Quinta-feira, 15 de Março de 2012

MALTA, VAMOS A UMA REVOLUÇÃOZINHA?

    Otelo Saraiva de Carvalho voltou publicamente a considerar necessária no actual contexto político a actuação das Forças Armadas, a qual deveria passar por "uma operação militar que derrube o Governo que está em funções”.

    Em linguagem comum que efectivasse um Golpe de Estado.

    Ora apesar de terem sido proferidas por Otelo Saraiva de Carvalho, e terem por isso o valor que tem, tais declarações continuam na senda de anteriores declarações suas  sobre o mesmo assunto, a revelar uma nostalgia do poder completamente fora de contexto, e que já deveriam ter merecido uma actuação por parte dos responsaveis pelo estado de direito em que, supostamente, nos encontramos.

     Não defendemos que a opinião por ele perfilhada:  "E, oxalá que, realmente não tenhamos que um dia encher a arena do Campo Pequeno com muitos contra-revolucionários, antes que os contra-revolucionários nos metam a nós no Campo Pequeno"  Otelo Saraiva de Carvalho - 15/6/75, devidamente adaptada, lhe deva ser aplicada, mas por outro lado não nos restam grandes dúvidas que o contínuo apelo à prática de infracções graves às regras militares e constitucionais por parte de quem não teve ao longo do tempo um comportamento exemplar, e mesmo que tivesse tido, está a ultrapassar todos os limites.

    É que se nada for feito, quando um dia destes grupos de arrivistas conotados com regimes pouco ou nada democráticos vierem para a rua apelar a sublevação, ao confronto com as autoridades ou à destruição dos bens públicos e privados ter-se-á perdido a moral para os combater, pois deixou-se entretanto proliferar uma sensação de impunidade para os constantes apelos revolucionários.

   Tenho ideia que há em Portugal uma entidade que deveria tomar conta deste tipo de infracções.

   Ou será que já foi reinar para Inglaterra?

 

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Estado de Alma: A ver a revolução passar
Livro: Filho da Guerra
publicado por Lanzas às 11:27

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Terça-feira, 13 de Março de 2012

VITAL MOREIRA E A MESQUINHEZ

 

   A forma agressiva como Vital Moreira defendeu que Cavaco Silva fez uma interpretação errada da constituição, ao afirmar que o Presidente da Republica foi  "mesquinho e revelou espírito vingativo” tem de se considerar excessiva, e vai muito para além de meras considerações políticas sobre determinada actuação política.

   Pode-se defender se alguém, neste caso o Presidente da Republica, interpreta bem, ou não, um determinado artigo da constituição, mas Vital Moreira não tem o monopólio dessa interpretação, até porque o faz à luz de convicções políticas o que como se sabe não são boas conselheiras quanto à imparcialidade,  mas já não é defensável que pontos de vista diferentes mereçam as classificações atribuídas por Vital Moreira. Há um dever de contenção mínimo, que foi ultrapassado, por quem invoca que  o "Presidente não pode dar mostras de imoderação incontida”.

   Bem prega Frei Tomás ….

   Mas o que devia estar verdadeiramente em análise são as decisões que foram tomadas na altura pelo ex-Primeiro Ministro  sem informar os órgãos de soberania eleitos, o que deveria ter feito, no mínimo por uma questão de solidariedade,  bem como os partidos da oposição que o haviam ajudado a viabilizar outros pec's, não o tendo feito com o propósito nítido destes se  verem posteriormente  confrontados com compromissos irreversíveis,  que não lhes fosse  possível contestar.

   Vital Moreira, tem razão, quando afirma:  "se Cavaco Silva considerava tão grave a conduta de Sócrates, em termos de lhe atribuir dimensão histórica, não se compreende que na altura própria não tenha exigido uma explicação pública ao primeiro-ministro, para não falar na possibilidade de o demitir ..."

   Mas não o terá feito por se ter apercebido que a razão que esteve por detrás da conduta do ex-Primeiro Ministro era fundamentalmente criar as condições para ser demitido, e assim se poder vitimizar.

