Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

SUPONHAMOS

   De todas as poderosas armas de destruição que o homem foi capaz de inventar, a mais terrível – e a mais covarde – é a palavra. - Paulo Coelho

   Acrescentaria que por vezes, a palavra, tem o efeito perverso de ser mais demolidora para quem a profere do que para o destinatário.

   Temos assistido nos últimos tempos a um crescendo de intensidade na forma como os agentes políticos e alguns comentadores  se referem aos membros do Governo, embora habituados, desde sempre, que os partidos mais pequenos utilizem uma linguagem, com pouca contenção (estou a ser moderado) para exprimirem os seus estados de alma.

   Porém quando os  oradores têm, por si só, alguma representatividade ou pertencem a um partido político democrático, as coisas apresentam uma maior gravidade.

   Carvalho da Silva na ânsia de tornar notado o lançamento da sua candidatura à presidência da República, tem vindo a exceder-se nesse tipo de linguagem, e a sua recente afirmação de que o Orçamento do Estado para 2013 roça o "banditismo político", roça por sua vez os limites da tolerância democrática que de forma tão activa diz defender.

   Já o Deputado do PS que afirmou no Parlamento que o País não "tem disponibilidade para discursos salazarentos", invocando a "bête noire" de uma esquerda diletante, não merece grandes comentários dada a pouca dimensão política de quem proferiu tal afirmação.

   Apenas merecerá um pequeno exercício mental que podemos denominar de "Suponhamos".

   Suponhamos, por exemplo que o ainda Ministro Miguel Relvas afirmava no Parlamento que o senhor Deputado não passava do boneco que o ventríloquo ausente, algures a melhorar a cultura,  utilizava para se fazer ouvir". O que aconteceria?

   Caía o "Carmo e Trindade" e choviam os pedidos da sua saída do governo e a respetiva de remodelação, a qual, concordo, já deveria ter sido feita por outros motivos.

   Conclusão: Também existem Deputados que precisam de ser remodelados.

   E com urgência.

 

publicado por Lanzas às 11:57

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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012

MAU TEMPO NO CANAL (DO PSD AÇORIANO)

   O povo açoriano, escolheu ser governado durante pelo menos mais quatro anos pelo Partido Socialista.

   Tratou-se de uma escolha judiciosa, exercida democraticamente, que não merece qualquer discussão esperando-se que o decorrer da legislatura seja de molde a mostrar a justeza da escolha.

   Na opinião de alguns observadores terá sido perdida a oportunidade de inverter um ciclo político iniciado há doze anos e protagonizado por Carlos César o qual se mostrou demasiado conflituoso, procurando e conseguindo com o apoio do governo de José Sócrates afrontar de forma desnecessária o Presidente da Republica.

   Também foram tomadas pelo Governo Regional dos Açores medidas populistas destinadas a mostrar uma falsa independência face às decisões do Governo Central  ao qual em situação de aperto acorreu para fazer face às suas dificuldades de financiamento.

   Solidários nas desgraças, Independentes na abastança, poderia ser o seu slogan.

  Mas isso são águas passadas e o futuro precisa que, em conjunto, se olhe para a frente, solidariamente, até que a bonança, que por certo há-de chegar se faça anunciar.

   Quem perdeu as eleições, Berta Cabral, perdeu-as por falta de carisma e de capacidade para mobilizar quem, ainda que descontente com a crise que o País na sua globalidade atravessa, votaria por certo numa mudança política se se considerasse representado por uma figura com capacidade para melhorar a situação vivida localmente.

   As realidades locais e os erros cometidos durante os doze anos de governação de Carlos César por si só eram mais do que suficientes para conseguir mobilizar descontentamentos e criar novas expectativas.

   Berta Cabral não acrescentou nenhuma mais valia, necessárias para fazer a diferença e nem sequer conseguiu preencher o seu próprio espaço político, o PSD, onde nem todos foram mobilizados quanto mais fazer chegar as suas propostas à população em geral.

