Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

"INFORMALIDADE" ...

 ... SIGNIFICA FICAR COM OS IMPOSTOS PAGOS PELOS CLIENTES! 

 

   A Associação de Hotelaria e Restauração (AHRESP) sublinhou no encontro que teve com os grupos parlamentares na Assembleia da Republica a sua disponibilidade para participar com os Serviços de Finanças numa campanha contra a "informalidade" no sector, bem como na participação de outras acções consideradas necessárias no combate a essa mesma "informalidade", em troca da manutenção  da actual taxa do IVA, com o argumento que dessa forma aumentará a arrecadação do imposto ao invés do que se irá verificar se o Governo persistir no aumento da respectiva taxa .

   Vamos por partes. "informalidade" quer dizer alguém fica com o dinheiro que os clientes pagam sobre a capa de IVA, com a agravante de tal conduta conduzir a uma diminuição de receitas em sede de IRC. A Associação sabe dessa "informalidade", que tem outro nome e outras consequências, e nada fez para a combater.

   Disponibiliza-se agora para o fazer em troca da não aplicação de um agravamento do imposto.

   Ora esta disponibilidade actual que naturalmente se louva, tem um condicionalismo: O imposto não aumentar. Porque, deduz-se, que se aumentar a "informalidade" manter-se-á, ou eventualmente aumentará.

   Apelidar a medida em discussão no Orçamento do Estado de tragédia, chacina, tiro no escuro, brutal, bomba atómica ou outra, é um direito, embora excessivo. É que se não houvesse tanta "informalidade" no sector, tal como noutras áreas da economia, se calhar não era preciso aumentar a taxa do IVA.

   Todos temos o direito de reclamar, mas para haver direitos têm de se cumprir as obrigações.

   Sobretudo entregar ao Estado um imposto que o cliente pagou.

   Alguém andou a meter a mão na panela, pelo vistos sem se queimar, e agora reclama porque o caldo está a ferver.

   Não é verdade meus senhores ?

 

{#emotions_dlg.chat}Post 416

  

 

Estado de Alma: Informal
Livro: Cem Maneiras de Fazer Licores
publicado por Lanzas às 09:57

link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

AS COMPRAS EM CARTÃO ...

 ... UMAS BOAS OUTRAS NÃO! 

 

   No último fim de semana assistimos a uma situação que deixa estupefacto o observador comum e revela o que é a influência (NEGATIVA) das grandes superfícies comerciais na vida das pessoas.

   Alertados  por SMS enviados na véspera, milhares de portugueses ficaram a saber que uma determinada superfície comercial  procederia a partir do sábado seguinte a uma campanha de venda de brinquedos com direito a 50% de desconto em cartão.

   Por curiosidade deslocamo-nos pelas 9,30h de sábado a um desses locais de venda para observar. E o que vimos? Centenas de pessoas acotovelavam-se para chegar aos bonecos mais conhecidos ou mais apelativos. Os carros de supermercado, cheios, chocavam uns com os outros e impediam as pessoas de circularem na zona.

   Havia gente de lista em punho a "dar baixa" das compras efectuadas, e algumas ao telemóvel  indagavam se o interlocutor achava por bem que comprasse o brinquedo X ou Z. Uma loucura.

   Nada a censurar. Vivemos num País livre em que um comerciante tem uma determinada quantidade de mercadoria para vender e promove a sua venda oferecendo um tentador desconto. Normal portanto.

   Porém existe um pormenor. É que as pessoas fazem contas a que gastam x em brinquedos, mas na realidade PAGAM o dobro. Claro que utilizarão o valor do desconto em compras futuras, mas sabe-se que existe uma maior permissividade para compras desnecessárias nessas compras futuras porque na altura já não envolvem o dispêndio de dinheiro.

   Claro que  os técnicos de marketing sabem disso, e exploram o facto.

  Ora perante a situação em que vive a maioria da população portuguesa, campanhas que apelam ao consumismo e á compra por impulso não deveriam ser evitadas ou, pelo menos, não publicitadas?

   Julgamos que sim. E no mínimo deveriam ser obrigados a fazer como na publicidade sobre bebidas alcoólicas, afixando cartazes:

      COMPRE COM MODERAÇÃO     ou    

      PENSE DUAS (OU TRÊS) VEZES ANTES DE COMPRAR.

