Domingo, 8 de Maio de 2011

PORTUGAL, SA

   Analisado o Acordo celebrado entre as Instituições Internacionais e o Governo Português, o qual obteve igualmente o acordo, ou pelo menos a sua aceitação, por parte dos outros dois partidos do chamado arco governamental, verifica-se que Portugal dispõe finalmente de um Programa de Governo para os próximos três anos com áreas de actuação perfeitamente identificadas, objectivos concretos definidos e com prazos precisos para a sua execução, ao contrário do que tem sucedido até agora com  os sucessivos Governos em que os Programas apresentados se limitavam a um arrazoado que ninguém lia, poucos conheciam, e só servia para ser utilizado como arma de arremesso à oposição, quando os Governos pretendiam impor alguma medida por mais estafurdia que fosse, utilizando o sacrossanto argumento: "Tal como consta no Programa do Governo".

  Ao contrário da paranóica NÃO APRESENTAÇÃO do Acordo por alguém que não se sente constragido em dizer hoje  exactamente o contrário do que disse ontem, trata-se um programa que vai sair da "pele" dos portugueses. Mas que neste caso, apesar de tudo, merece uma melhor aceitação por parte da generalidade do País pelo facto de fazer acreditar ser possível reverter a politica económica desastrosa que tem sido seguida, e que pode se bem explicado e melhor aplicado servir de base para uma mobilização geral para fazer face ao desastre anunciado.

   Porém, mais do que os conteúdos do Acordo, o que verdadeiramente nos deve preocupar é a sua aplicação concreta. Em termos estritamente profissionais não seria nada do outro mundo. Um bom Gestor de Empresas com este Acordo numa mão, um Manual Político de Instruções na outra, e uma remuneração atractiva, com um bom prémio por objectivos, dispondo de autonomia para escolher a sua equipa e evitar intromissões no seu trabalho que não fosse a obrigatoriedade da apresentação regular e calendarizada dos resultados obtidos para permitir a verificação da prossecução dos objectivos definidos, conseguiria esse desiderato com relativa facilidade.

   Por isso temos pugnado para que por uma vez, uma única vez, os Partidos responsáveis leia-se (PS e PSD, eventualmente com o CDS) se pusessem de acordo, antes das eleições, para a apresentação conjunta da Figura que viria a Chefiar o próximo Governo durante os próximos três anos, durante os quais executaria as medidas consignadas no Acordo já subscrito, bem como as que viessem a constar do Manual Político de Instruções emanado desses mesmos Partidos.

   Se isto for inconstitucional, e não me parece que o seja, então aplique-se o mesmo princípio definido pelo Governo quando dos cortes da remuneração dos funcionários públicos: "Há princípios que se sobrepõem, (à Constituição) nomeadamente o interesse público de assegurar a sustentabilidade das contas públicas."

   Aos Partidos caberia fazer aprovar as Leis emanadas desse Governo as quais permitiriam a concretização dos objectivos traçados; fazer a pedagogia democrática junto da população; reciclar os seus Dirigentes e prepará-los para os desafios aliciantes que a partir de 2014 poderiam protagonizar, depois uma escolha democrática por parte dos eleitores.

   Pode dizer-se que estou a sonhar. É capaz de ser verdade... mas atenção ao poema de António Gedeão :

                                                                                                               

                              Eles não sabem, nem sonham,
                              Que o sonho comanda a vida,
                              Que sempre que o homem sonha 
                              O mundo pula e avança
                              Como bola colorida
                              Entre as mãos de uma criança.

 

       {#emotions_dlg.chat}Post 319

 

Estado de Alma: A Sonhar
Livro: Audácia da Esperança
publicado por Lanzas às 15:57

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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS

   É sabido que os eleitores são os Deuses dos políticos. São eles, os Deuses, que lhes oferecem as suas prebendas (os votos), lhes dão ou retiram notoriedade, validam ou não as suas políticas.