   Foi efectivamente uma derrota pessoal, que Berta Cabral obviamente assumiu, ampliada pela falta de solidariedade, a nível nacional,  para com os seus pares, o seu Partido e sobretudo o chefe do Partido que escolheu para militar.

   Perguntou em directo na televisão se a achavam parecida com “o Pedro Passos Coelho”. Não é parecida. Em nada, mas não pelas boas razões políticas que julgava reinvindicar.

   Querer demarcar-se, atabalhoadamente, do Governo Central, do Partido a nível nacional e do Secretário-geral do partido, mostrou para além da falta de solidariedade, falta de capacidade de entendimento dos tempos e das pessoas.

   Quem não é capaz de ser solidário com os seus, quando o mar está encapelado, também não merece credibilidade para comandar o bote quando as águas estão calmas.

   É que, como açorianao Berta Cabral bem sabe, o mar de um momento para o outro se alevanta.

   E quando há mau tempo no canal só os mestres com valor são capazes de fazer a travessia em segurança.

   Berta Cabral mostrou que não tinha (valor).

publicado por Lanzas às 10:07

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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

O ORIGINAL E A CÓPIA

   António José Seguro, para além de todas as suas virtudes e defeitos, tem um problema básico não sabe reconhecer uma cópia do original.

   O original chama-se Mário Soares, ele é uma cópia. Pura e simples.

   A sua deslocação a Toulouse, para apoiar mon ami Hollande, cheira a requentado. É evidente que não foi lá para falar com quem quer que seja, porque anquelas circunstâncias ninguém o queroa ouvir. Foi lá para se mostrar na televisão portuguesa, filmado atrás do palco onde o comício decorria, para fingir que é ouvido no estrangeiro, a debitar banalidades para Portugal. É uma cópia. Um dejá vu.

   Ao original, Mário Soares, tudo se perdoa, até faltar às comemorações do 25 de Abril, em que tinha a obrigação de ter estado na Assembleia da Republica, na qualidade de ex-Presidente de TODOS os portugueses, e não só dos militares descontentes.

   Porque era o original podia dar-se ao luxo de viajar para Paris, para tomar um pequeno almoço de dez minutos com François Mitterrand no dia seguinte ao da sua primeira eleição, ou andar a passear nas ruas de Praga a fazer horas para que Vaclav Havel o Presidente da Checoslováquia o recebesse. Mas a notre ami Mário nada fica mal. Nada o faz cair no rídiculo.

   Já a António José Seguro que pode, por acaso, acabar Primeiro Ministro de Portugal, como muito deseja, convém que antes, pelo menos,  não caia no ridículo, porque este, o ridículo, em política é fatal.

   De figuras tristes, feitas por tristes figuras, agora a estudar o que deveriam ter aprendido antes, estamos nós fartos. 

 

 

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Estado de Alma: Sem originalidade
Livro: Les Parents Terribles
publicado por Lanzas às 21:07

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Terça-feira, 17 de Abril de 2012

SERÁ QUE O AMARELO É PRETO?

   Contra todas as expectativas está em marcha um processo de intoxicação da opinião pública pretendendo “uma clarificação” da  Lei 46/2005 relativa à "Limitação de mandatos dos presidentes dos órgãos executivos das autarquias locais".

   Uma  farsa, como tantas outras a que temos assistido, as quais conduziram este País à tragédia que estamos a viver.

   Pretendem agora os autarcas que se querem eternizar em tachos com mordomias de primeira, e nalguns casos com mordomias de mandarins, com tudo o que lhe está sujacente, que a Lei em vigor que os impede de se recandidatarem a mais de três mandatos seguidos, não é clara quanto à possibilidade de se candidatarem a outros municípios, que não apenas aquele onde exerceram nos últimos três mandatos.