   Acreditamos que a história pode ser bom juiz da conduta do ex-Primeiro Ministro. Mas não só.

 

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Estado de Alma: Moderado
Livro: A Constituição Portuguesa
publicado por Lanzas às 13:57

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Segunda-feira, 12 de Março de 2012

MIGUEL RELVAS - "0 ADAPTADO"

 
 
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Estado de Alma: Em adaptação
Livro: Super Homem
publicado por Lanzas às 09:27

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Quinta-feira, 8 de Março de 2012

VITOR GASPAR O NOVO SALAZAR

   Com o devido respeito pelas diferenças culturais, políticas e ideológicas, entre ambos, e sem qualquer conotação negativa,  consideramos que Vitor Gaspar, o actual Ministro de Estado e das Finanças , está a tornar-se um verdadeiro Oliveira Salazar dos tempos modernos.

   É certo que não foi chamado à ribalta por um grupo de militares que da forma de governar o País não tinham a mais pálida ideia, mas foi chamado por uma Troika, ainda que digam que não, que foi o primeiro ministro que escolheu, blá, blá, blá, tretas, cujas armas de que dispõe: os juros, os mercados, os defauld, os colaterais, os cds e outros mimos que tais, não são menos mortíferas do que aquelas que os militares têm por hábito de empunhar.

   É certo que Vitor Gaspar tem mais mundo do que teve Salazar, e o mundo actual é diferente, mas tem todos os seus tiques, nomeadamente os do posso, quero e mando;

   É certo que ainda não tem a força política que teve Salazar, para quem na altura não havia alternativa, para impor as suas condições: Ou é assim, ou vou-me embora;

   Mas que tem a firme vontade, tal como Salazar, de dominar tudo à sua volta, desde a contratação de professores, ao controle dos Fundos, sejam do QREN, sejam quaisquer outros, e à supervisão sobre os investimentos dos Ministérios, Câmaras Municipais ou Empresas Públicas, para daí partir para o poder total, isso tem.

   A criação ontem em conselho de ministro da Comissão Intermenisterial de Reprogramação dos Fundos Comunitários, foi a ultima decisão para lhe garantir esse poder quase absoluto.

   Pode ser que seja necessária neste momento toda esta concentração de poderes num homem só, mas à vista desarmada parece excessiva.

   Pedro Passos Coelho ainda não é nem a rainha de Inglaterra, nem Américo Tomás, mas atenção quando chegar o tempo do tudo ou nada, que será o momento do pedido de demissão de Vitor Gaspar quando este sentir que essa será a melhor maneira de conseguir o poder absoluto.

   E nesse momento uma de duas coisas vai acontecer: Ou vai para parte incerta vigiar os que se portam mal como Portugal, se tiverem a coragem de lhe entregarem a guia de marcha,  ou então fica e é ele quem fica a mandar absolutamente, qualquer que seja o lugar que desempenhe.

   A história, como a moda repetem-se ciclicamente, mais dia, menos dia.

   E nós já vimos este filme.

 

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Estado de Alma: Sroikado
Livro: Salazar, by Franco Nogueira
publicado por Lanzas às 12:00

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Sexta-feira, 2 de Março de 2012

CULTURA SIM ... MAS

 

   Nos tempos em que o dinheiro brotava do chão (emprestado), como o petróleo nas cálidas paragens do Médio Oriente, e quando os negócios com a Venezuela se "multiplicavam" a um ritmo frenético (os mesmo contratos assinados três vezes), e as festas nas tendas dos beduínos do senhor Kadhafi eram um must, foi assinado pela então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, um protocolo que prevê entre outras coisas, a possibilidade do Estado poder optar pela aquisição da colecção Berardo em exposição no Centro Cultural de Belém por 316 milhões de euros.

   É conhecida a forma como Joe Berardo negoceia, aliás a assinatura do protocolo acima referido foi antecedida de fortes pressões, que foram quase, quase, uma chantagenzinha, sobre o governo da altura, e que levaram o ex-Primeiro Ministro, numa decisão pouco fundamentada e meramente política, a “alienar” um espaço que era multidisciplinar e que permitia variados eventos virados para variados públicos numa galeria de arte destinada à "glorificação" do proprietário das obras que, verdade seja dita, na altura não tinha  onde as colocar.