   É pois no mínimo estranho que após seis anos de uma política errónea, concebida para ser executada de acordo com os calendários eleitorais, por um Primeiro ministro que notoriamente não reúne condições para o cargo (são conhecidas e relatadas amiudadamente na imprensa os seus ataques de fúria durante os quais  OVI's - Objectos Voadores Identificados, vulgo telemóveis, executam vistosas mas arriscadas trajectórias no céus dos gabinetes) e cuja forma de estar na política pode ser considerada de dissimulada, pois é arrogante e prepotente quando se encontra em superioridade numérica, e supostamente humilde quando essa superioridade desaparece, mas sempre vingativo e pronto para denegrir na primeira oportunidade, os inimigos, leia-se adversários políticos; as sondagens publicadas hoje pela imprensa, a um mês das eleições que se vão nomear os Gestores do Acordo para os próximos anos coloquem o partido de José Sócrates com uma vantagem de 2% face ao Partido de Pedro Passos Coelho.

   Isto apesar de 74% dos Deuses acharem que o actual Governo é mau ou mesmo muito mau, o que não admira, pois para executar uma política de combate eleitoral permanente José Sócrates tinha de se rodear de Ministros de 2ª ou mesmo 3ªs. linhas, alguns dos quais  nem no Arrentela tinham lugar, ou boys do partido sem capacidade de imporem o que quer que seja e suficientemente "maleáveis" para abanarem com a cabeça a tudo o que o lhes era imposto, o que sobretudo no 2º. mandato foi notório, com algumas honrosas excepções, nomeadamente de Luís Amado um paradigma de independência face ao Grande Líder, e apesar de tudo Teixeira dos Santos, embora este com um percurso político mais sinuoso, que a sua carreira académica e profissional não fazia crer ser possível.

   Ora uma política destas tinha necessariamente de acabar em tragédia. Foi o que aconteceu. Apesar de se ter conseguido um bom Acordo, face às circunstâncias, com o FMI/UE/BCE, a sua implementação tem enormes custos e comporta pesados sacrifícios para a generalidade dos portugueses, mas particularmente para os mais necessitados.

   Por isso mesmo e face às sondagen publicadas os Deuses, ou seja o eleitores, devem mesmo estar loucos.

   Esperemos que se curem a tempo de evitarem outra catástrofe.

 

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Estado de Alma: Louco, como os Deuses
Livro: Os Deuses que Fizeram o Cé e a Terra
publicado por Lanzas às 15:12

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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

TEIXEIRA DOS SANTOS - UM HOMEM SÓ

   Ao longo do tempo temos escrito algumas vezes sobre Fernando Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças nos Governos Sócrates, normalmente para contestar a política económica de que tem sido o rosto, mas sempre ressalvando as suas qualidades pessoais e profissionais.

   Basta ler o seu curriculum para se perceber que se trata de um homem que ao longo da vida foi associando especialização à sua actividade, foi consolidando competências e juntando experiência ao saber.

   É por isso um mistério digno de um "case study" o porquê de se ter deixado colonizar por um Primeiro ministro que manifestamente não o estima, e que se tem aproveitado, quando lhe convém, do seu saber e prestigio.

   Um dia hão-de ser conhecidas as razões que conduziram a tal submissão e que estiveram na base de um comportamento no mínimo estranho, pois para espanto de muitos, decisões absolutamente irracionais e eleitoralistas,  de José Sócrates e do Partido Socialista, como a descida do IVA e o inacreditável aumento dos funcionários públicos em 2009 não tiveram da sua parte uma recusa frontal ou, em alternativa, a sua demissão o que à partida não se coaduna com aquilo que é conhecido acerca da sua frontalidade ou desapego ao poder político de que manifestamente não precisa, pois é detentor de uma carreia académica e profissional sólida e inquestionável, mas que não evitaram o seu afastamento das listas para deputados à futura Assembleia da Republica, um triste episódio escondido atrás de uma história manifestamente mal contada.

   A grosseria de Vieira da Silva, coordenador do processo de elaboração das listas PS acerca do seu afastamento: "... em relação ao actual ministro de Estado e das Finanças,  não se colocou a questão de Teixeira dos Santos ser convidado para integrar as listas ...", não é mais do que a vingança, servida fria, do aparelho partidário aos intrusos  que ousam ocupar the jobs que na sua óptica são exclusivamente "for the boys".

 É uma atitude indigna por parte do partido que nunca o tendo acolhido verdadeiramente dele se utilizou quando precisou da sua imagem para tentar caucionar e credibilizar políticas partidárias incongruentes. 