  Segundo Fernando Ruas, presidente da (ANMP) - Associação Nacional de Municípios Portugueses: “A interpretação de que o cumprimento de três mandatos não impede uma recandidatura a outra autarquia parece estar a ganhar terreno”.

   Portanto estamos perante uma questão de velocidade para ver quem chega primeiro. E quando a corrida é para o tacho, todos sabemos que temos por aí uns campeões de primeira.

   Ora como quanto existem dúvidas o melhor é um exemplo simples, sem truques nem  subterfúgios,  aqui fica este exemplo que julgo esclarecedor quanto aos verdadeiros desígnios dos que querem agora “dar a volta ao texto”.

   Suponhamos esta situação, sem qualquer juízo de intenções quanto aos citados:

   De acordo com a legislação em vigor nem Luís Filipe Menezes se pode voltar a candidatar à presidência da Camara de Vila Nova de Gaia nem Rui Rio à do Porto.

   Se a Lei vier a ser interpretada da forma mais conveniente para aqueles que se querem perpetuar nos tais lugares com direito a tudo, poderia, por absurdo, simplesmente acontecer o seguinte: Luís Filipe Menezes candidata-se ao Porto e se ganhar fica lá doze anos, e Rui Rio candidata-se a Vila Nova de Gaia e se ganhar fica lá doze anos.

   Findo esse período trocam de Cidade e voltam ao princípio, e se ganharem ficam lá mais doze anos e assim sucessivamente, num sucesso sucessivo.

   Se isto não é alguém poder eternizar-se no poder, então não sei o que será.

   Entretanto é manifesto que o PSD, o partido em princípio mais prejudicado caso a Lei em vigor seja aplicada a rigor, está a aguardar melhores dias para aprovar a tal “clarificação”.

   Obviamente de acordo com os superiores interesses do País, já se vê. Nem podia ser de outra forma.

   Ora quando uma Lei de dois artigos, sendo que o segundo é para determinar a sua entrada em vigor, diz: “O presidente de câmara municipal e o presidente de junta de freguesia só podem ser eleitos para três mandatos consecutivos…” quer dizer o quê?

   Que o amarelo é preto?

   Ou será que somos todos analfabetos?

   Se querem alterar a Lei alterem, mas assumam, que aquela que está em vigor não lhes convêm.

   Mas não enganem mais os portugueses.

   Por favor!

 

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Estado de Alma: Encornado
Livro: COMO OS POLÍTICOS ENRIQUECEM EM PORTUGAL
publicado por Lanzas às 09:37

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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

COM TODAS AS LETRAS ... E OS NÚMEROS?

   A vantagem de estar na Oposição é poder dizer que não fazia aquilo que faria se estivesse no Governo!

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Estado de Alma: A olhar para a lua
Livro: Uma Proposta Modesta
publicado por Lanzas às 16:37

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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

ANTÓNIO JOSÉ SEGURO E O OE 2012

   António José Seguro tem dado nos últimos tempos, a propósito do Orçamento Estado para 2012, uma magistral lição de como um político com ambições de vir a ser Primeiro Ministro não se deve comportar.

   Dando de barato que necessita nesta fase de travessia do deserto do seu partido de procurar fazer-se ouvir para ser levado minimamente a sério, a forma como tem conduzido essa necessidade tem sido desastrosa.

   Um político com dimensão de estadista na sua posição teria assumido sem hesitações antes da apresentação da proposta de orçamento mais ou menos o seguinte: Vamos abster-nos no próximo orçamento, qualquer que ele seja. Não será com certeza o Orçamento do PS, mas não vamos criar divergências fictícias num assunto onde estamos igualmente comprometidos através do Acordo com a Troika.

   Não se tratava de passar um cheque em branco, antes pelo contrário tinha sido colocar a pressão sobre os Partidos do Governo para elaborarem um Orçamento credível, pois no caso de cometerem um erro grave só a eles lhes seriam no futuro assacadas as responsabilidades.