   Muita gente ficaria agradecida. Mesmo sem saber.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 414

Estado de Alma: Em Saldo
Livro: Sociedade da Abundância
publicado por Lanzas às 09:47

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

FOI VOCÊ QUE DISSE CREDIBILIDADE?

   Em Outubro de 2010, Hugo Chavez, em viagem pela Europa fez escala em Portugal para cumprimentar o "amigo José", e porventura aproveitando o desconto em cartão, concedido por uma grande superfície, apalavrou a compra de dois navios asfalteiros;  12 500 casas para habitação social e 1,5 milhões de computadores Magalhães. Ainda aproveitaram para en passant, lhe mostrarem o barco "bom, bonito e barato", que os Açores recusaram por não cumprir a velocidade estipulada, mas pelo qual Chavez ficou de tal modo encantado que não foi de modas:

   - Destes "quero dois".

   Foi tudo feito ao “vivo e em directo” na televisão porque o "amigo José" precisava na altura das "duas mãos" do "amigo Chavez".

   Comentando o facto escrevemos na altura que aqueles contratos eram para ser assinados novamente em “directo e ao vivo” na televisão Venezuelana, quando o "amigo José" pela centésima vez visitasse uma das Pátrias de Simon Bolívar.

   Pois aí está. Não foi o "amigo José" que está agora ocupado em Paris a tirar finalmente um curso superior, mas tal como havíamos previsto os contratos um ano depois, voltam a ser assinados na Venezuela agora através dos ministros dos respectivos Negócios Estrangeiros.

   São 13 novos acordos de cooperação em matérias como a saúde, energia eléctrica, pecuária, indústria agro-alimentar, venda de computadores Magalhães e na área naval, cujo potencial de negócios é de mil milhões de euros para os próximos três anos, segundo revelou Paulo Portas, tendo igualmente afirmado que "uma parte muito significativa desta verba representa um impulso extraordinário às exportações e à internacionalização de empresas, marcas e produtos portugueses na Venezuela e esse é o melhor serviço que podemos fazer à economia portuguesa".

   É evidente que estes contratos deverão ser novamente assinados quando Chavez visitar o “amigo Pedro” ou quando este fizer uma visita à Venezuela.

   Claro está que ao “vivo e em directo” na televisão.

   A propósito: Não era de credibilidade que diziam que Portugal precisava?

 

{#emotions_dlg.chat}Post 410

Estado de Alma: Sem poder
Livro: Cretinos ao Poder
publicado por Lanzas às 10:17

link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

ANTÓNIO JOSÉ SEGURO E O OE 2012

   António José Seguro tem dado nos últimos tempos, a propósito do Orçamento Estado para 2012, uma magistral lição de como um político com ambições de vir a ser Primeiro Ministro não se deve comportar.

   Dando de barato que necessita nesta fase de travessia do deserto do seu partido de procurar fazer-se ouvir para ser levado minimamente a sério, a forma como tem conduzido essa necessidade tem sido desastrosa.

   Um político com dimensão de estadista na sua posição teria assumido sem hesitações antes da apresentação da proposta de orçamento mais ou menos o seguinte: Vamos abster-nos no próximo orçamento, qualquer que ele seja. Não será com certeza o Orçamento do PS, mas não vamos criar divergências fictícias num assunto onde estamos igualmente comprometidos através do Acordo com a Troika.

   Não se tratava de passar um cheque em branco, antes pelo contrário tinha sido colocar a pressão sobre os Partidos do Governo para elaborarem um Orçamento credível, pois no caso de cometerem um erro grave só a eles lhes seriam no futuro assacadas as responsabilidades.

   Com uma decisão desta ter-se-ia colocado acima de pequenas questiunculas sem sentido que o levaram depois de ter assumido que "a probabilidade de votar contra era 0,0001%" a evoluir para um "quero ver o Orçamento para decidir" e agora já está num "Se não alterarem o Orçamento iremos ponderar o nosso sentido de voto".

   E a sua decisão final que na nossa opinião não poderá ser outra a não ser abster-se acabará por não agradar nem a gregos nem a troianos. Os falcões do seu partido já tomaram uma decisão: Alterar o Orçamento. E agora deu o último e decisivo tiro nos pés: Ouvir os parceiros sociais, que lhe irão dizer o óbvio: Alterar o Orçamento. Só falta mesmo ouvir Rancho de Folclore lá da terra.