  A sua patética presença ao lado de José Sócrates na NÃO COMUNICAÇÃO que este fez ao País sobre o Acordo com a troika é a todos os títulos lastimável, e as suas respostas de circunstância às questões hoje colocadas pelos jornalistas sobre o seu papel nestas negociações: "tenho a sensação de dever cumprido", bem como sobre o estado da sua relação institucional com José Sócrates: "fui encarregado pelo primeiro-ministro de conduzir as negociações com a troika, e com certeza que não as conduzia à revelia do senhor primeiro-ministro", são a parte visível dum iceberg imenso de divergências. 

   O que aconteceria neste País se este homem, Fernando Teixeira dos Santos falasse hoje, acerca do que verdadeiramente se passou nos últimos seis anos? Não sabemos.

  Mas sabemos que o deveria fazer para evitar futuros desmandos.

  E então teria resgatado a sua dignidade política.

Estado de Alma: De todas as cores
Livro: O Que Diz Molero
publicado por Lanzas às 12:01

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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

FMI - A NÃO NOTÍCIA

   Foi absolutamente deprimente o que se passou ontem no panorama televisivo português. A partir de uma NÃO notícia a qual foi cuidadosamente encenada por José Sócrates, com o inenarrável Ministro das Finanças Teixeira do Santos a seu lado, fazendo o papel do maestro José de Melo no programa televisivo o "Museu do Cinema" apresentado nos anos 50 a 70 por António Lopes Ribeiro, que entre outros pontos de interesse incluía a forma brejeira, que foi glosada pelo País inteiro, como este se dirigia ao maestro: "Melo diz boa note ao senhores telespectadores"; todos os canais televisivos se desdobraram na apresentação de comentadores, mesas quase redondas e outros formatos para comentar o que não sabiam, pois José Sócrates limitara-se a dizer cinco coisas que não viriam no Acordo e aproveitou para mais um ataque "a todos aqueles que ...", o que em linguagem "socratiana" quer dizer todos os que não pensam como ele.

   É sabido que José Sócrates deve a sobrevivência política à sua capacidade de reescrever os acontecimentos. Partindo de um qualquer facto, reescreve-o e a partir daí parte para um combate feroz, como se aquela tivesse sido a realidade, comprometendo os adversários, obrigando-os a sucessivos desmentidos, normalmente sem grande êxito, e cerceando-lhes a sua capacidade para desenvolver os seus verdadeiros pontos de vista. Até agora tem resultado.

   Aliás esta forma de estar na política como Primeiro ministro teve o seu inicio logo no seu primeiro mandato, quando partindo de um défice pura e simplesmente não existente criado e inflacionado com a ajuda do seu "compagnon de route" Vítor Constâncio, a quem "pagou" essa inestimável ajuda com uma colaboração activa na sua nomeação para a Vice-Presidência do BCE, criou as condições para o aumento dos impostos, nomeadamente do IVA, quando a sua campanha eleitoral tinha sido feita à base da promessa do não aumento dos impostos. A promessa de diminuição de desempregados, o cheque bebé, e outras promessas similares são apenas detalhes de uma forma questionável de fazer política.

   Uma pessoa que assume perante todos os portugueses, na televisão, na imprensa escrita, no partido, que: "Não estou disponível para governar com o FMI", entidade com quem menos de um mês depois celebra um acordo, e é candidato a Primeiro ministro para o executar, não reune as qualidades mínimas  para ser Primeiro ministro de Portugal.

   Se voltar a ser, não nos queixemos. Limitemo-nos a pagar os seus delvaneios e boca calada.

Estado de Alma: Arreganhado
Livro: A Contradição Humana
publicado por Lanzas às 10:45

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Terça-feira, 3 de Maio de 2011

SAUDADES DO PEC 4

 

 

{#emotions_dlg.chat}Post 314 (Os Manos XXXI)

Estado de Alma: Com saudade ... vai-te embora
publicado por Lanzas às 15:30

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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

E A AVESTRUZ SOU EU ?

 

{#emotions_dlg.chat}Post 299

Estado de Alma: No areal
Livro: As Prodigiosas Vitórias da Psicologia Moderna
publicado por Lanzas às 10:15

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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

ÁGUA PURA DA RIBEIRA

   É com toda a franqueza que o digo: Sinto tristeza por Teixeira dos Santos. Sei que o senhor não precisa da minha comiseração, mas tal não invalida que a expresse.