   Com uma decisão desta ter-se-ia colocado acima de pequenas questiunculas sem sentido que o levaram depois de ter assumido que "a probabilidade de votar contra era 0,0001%" a evoluir para um "quero ver o Orçamento para decidir" e agora já está num "Se não alterarem o Orçamento iremos ponderar o nosso sentido de voto".

   E a sua decisão final que na nossa opinião não poderá ser outra a não ser abster-se acabará por não agradar nem a gregos nem a troianos. Os falcões do seu partido já tomaram uma decisão: Alterar o Orçamento. E agora deu o último e decisivo tiro nos pés: Ouvir os parceiros sociais, que lhe irão dizer o óbvio: Alterar o Orçamento. Só falta mesmo ouvir Rancho de Folclore lá da terra.

   Ora este orçamento tem um número de ouro final para ser atingido o do défice, o qual foi subscrito pelo seu Partido. Tudo o resto é paisagem.

   Poderão  efectivamente algumas medidas deste OE não serem as medidas mais correctas, algumas das quais também nos parecem pouco felizes, mas então terão de ser outras de cariz idêntico.

   Na verdade o que pode realmente mudar são as moscas.

   E António José Seguro sabe disso e perdeu uma oportunidade ímpar de ganhar credibilidade política, mostrando aquilo que na verdade é.

   Um líder de transição.

 

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Estado de Alma: Inseguro
Livro: Discursos de Tuiavii
publicado por Lanzas às 12:37

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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

O "FADO" DA MADEIRA

    Não deixa de ser irónico que seja o seu Partido – o PSD - a indicar a Alberto João Jardim a saída da cena política, pela esquerda baixa, mas vai ser inevitável, se este não resolver sair pelo seu próprio pé.

   Depois de mais de 30 anos a somar vitórias, para si mas também para o Partido, sendo que em algumas dessas eleições a Madeira foi o único sítio onde o PSD venceu, Alberto João Jardim transformou-se do problema que sempre foi, no bode expiatório de todos os males que acontecem neste País. O que nos faz lembrar um conhecido “boneco” de um programa humorístico de Jô Soares que sempre que era preso, gritava alto e bom som: “Só eu? e cadé os outros?”

   É certo que Alberto João Jardim, para além de ser obviamente o responsável por uma dívida verdadeiramente colossal ultrapassou todos os limites da razoabilidade democrática. Mas não foi o único.

   Dois exemplos dos últimos tempos socialistas ilustram bem esta afirmação. Porque razão um ex-Primeiro Ministro, acolitado por uma espécie de Ministro das Obras Públicas, adjudicou à pressa um bocado de TGV, quando já sabia que o País estava em bancarrota se não recorresse à ajuda externa? Seria para para tornar a obra irreversível e assim garantir o lucro das empresas envolvidas quer se efectuasse ou não a obra? Perante os factos, peço muita desculpa, mas é uma dúvida legítima que se levanta. Senão porque começar uma obra com aquele volume de custos antes do “visto” do Tribunal de Contas?

   Outro exemplo paradigmático foi a compra massiva de quadros interactivos para as salas de aula, anunciada com pompa e circunstância como modelo do desenvolvimento do País e da “governação de sucesso” da Educação em Portugal.

   Alguém deveria informar os portugueses que estão a ser violentamente espoliados dos seus rendimentos de trabalho para pagar verdadeiras monstruosidades, prtaicads sem rei nem roque, qual foi o total gasto nestas “obras de arte”, quantas foram adquiridas e quantas vezes foram utilizadas cada uma dessas preciosidades.

   São conhecidas escolas que nem um único foi alguma vez usado. E temos razões para supor que muito poucos foram alguma vez usados. Uma pergunta singela. Terá aproveitado a alguém o gasto (sim foi um gasto, não foi um investimento) efectuado? Supomos bem que sim, que a alguém aproveitou.