   Ora este orçamento tem um número de ouro final para ser atingido o do défice, o qual foi subscrito pelo seu Partido. Tudo o resto é paisagem.

   Poderão  efectivamente algumas medidas deste OE não serem as medidas mais correctas, algumas das quais também nos parecem pouco felizes, mas então terão de ser outras de cariz idêntico.

   Na verdade o que pode realmente mudar são as moscas.

   E António José Seguro sabe disso e perdeu uma oportunidade ímpar de ganhar credibilidade política, mostrando aquilo que na verdade é.

   Um líder de transição.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 407

 

Estado de Alma: Inseguro
Livro: Discursos de Tuiavii
publicado por Lanzas às 12:37

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

ORÇAMENTADO E MAL PAGO

   Estamos novamente em plenos anos 60 da nossa economia, com a agravante de as solicitações de consumo serem hoje incomensuravelmente maiores do que aquelas que assaltavam os consumidores naquela época.

   Com a dificuldade acrescida de entretanto ter sido criado na população, por parte de quem nos Governou, o sentimento de que o Estado tem "a obrigação de", a qual sempre foi irrealista, embora fácil de aceitar porque de benesses se tratavam, uma vez que eram proporcionadas à custa de endividamento e não à custa da redistribuição da riqueza.

   Seria fácil hoje procurar apontar nomes de quem nos conduziu até aqui. Se quisessemos simplificar díriamos que foram todos aqueles que em cada momento tiveram, a partir de 1974, participação directa fosse no Governo, nas Autarquias, nas Regiões Autónomas e também no Sector Empresarial do Estado.

   Uns por interesse fosse pessoal, político ou partidário, conduziram o bem comum como se de quintas privadas se tratassem por forma a retirar delas o que podiam ou que lhes convinha. Outros (muitos) foi por mera incompetência.

   Alguns indicadores utilizados para "medir" as melhorias das condições de vida podem, enganadoramente, apontar algum progresso. Mas trata-se de progresso assente em pés de barro, sem retorno, e que vamos, ou melhor estamos, ou ainda melhor já temos vindo a pagar com língua de palmo.

   Aumentamos o número de quilómetros de auto estrada exponencialmente. Seremos na europa o País com o indicador Km autoestrada/População mais elevado. Era assim tão importante? E o número de automóveis multiplicou por dez, porque o sector financeiro acenou com condições de crédito que quase se poderiam dizer eram irrecusáveis. No imobiliário não há uma explicação lógica para o número de fogos construídos. Hoje 35% do crédito total concedido pelos Bancos está neste sector. Precisavamos assim de tantas casas?

   Aumentou o número de licenciados de forma significativa é certo, mas não aumentou o conhecimento na mesma proporção, nem pouco mais ou menos. Nesta matéria somos como no futebol temos grandes craques mas como equipa somos fraquinhos.

   Foram as promessas de eldourados sem fim, possiveis de conquistar com pouco trabalho e muito crédito, que fomos conduzidos às portas da miséria.

   Miséria, que sem falsos alarmismos se avizinha a passos largos, mesmo para aqueles que há bem poucos vezes julgavam só que iam passar um "bocado" mal. Mas não mais do que isso.

   Ora este orçamento pela forma como está concebido não vai resolver o problema da nossa economia. Pode eventualmente mostrar a quem nos governa (os verdadeiros donos do dinheiro) que estamos a ser alunos bem comportados, para que estes continuem a emprestar-nos mais dinheiro, para podermos continuar a fazer mais e mais cortes.

   Perante quadro tão negro não há por aí ninguém, dos que em algum momento detiveram o poder, que seja capaz de vir a público como o Egas Moniz dizer: Desculpem, eu sou um dos culpados?

   É que o povo gosta de mártires para sua catarse.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 403

Estado de Alma: Sem Orçamento
Livro: Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma
publicado por Lanzas às 10:07

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

OS SUBMARINOS EM VERSÃO PANORÂMICA

    Como é do conhecimento de todos, recebemos recentemente dois submarinos que teoricamente já estão no cumprimento das nobres missões de segurança do território nacional que justificaram a sua compra.

   Têm alguns problemas técnicos de pormenor, que o tempo  há-de resolver, esperando nós que quando estiver ultrapassado  o seu período de vida útil  tudo estará na devida ordem.