   É de pungente sofrimento a mascara de mártir que ostenta nas fotos que diariamente são publicadas na imprensa e é de tristeza, diria mesmo de dor, a sua postura quando se apresenta perante as câmaras de televisão.

   É óbvio que tem culpas no cartório, e temos comentado algumas das medidas politicamente condenáveis que assumiu ou "foi obrigado" a assumir, dado que  foi arrastado, sem dó nem piedade, para o pântano, por quem tinha necessidade de apresentar um nome credível para dar o corpo às balas, pela sua (dele) política económica sem credibilidade.

   Como escrevemos recentemente só o desnorte que se verifica no Governo permite que ontem Teixeira dos Santos tenha afirmado: "O Governo obviamente negociará e empenhar-se-á em ser um facilitador dos contactos e diálogo com outras forças políticas para que elas também se comprometam perante essas organizações" quando na passada sexta-feira afirmou: "Chamo a atenção que quem tem de negociar com a oposição não é o Governo, são as partes envolvidas do lado europeu. Essa não é uma responsabilidade do Governo”. Paradigmático.

   Entretanto o primeiro-ministro convocou para hoje os partidos para reuniões com vista à discussão do processo de negociação do pedido de ajuda financeira a Portugal, quando há três semanas na apresentação da sua moção de recandidatura como secretário-geral do PS, afirmou que "a agenda do FMI e da ajuda externa levaria o país a suportar programas que põem em causa não só o nosso estado social mas também o que é a qualidade de vida de muitos portugueses e eu não estou disponível para isso", afirmando repetidamente ao longo do discurso que "Portugal não precisa de nenhuma ajuda externa". Mais claro do que isto só a água pura da ribeira.

   Viver em Portugal neste ano de 2011 da graça de Deus era divertido; Se não fosse dramático.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 298

Estado de Alma: Com sede
Livro: Como Observar as Pessoas
publicado por Lanzas às 09:50

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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

AI SE ELES FALASSEM

   É sabido por todos que José Sócrates não mente, apenas se limita "a construir a sua própria versão dos acontecimentos dando-lhe a forma que mais lhe convém no momento" na feliz caracterização feita por Mário Crespo.

   Realmente quando o Primeiro ministro ousa dizer que numa reunião, por acaso do Conselho de Estado, não se falou de uma coisa que realmente foi falada na presença de mais dezoito pessoas, na expectativa que o manto de silêncio que normalmente cobre essas reuniões desse o assunto por encerrado, ficando no ar apenas o perfume da negação da existência de  acontecimentos que realmente se verificaram, não há mais nada a acrescentar sobre a sua personalidade.

   Resta-nos apenas chorar.

  Episódios caricatos parecidos com este não é a primeira vez que sucedem , sendo a mais curiosa das inverdades sobre o que aconteceu ou não numa determinada situação aquela que teve origem no interesse de Paulo Portas,  então jornalista do extinto «Independente», em saber o acontecido em determinado jantar, tendo para o efeito procurado saber junto de Marcelo Rebelo de Sousa como tal jantar tinha decorrido. Marcelo descreveu-lhe todos os pormenores: Quem lá estava, do que haviam falado, e até o que haviam comido, tendo apimentado a descrição com o pormenor de a refeição ter começado por uma vichyssoise.

   Só sobrava um detalhe. O jantar não se realizara, fora adiado. O resto era tudo "verdade".

   Resta-nos apenas rir.

   Outro jantar com história teve a ver com o abortado negócio, meio publico meio privado, da compra da TVI por parte da PT.  Henrique Granadeiro, Presidente da PT primeiro garantiu aos jornalistas que falou com Sócrates uma única vez antes de enviar o comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o que teria acontecido a 23 de Junho. Porém perante a versão de José Sócrates de que só soube da intenção da PT num jantar a 25 de Junho, o presidente da Portugal Telecom mais tarde admitiu ter cometido um lapso quando descreveu aos jornalistas o momento em que falou a José Sócrates no interesse da PT na TVI, e esclareceu que falou com o Chefe do Governo apenas depois de informar o regulador dos mercados, no dia 25, e então já tinha pormenores:

   «Eu falei de facto com o senhor primeiro-ministro no dia 25 e nesse dia, num jantar que até veio relatado na comunicação social, informei-o daquilo que constava no comunicado que já tínhamos distribuído à CMVM», disse, admitindo ter inicialmente cometido um lapso.

