições europeias sobre o programa de assistência financeira, de modo a que o país não corra riscos no financiamento do Estado, do sistema bancário e da economia”.

   “O momento exige elevação política e sentido de Estado”, acrescentou.

   Será o que tem faltado a Teixeira dos Santos ?

 

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Estado de Alma: Perplexo
Livro: Economia Portuguesa
publicado por Lanzas às 14:45

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Domingo, 10 de Abril de 2011

CONGRESSO DA OPOSIÇÃO

   Quem tivesse aterrado em Portugal este fim de semana vindo da estratosfera, e tivesse ligado a televisão pensaria decerto estar a assistir a um Congresso de um Partido que estava há seis anos na oposição, tal era o vigôr da retórica contra quem tinha tomado as medidas que levaram Portugal práticamente à bancarrota e se viu obrigado a pedir ajuda ao FEEF e consequentemente ao FMI, entidade que durante semanas a fio foi deabolizada, enquanto os juros da nossa dívida antigiam valores inacreditaveis a apenas meia dúzia de meses.

   Com visão, que sempre faltou e sem demagogias baratas, que sempre sobraram,  caso o pedido agora efectuado tivesse sido feito um ano antes teriam sido poupadas centenas de milhões de euros ao País e sacrifícios desnecessários para a generalidade da população.

   É sabido de há muito que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Ora a liderança do Partido Socialista desde a chegada de José Sócrates a Secretário Geral é manifestamente absolutista, centrada à volta do Grande Líder de quem todos dependem e a quem todos prestam a devida vassalagem. Não admira pois que as ideias estejam absolutamente corrompidas.

   Neste Congresso não apareceu uma única voz discordante. Não se apresentou uma alternativa.

   Não foi de unanimidade, mas sim de unanimismo o ar que por ali se respirou, logo é preciso terem muito cuidado com as costas. 

   Digno de registo apenas o regresso dos "bons filhos" que à casa tornam. De seus nomes Ferro Rodrigues e Manuel Alegre.

   Também eles sem ideias, só com frases feitas à procura de espaço para as próximas batalhas internas que se antevêem fratricidas, as quais como a história ensina são sempre as mais mortíferas.

   Portugal merececia mais e melhor.

 

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Estado de Alma: Congressista
Livro: Caçadores de Tempestades
publicado por Lanzas às 16:05

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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

ALENQUER E OS ANIVERSÁRIOS

   O Presidente da Câmara Municipal de Alenquer determinou por despacho  de 31 de Dezembro último que os funcionários passem a ter dispensa do serviço no dia do seu aniversário.

   Para além da total falta de respeito que aquela medida representa para quem está desempregado, o despacho, só por si, é digno de antologia.

   Ei-lo em todo o seu esplendor: "Considerando que o dia de aniversário é sempre uma data importante da vida de cada um de nós e, à semelhança de procedimento idêntico adoptado em diversas entidades da administração central e local, determino que seja concedida dispensa do serviço a todos os trabalhadores municipais no dia do seu aniversário natalício".

   Sabe-se o que representam despachos deste teor em pequenas localidades. Por um lado servem para aliciar votos para as próximas eleições locais. Por outro procuram esconder as próprias limitações de quem tem de gerir e motivar funcionários sem que tenha de acenar-lhe com concessões sem sentido.(porque não se pretende ofender quem quer que seja, e face aos comentários recebidos decidimos alterar a frase inicial:  um molho de cenouras )

   É o reconhecimento da mais absoluta incapacidade para liderar um projecto.

   Esta brincadeira, sim porque só de brincadeira se pode tratar, representa menos 700 dias de trabalho anuais, ou seja cerca de 5.000 horas não trabalhadas e pagas por todos nós, sim por todos nós e não só pelos munícipes de Alenquer, sem qualquer justificação.

   Para a próxima vez em que, e segundo as palavras do edil alenquerense, Jorge Riso de seu nome, seja necessário "estimular os nossos trabalhadores, numa altura em que têm sido penalizados por cortes nos seus rendimentos e medidas de austeridade", sugerimos que torne extensiva a medida agora aprovada, devidamente adaptada, ao dia de aniversário do cônjuge, e caso as medidas de austeridade se agravem, como tudo parece indicar, ainda temos os filhos, o cão o gato e tudo o que mexa lá em casa.

   Há quem diga em Alenquer que a medida agora adoptada é neutra face à produtividade dos destinatários da mesma, mas é demagógica e absolutamente irresponsável numa época de crise social e de desemprego como aquela que atravessamos em Portugal.

   Não haverá maneira de alguém  pôr cobro a desmandos destes? Já alguém ouviu falar em Países como o Japão, a Alemanha  os Estados Unidos da América e tantos outros em que o numero de dias trabalhados por ano, e estou a falar de trabalho não estou a falar de presença no emprego, estão muito para além dos trabalhados em Portugal?

   Não estamos a falar da China da Índia ou do Paquistão, estamos a falar de Países onde se respeitam os direitos e a dignidade dos trabalhadores.

   Medidas como a que foi agora tomada em Alenquer são um contributo sério para ajudar Portugal a afundar-se.

   E poucos de nós sabem nadar.

 

Post 290

Estado de Alma: Aniversariante
Livro: O Economista Disfraçado
publicado por Lanzas às 09:29

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