   Um dos problemas detectados é o revestimento exterior dos submarinos, cujas chapas têm uma exagerada tendência para se soltarem sempre que o mar faz “carneirinhos”, situação também conhecida na gíria marítima por ondulação de levante.

   Ora tendo em atenção a necessidade de rentabilizar Activos do Estado, e fazer face ao custo de manutenção daqueles “elefantes marinhos”, sempre importante, mas que o Acordo com a Troika tornou premente, queremos deixar uma sugestão ao Governo a fim de conseguir obter mais umas receitas para o OE de 2012.

   Proceda-se à substituição do revestimento actual em chapa dos “bichos” ao que parece pouco adequado para o fim a que se destinava, por um revestimento em fibra de vidro o que permitirá um efeito panorâmico fabuloso.

   Assim, devidamente adaptados poder-se-ia proceder ao seu aluguer para visitas de estudo ao mar das Berlengas, Península de Setúbal e outros locais com interesse para o estudo do fundo do mar e de espécies marinhas, nomeadamente os golfinhos.

   Em desespero de causa também se poderia ceder um dos espécimes a Alberto João, para este poder promover o Turismo na Madeira e assim captar mais umas receitas para umas obrazitas que estão prometidas e que o homem não sabe agora como acabá-las.

  Digo eu que não sou Ministro das Finanças. Só pago impostos.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 402

Estado de Alma: A afundar
Livro: Vasto Mar de Sargaços
publicado por Lanzas às 11:57

link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

EXPLIQUEM LÁ POR FAVOR. JÁ !

   Portugal vive uma crise que obviamente não tem nem só um responsável, nem só uma única causa. Por muito que se entenda que o ex-Primeiro ministro é a cara da actual crise e que foi o seu último mandato que arrastou Portugal para o abismo, as causas, que ele potenciou com a política de arrogância e confrontação que entendeu seguir, tiveram origem lá muito mais para trás e tem muitas caras, algumas agora em lugares cimeiros de Instituições Internacionais.

   Quem não se lembra de umas greves oportunas dos professores no inicio de cada ano lectivo, que sucessivos Governos "de calças na mão" se afadigavam em terminar o mais rápido possível e que sempre davam para os professores arrecadarem mais umas benesses, umas reduções de horários e outras prebendas? E das greves nos transportes públicos e na TAP, feitas em momentos estratégicos, com igual comportamento por parte dos Governos, em nome do interesse nacional, e que davam sempre mais uns trocos, menos umas horas de trabalho, mais uns diazitos de férias e mais umas viagens extra para o pessoal lá de casa.

   Não vamos agora falar nas causas ditas maiores (?) das PPP, dos aumentos de ordenados e diminuição do IVA em anos de eleições, etc. O que lá vai lá vai.

   Só que essa forma  desleixada de fazer política leva a que agora na hora do aperto ninguém se esteja disponível para pagar a conta. Só mesmo à força.

   Dois exemplos (entre tantos outros que poderíamos ter escolhido) revelam essa indisponibilidade:  Salvador Guedes líder da  maior exportadora de vinhos nacionais, com mais de 70% do seu negócio feito no estrangeiro, afirmou “Queremos contribuir para a solução do problema do país. Não enjeitamos as nossas responsabilidades. Mas tememos muito as consequências de uma eventual passagem do vinho da taxa intermédia para a máxima. O resultado seria dramático para toda a fileira”. Portanto o vinho não.

   Detalhe: O IVA não incide nas exportações e a sua empresa vende dos vinhos mais caros do mercado, provavelmente dos melhores, que não são os trabalhadores comuns que os bebem. Eventualmente "o trabalhador" Américo  Amorim.

   Agora os Restaurantes preparam-se para promover também a sua grevezita: "Um dia sem Restaurantes", defende a Associação, em luta contra o aumento do IVA. Portanto restauração também não.

   E poderíamos ir por aí fora porque tudo o que aumenta de preço sofre uma contracção de vendas, com o consequente aumento das dificuldades das empresas e dos respectivos sectores onde se inserem.

   E nas reduções de despesas verifica-se a mesma indisponibilidade. Menos Autarcas? Nem pensar! Exames na saúde com mais ponderação e com custos dos mesmos mais próximo da realidade, e uma maior comparticipação do doente? Então e onde está o  nosso Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito?