   Enfim, essas são águas passadas. As que passam actualmente debaixo da ponte revelam novamente a faceta de bom negociante de Berardo que ao pressentir não estar o governo disposto, e muito bem no contexto actual, para pagar 316 milhões de euros por uma colecção de arte, por muito importante que ela seja, embora tal classificação seja passível de discussão, “arranjou” um interessado na sua aquisição por 700 milhões “ou até mais”.

   Ora o secretário de Estado da Cultura declarou-se disponível em nome do Governo para libertar o empresário Joe Berardo do compromisso que tem com o Estado português relativo à sua colecção de arte contemporâne dado que:  “nós não podemos sequer acompanhar o valor inicial de 316 milhões, quanto mais os 700 milhões agora oferecidos”. “Os portugueses perceberão que o Estado português não pode, nestas circunstâncias, fazer a aquisição desse acervo, que é importantíssimo”, afirmou ainda Francisco José Viegas.

   É de aplaudir esta posição do Governo, pois é  imperiosa a necessidade   de se transmitir aos que são esmagados com impostos, que por acaso as Fundações não pagam, que os seus esforços não servem para pagar vaidades, e a posição assumida é um sinal claro disso mesmo.

   Sabemos, sabemos mesmo, que a cultura é importante. Mas quando se fala de cultura não é a das "obras-primas" da pintura conteporânea que se trata, e grande parte das obras da colecção são “primas” muito afastadas, mas sim o que na Escola (do Jardim de Infância à Universidade) se pode e deve ensinar. Aí sim, é o local onde se deve construir a cultura do nosso Povo.

   As obras de arte vêm a seguir. Entretanto deixem Berardo realizar as mais-valias que são dele, vejam se lhe cobram alguns impostos nesse negócio, e entreguem o espaço a Vasco Graça Moura para este realizar o trabalho que o Centro Cultural de Belém, uma peça arquitectónicas inestimável, merece.

 

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Estado de Alma: A olhar pró boneco
Livro: A Arte de Prado
publicado por Lanzas às 18:07

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Quinta-feira, 1 de Março de 2012

NEM TODOS OS RIOS VÃO DAR AO MAR ...

... ALGUNS SECAM NO LEITO  

Rui Rio afirmou ontem em entrevista à SIC: "é quase certo que o governo português vai ter de pedir mais tempo e mais dinheiro à troika porque de outra forma não haverá crescimento nem criação de emprego”, num discurso contrário ao do líder do seu partido, e primeiro-ministro, que tem garantido que não há necessidade para qualquer ajustamento ao programa aprovado.
    Esta afirmação subscrita por António José Seguro mereceria toda a nossa concordância, por um lado porque realmente parece inevitável, por outro lado porque se trataria do líder da oposição a dizê-lo, como aliás já tem feito noutras ocasiões, em contraponto aquilo que Passos Coelho tinha  dito em Itália poucas antes,  de  ”estar convencido que Portugal tem condições para regressar aos mercados no prazo previsto”.

    Rui Rio acrescentou ainda, que se trata de um cenário lhe parece "muito, muito difícil de alcançar", e reforçou dizendo que "se conseguirmos isso (e parece dificílimo) temos de levar não sei quantas medalhas de ouro desde o primeiro-ministro ao português mais humilde porque fizemos um feito notável".

   Já se sabe que o PSD é um partido democrático onde convivem todas as correntes de opinião, mas ouvir um putativo candidato à presidência do mesmo, ou será já a pré-candidatura à Presidência da Republica? contrapor tão abertamente o presidente do partido, numa espécie de marcação cerrada, é por um lado  dar trunfos aos adversários políticos e por outro ser uma voz crítica destinada a ser aproveitada indevidamente pelos que advogam posições cada vez mais radicais, ás quais é sabido Rui Rio se opõe, pelo que deveria  ser mais prudente nas afirmações proferidas.