   Se a verdadeira "verdade" destes e outros acontecimentos similares fossem contados por quem os protagonizou em tempo oportuno se calhar não tínhamos chegado ao estado deplorável em que nos encontramos.

   A história um dia será feita, porém tarde demais. Já não mudará o resultado do jogo.

   Perdeu Portugal.

 

{#emotions_dlg.chat}Post 297 

Estado de Alma: A comer sopa
Livro: Como Água para Chocolate
publicado por Lanzas às 10:50

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

CONVERSAS IMAGINÁRIAS

 

                                             Fotomontagem: João Portalegre

 

{#emotions_dlg.chat}Post 296

Estado de Alma: Em transe
Livro: Expiação
publicado por Lanzas às 21:05

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TEIXEIRA DOS SANTOS E JOSÉ SÓCRATES

DE CANDEIAS ÀS AVESSAS ?

   É de absoluto desnorte o clima emocional que se vive no seio do Partido Socialista. Num Congresso que deveria servir para um sereno debate de ideias internas, para clarificação de pontos de vista contraditórios, que são conhecidos, entre correntes internas de opinião e para a apresentação de ideias que ajudassem a apontar um caminho aos portugueses, nada disto se verificou.

   Como alternativa foi escolhido o discurso recorrente de apontar  culpas à oposição, como se fosse esta que tivesse governado nos últimos seis anos, às forças ocultas, leia-se Presidente da Republica, e a assistiu-se a uma falsa união em torno de um líder que sendo um bom comunicador, esgota as suas capacidades nisso mesmo, conforme salientou em tempos João Salgueiro. 

   Por outro lado as opiniões divergentes entre Ministros, e entre estes e o Primeiro ministro são manifestas sobre a oportunidade de conjugar esforços com outros partidos para encontrar soluções que visem salvar Portugal de uma crise que ameaça arrastar-se por décadas. Apontemos um só exemplo elucidativo: 

   Na última sexta feira à saída de uma sessão do Conselho de Ministros das Finanças, Teixeira dos Santos declarou: “O Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional terão que negociar com o Governo e terão que envolver nessa negociação os principais partidos. Mas chamo a atenção que quem tem que negociar com a oposição não é o Governo, são as partes envolvidas do lado europeu. Essa não é uma responsabilidade do Governo”, afirmando ainda não ser rigoroso dizer-se que a ajuda será de 80 mil milhões de euros, e que espera que o Presidente da República Cavaco Silva ajude a criar o ambiente propicio ao processo negocial que agora vai começar. Na mesma linha de raciocínio tinha dito ago de parecido em entrevista televisiva, quando afirmou peremptório que o Governo, por estar em gestão, não podia pedir ajuda externa, sendo que a única entidade que o poderia fazer era o Presidente Republica. Porém 3 ou 4 dias depois, ao almoço com José Sócrates e entre duas colheres de sopa, mandou vir o FEEF, o FMI e  o  BCE. 

   Para quem estivesse mais desatento a ouvir Teixeira do Santos poderia até parecer que Portugal estava a fazer um favor aquelas entidades e que éramos nós que lhes íamos emprestar dinheiro para salvá-los da bancarrota.

   Que mau feitio que o homem tem, meu Deus.

   Pela sua parte, José Sócrates, perante a crua realidade da nossa incapacidade de resolvermos sozinhos os nossos problemas, afirmou no Congresso do PS que “o Governo assumirá a responsabilidade de liderar as negociações com as instituições europeias sobre o programa de assistência financeira, de modo a que o país não corra riscos no financiamento do Estado, do sistema bancário e da economia”.

   “O momento exige elevação política e sentido de Estado”, acrescentou.

   Será o que tem faltado a Teixeira dos Santos ?

 

{#emotions_dlg.chat}Post 295

Estado de Alma: Perplexo
Livro: Economia Portuguesa
publicado por Lanzas às 14:45

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