   Claro que estamos a ser massacrados com aumento de impostos, diminuição de rendimentos, aperto de crédito para as empresas e famílias. Mas como vamos pagar o que devemos? Ou pelo menos como vamos diminuir drasticamente o que devemos?

   Está em falta uma explicação clara, objectiva, concreta,bem fundamentada,  por parte  dos responsáveis políticos, para as consequências que teremos de enfrentar se não pagarmos.

   E era fundamental que essa explicação aparecesse. JÁ!

   Será que nenhum dos "iluminados" que está na política entende isto?

 

{#emotions_dlg.chat}Post 400

  

  

 

Estado de Alma: Ensombrado
Livro: Sombras do Passado
publicado por Lanzas às 09:47

link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

SACRIFICADOS SIM, MAS INFORMADOS

   Na fase de turbulência, por agora financeira, que a Europa atravessa, Portugal corre o risco de, por “contágio” de uma qualquer Grécia, ou como efeito das suas próprias políticas, vir a ser “convidado” a sair do Zona Euro.

   É uma hipótese que não deve ser minimizada, muito menos descartada.

   Sucede que os portugueses em geral pagam impostos que atingiram já o limiar da razoabilidade, e é também visível quase a olho nu que a população em geral está também a levar muito a sério os avisos sobre a necessidade de consumir menos e de poupar mais.

   Porém era importante que as pessoas sentissem realmente que os sacrifícios que estão a fazer, e os que ainda serão chamados a fazer num futuro próximo, não são em vão, e que se por um lado esses mesmos sacrifícios se destinam a pagar as barbaridades cometidas ao longo de muitos anos mas com incidência especial nos últimos três /quatro anos por políticos incompetentes (no mínimo), por outro se destinam a precavê-los de uma desgraça maior que seria a saída de Portugal da Zona Euro.

   Nunca tendo tido uma opinião favorável à nossa entrada na Zona Euro, e continuo hoje convencido que foi um erro, estou muito à vontade para afirmar que nesta altura a nossa saída seria uma verdadeira catástrofe.

   Por isso era francamente positivo que o Presidente da Republica no exercício do magistério de informação devido aos portugueses, e para evitar visões partidárias que distorcessem a realidade, patrocinasse um conjunto de programas televisivos, que tivessem reflexo na imprensa escrita e nas redes sociais, que de forma simples, esquemática, sem fundamentalismos, informasse o que seriam as consequências práticas da nossa saída da Zona Euro.

   Por exemplo o que representaria para um casal que está a pagar o empréstimo da sua habitação num valor digamos de 600/700 euros mensais, passar a receber o ordenado em escudos, com uma desvalorização mínima de 30 a 40 por cento, e ter de converter parte desse ordenado em Euros, para continuar a pagar o empréstimo que continuaria vinculado a essa moeda.

   Este e alguns exemplos mais, devidamente repisados, levariam com certeza a que as pessoas em geral encontrassem alguma razoabilidade para o enorme sacrifício que estão a fazer e fizesse, também, renascer a esperança de estarem a trabalhar para evitar um futuro ainda mais negro.

   Os portugueses merecem senhor Presidente.

  

{#emotions_dlg.chat}Post 389

Estado de Alma: Martirizado
Livro: O Livro dos Mártires
publicado por Lanzas às 10:07

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

ALBERTO JOÃO JARDIM E AS DÍVIDAS DA MADEIRA

   Sempre tivemos em relação a Alberto João Jardim uma atitude de condescendência para com a sua forma truculenta de estar na política e para a forma desabrida como normalmente trata os que estão contra ele e que na prática são, nem mais nem menos, todos aqueles que não estão obediente e disciplinadamente com ele.

   São duas as razões fundamentais para essa postura. A primeira, porque sendo eu continental (ou melhor cubano no linguarejar próprio de Alberto João Jardim) conheci  a Madeira antes de 1974, e tendo continuado a visitar a Região, com regularidade, depois daquela data pude observar in loco tudo aquilo que por lá foi feito em termos de saúde, educação, vias de comunicação, desenvolvimento local e tantas outras áreas. Ora sendo o Alberto João (como gosta que o tratem lá pela terra) o principal obreiro desse desenvolvimento, ainda que com o dinheiro de todos nós, esse mérito ninguém lhe pode tirar. E estamos a falar de populações absolutamente isoladas, com carências de toda a ordem; e estamos a falar de vias estreitas, sinuosas à beira de precipícios, sem alternativas, em que por exemplo se levava mais tempo numa viagem de táxi do Aeroporto ao centro da Cidade do Funchal, do que na viagem de avião Lisboa/Funchal. E estamos, por exemplo, a falar da construção de escolas e extensões de Centros de Saúde em locais recônditos, mas que se tornavam absolutamente necessários face às dificuldades de deslocação das populações.