   Para terminar, duas citações que valem o que valem:

   " … ali do outro lado estão os meus adversários; os meus inimigos estão sentados aqui nas bancadas do nosso lado” Churchill na Câmara dos Comuns (mesmo que esta frase seja só lenda);

   "... eu realmente tenho dificuldades em dar conselhos ao Governo português. Aliás, detesto dizê-lo, mas não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito agora." Paul Krugman em entrevista publicado pelo Jornal Público.

   Para bom entendedor não eram preciso tantas palavras.

Estado de Alma: Na hora do embalo
Livro: Caminharei Pelo Vale da Sombra
publicado por Lanzas às 12:27

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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

QUEM PERGUNTA QUER SABER

 

 

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Estado de Alma: A Voar
Livro: Voando Sobre Um Ninho de Cucos
publicado por Lanzas às 10:37

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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

ÁGUA PURA DA RIBEIRA, OU DA TORNEIRA?

   Podemos estar descansados porque os nossos Deputados não deixam passar nada, mesmo nada, nem o custo da água que bebem, embora pelos menos alguns deles nem a água que bebem mereçam.

   Mas voltando ao assunto, que é de tal forma sério que fazia parte dos  dossiers de avaliações da Troika para saber se nos libertavam ou não mais um milhõezitos de euros, para juntar aos que já vieram e aqueles que se Deus tiver piedade de nós hão-de vir, podemos realmente estar descansados, porque depois de estudos exaustivos, de várias reuniões, algumas comissões e quem sabe algum plenário chegou-se à conclusão definitiva, insofismavel, sem qualquer possibilidade de desmentido, inatacável:

   A ÁGUA ENGARRAFADA É TRINTA VEZES, TRINTA MEUS SENHORES, MAIS BARATA DO QUE A ÁGUA DA TORNEIRA.

   Finalmente vamos poder dormir tranquilos, os nossos Deputados vão continuar a beber águinha engarrafada. Só e exclusivamente porque é trinta vezes mais barata do que a da torneira, porque senão numa demonstração de solidariedade, com os desempregados, os deserdados, os que pagam impostos e não recebem subsídios de natal nem de férias era dessa mesma, a da torneira, que beberiam.

   Ditosa Pátria que tais Deputados tem.

   Se não fosse trágico viver em Portugal era realmente muito divertido.

 

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Estado de Alma: A beber um fino
Livro: Fluviais
publicado por Lanzas às 15:27

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NÃO HÁ PONTO SEM NÓ, OU ANDAM FUMOS NO AR?

   É sabido ser Pinto da Costa uma das pessoas que mais sabe de futebol e que não tem por hábito, como diz o povo português, "dar ponto sem nó".

   Também é sabido ser uma das pessoas que melhor gere os silêncios ou as palavras, de acordo com os seus interesses com é evidente.

   A fotografia publicada nos jornais que mostra Pinto da Costa a assistir ao jogo de Manchester na companhia de André Villas Boas, "fala" mais e melhor que mil palavras, sem que alguma tenha pronunciada. Para bom entendedor ...!

   É manifestamente um recado para o balneário, com destinatário conhecido, embora a nível desportivo possa ser algo controversa pois no caso do Futebol Clube do Porto ter passado a eliminatória, e o Chelsea também, poderia dar-se o caso dos dois clubes terem de defrontar-se, pelo que teria talvez sido de evitar manifestações tão efusivas.

   Claro que  não vem mal ao mundo por dois amigos assistirem a um jogo de futebol juntos, embora a mensagem passada parecer querer mostrar que a porta do regresso está aberta tal como aconteceu com Lucho Gonzalez que após ter rendido 24 milhões de Euros, volta dois anos depois a custo zero.

   Afinal Villas Boas só rendeu 15 milhões.

   Para quem sabe não custa nada.

 

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Estado de Alma: A ver a banda passar
Livro: Não Há Acasos
publicado por Lanzas às 13:17

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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

BARRETES VERDES

 
 
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Estado de Alma: No Carnaval
Livro: Gatos e Mais Gatos
publicado por Lanzas às 12:07

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