   A segunda razão é que em 35 anos de Chefia política, Alberto João Jardim venceu cerca de 40 eleições, não tendo perdido nenhuma, sem que os seus adversários pudessem apontar, com provas, quaisquer aproveitamentos patrimoniais, ou outros, para si ou para familiares que lhe sejam próximos, o que num País como Portugal não é despiciendo, tendo em atenção o que ao longo dos anos temos visto desde Presidentes de Câmara, a ex-Ministros, Deputados, e por aí fora. 

   Porém face às notícias vindas hoje a público, segundo as quais estão em causa encargos da Região Autónoma da Madeira que não foram registados e Acordos para Regularização de Dívidas que não foram reportados  ao INE e ao BdP, as duas entidades responsáveis por apurar as contas nacionais, às quais só após diligências próprias terão chegado informações, entre o final de Agosto e esta semana, que dão conta de Acordos de Regularização de Dívidas celebrados em 2010, com um valor aproximado de 571 milhões de euros,  mais 290 milhões de euros de juros de mora  que podem pôr em causa as contas da Republica, sendo que também relativamente a 2011, são mais 11 milhões de euros referentes a acordos respeitantes a dívida contraídas desde 2005 e juros de mora  de 32 milhões de euros relativos ao primeiro semestre que não foram reportados, bem como não terão sido ainda comunicados os encargos que não foram objecto destes acordos relativos a serviços de saúde de 2008, 2009 e 2010, em montantes de 20, 25 e 54 milhões de euros, respectivamente, dirijo a Alberto João Jardim algumas passagens da Carta Aberta que em 28 de Abril de 2010 dirigi ao então Primeiro Ministro pedindo-lhe que se demitisse. E apenas algumas, poi a referida carta não se lhe aplica na íntegra:

   "... Entendo quanto doloroso deve ser descer sem glória uma montanha que foi subida a pulso, com esforço, e também com algum mérito, ...  Mas é do fundo do coração que lhe digo: Vale bem mais descer uma montanha pelo seu próprio pé, ainda que sem glória, do que vir aos trambolhões por ela abaixo..."

   Ora a serem verdade as políticas de desorçamentação e de desinformação anunciadas na imprensa, as mesmas são incompatíveis com aquilo que exige a coesão nacional, ou seja que no mínimo todas as entidades responsáveis cumpram o seu dever de reporte atempado  aos órgãos nacionais de todos os compromissos assumidos, e isto sem escamotear dados, pelo que Alberto João Jardim deixou de reunir as condições mínimas indispensáveis para se recandidatar à Chefia do Governo Regional da Madeira. Podem os seus detractores dizer que já não é de agora. Mas pelo menos de agora em diante é com certeza.

   Dr. Alberto João Jardim, por tudo aquilo que fez pela Madeira e pelos madeirenses não vá a jogo nas próximas eleições de Outubro. Indique um nome capaz de o substituir, e creia terá para sempre o reconhecimento da grande maioria do Povo madeirense, pela obra que deixa.

   Se não o fizer acabará, como todos aqueles que se querem eternizar seja no Governo de um País seja no de uma Região,  por ser empurrado, sem contemplações, pela escada abaixo o que  não será, de todo,  justo. É que de Generais insubstituíveis estão os cemitérios cheios. Incluindo os da Madeira.

   Quando em 28 de Abril de 2010 aqui escrevi a Carta Aberta pedindo a demissão do ex-Primeiro Ministro a mesma foi considerada deslocada por muito boa gente.

   Este apelo também não está.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 386 

Estado de Alma: Madeirense(apesar de tudo)
Livro: A Ilha dos Encantos
publicado por Lanzas às 16:47

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 23 de Agosto de 2011

O TGV OUTRA VEZ

   Pertencemos ao elevado número de portugueses para quem não existe grande diferença entre serem governados pelo PS ou pelo PSD. Embora existam algumas diferenças programáticas entre os dois partidos, elas esbatem-se de forma acentuada face às conjunturas, aos ciclos económicos e à capacidade de quem a cada momento está no poder.

   Pertencemos também ao elevado número de portugueses que face à politica de um ex-Primeiro ministro, sem qualificação para o cargo, descredibilizado e sem uma política que desse um mínimo de esperança aos portugueses, virado para uma confrontação verbal permanente com a oposição e para uma despropositada propaganda ilusória (pelo menos), apostou numa alteração do quadro político vigente, tal como já o havia feito anteriormente mas em sentido inverso, quando o PSD face à "fuga" do seu então Primeiro Ministro eleito, arriscou na sucessão do mesmo sem ir a votos, com as nefastas consequencias conhecidas que daí advieram.

   Desta vez, para além das questões de forma, sempre importantes em política, existiam igualmente outras nomeadamente a continuação de obras faraónicas, que oportunamente aqui criticamos e apelidamos de obras do regime, tais como a construção do TGV e do Novo Aeroporto de Lisboa, que impunham uma mudança de rumo.

   Não discutimos na altura, nem agora, a importância de estarmos ligados à rede transeuropeia de transportes, nem a conveniência de construir um Novo Aeroporto que evite a canibalização das viagens aéreas por parte dos aeroportos espanhóis.

   Discutimos sim a oportunidade do lançamento de tais obras.

   Portugal está na situação de um cidadão que sabe ser um determinado medicamento importante para a manutenção da sua qualidade de vida, mas como a reforma ou o salário não chegam para o comprar resignam-se a não o tomar, com as consequências negativas que daí advém.  E isto não é demagogia. Basta falar com alguém ligado ao ramo farmacêutico, para se ouvirem histórias de pasmar.

    Julgávamos que essa megalomania estava por agora ultrapassada, porém com o avolumar das notícias avulso que vão "pingando" aqui e ali, as quais dão conta que o actual Governo se prepara para dar continuação à construção do TGV, neste momento um investimento ruinoso para os portugueses, depois de se ter oposto, enquanto oposição na anterior Legislatura, de forma frontal à sua construção  e ter feito uma campanha eleitoral durante a qual a suspensão dessa obra, tal como a do Novo Aeroporto, foi uma das principais bandeiras, é de antever o pior.

   Com efeito, e caso tal venha a acontecer trata-se de uma verdadeira VIGARICE política, que merece o mesmo repúdio que  mereceu a assinatura dos contratos para execução da obra, sem o visto do Tribunal de Contas, por parte de um antigo Ministro das Obras Públicas, cujo nome desconhecemos, para tornar a sua construção irreversível ou então proporcionar chorudas indemnizações às empresas envolvidas, e isto a poucos meses de eleições.

   Já tinhamos ficado de pé atrás com o actual Governo, que quando do lançamento do Imposto Extraordinário (vulgo corte do Subsídio de Natal) isentou os investidores financeiros do pagamento do mesmo, na senda aliás do que havia feito o anterior governo ao permitir a antecipação da distribuição de dividendos, sem que os mesmos fossem taxados, deixando no ar um sentimento de que afinal tudo continua como dantes, excepto para os mais pobres que pagam mais impostos.

   Ficamos atentos, aguardando pelo final de Setembro quando serão definitivamente decididas, dizem do Governo, as políticas em matéria de transportes.

   Espero sinceramente, tal como centenas de milhar de portugueses, não ser enganado.

   É que mesmo em política há um linha de credibilidade que não deve ser ultrapassada. Para não serem todos iguais.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 381 

Estado de Alma: Agoniado (quase a vomitar)
Livro: Brevissimo Inventário
publicado por Lanzas às 13:27

link do post | comentar | favorito

EM DESACORDO

Janeiro 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

posts recentes

O ORÇAMENTO DO NOSSO DESC...

ARTUR SANTOS SILVA - UMA ...

E VIVA ESPANHA ...

O COISO E AS COISAS

COM PAPAS E BOLOS ...

MONTOYA & AMORIM - A MEMÓ...

A TRAGÉDIA GREGA

AS CEM MANEIRAS DE GERIR ...

SUBSÍDIOS PARA QUE VOS QU...

GREVES PARA QUE VOS QUERO...

arquivos

Janeiro 2015

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Procurar no blog

 

links

blogs SAPO

subscrever feeds

blogs SAPO

tags

todas as tags