   Por estas e por outras, muitas outras, é que António José Seguro deveria ter um pouco mais de decoro quando pede para que Pedro Passos Coelho diga se mantém a confiança política em Alberto João Jardim.

   Claro que não mantém, é mais do que evidente. É óbvio que quando o Presidente de um Partido, e Primeiro Ministro, diz da actuação de um correligionário que por acaso é o Presidente do Governo Regional da Madeira, que "é natural que a ser verdade a situação nas contas da Madeira não abone a favor da imagem do País…” está a dizer o quê? Que apoia a sua política, ou que mantém a sua confiança política? Se fosse Ministro teria sido naturalmente demitido. Como Presidente do Governo Regional da Madeira, por agora, fia mais fino.

   Porém as contas da Madeira, e já agora as dos Açores, eram um gato escondido com o rabo de fora. Toda a gente sabia que existia um buraco, mas fingia que não sabia e assobiava para o ar à espera que o balão rebentasse. Presidente da Republica, Tribunal de Contas, PGR, Deputados, Partidos políticos. Em resumo: Todos.

   O que admira é que um político com a sagacidade de João Jardim se tenha deixado “embrulhar” com a última alteração da Lei das Finanças Locais feita pelo ex-Primeiro ministro deliberadamente com destinatário certo: A Região da Madeira.

   Ainda assim é provável que Alberto João Jardim ganhe as próximas eleições regionais de Outubro, se calhar até com maioria absoluta.

   Mas por uma questão de bom senso, caso não queira renunciar a ser candidato, deveria desde já anunciar que não assumiria o lugar de Presidente do Governo Regional e indicar quem propunha para seu sucessor na Chefia do Governo.

   Costuma dizer-se que de Espanha “nem … “ mas José Luis Zapatero é um exemplo que lhe deveria servir referencial.

   É a saída possível. Ainda com algvuma dignidade.

 

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Estado de Alma: Interactivo (A pagar impostos)
Livro: Destroços
publicado por Lanzas às 21:07

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Terça-feira, 23 de Agosto de 2011

O TGV OUTRA VEZ

   Pertencemos ao elevado número de portugueses para quem não existe grande diferença entre serem governados pelo PS ou pelo PSD. Embora existam algumas diferenças programáticas entre os dois partidos, elas esbatem-se de forma acentuada face às conjunturas, aos ciclos económicos e à capacidade de quem a cada momento está no poder.

   Pertencemos também ao elevado número de portugueses que face à politica de um ex-Primeiro ministro, sem qualificação para o cargo, descredibilizado e sem uma política que desse um mínimo de esperança aos portugueses, virado para uma confrontação verbal permanente com a oposição e para uma despropositada propaganda ilusória (pelo menos), apostou numa alteração do quadro político vigente, tal como já o havia feito anteriormente mas em sentido inverso, quando o PSD face à "fuga" do seu então Primeiro Ministro eleito, arriscou na sucessão do mesmo sem ir a votos, com as nefastas consequencias conhecidas que daí advieram.

   Desta vez, para além das questões de forma, sempre importantes em política, existiam igualmente outras nomeadamente a continuação de obras faraónicas, que oportunamente aqui criticamos e apelidamos de obras do regime, tais como a construção do TGV e do Novo Aeroporto de Lisboa, que impunham uma mudança de rumo.

   Não discutimos na altura, nem agora, a importância de estarmos ligados à rede transeuropeia de transportes, nem a conveniência de construir um Novo Aeroporto que evite a canibalização das viagens aéreas por parte dos aeroportos espanhóis.

   Discutimos sim a oportunidade do lançamento de tais obras.

   Portugal está na situação de um cidadão que sabe ser um determinado medicamento importante para a manutenção da sua qualidade de vida, mas como a reforma ou o salário não chegam para o comprar resignam-se a não o tomar, com as consequências negativas que daí advém.  E isto não é demagogia. Basta falar com alguém ligado ao ramo farmacêutico, para se ouvirem histórias de pasmar.

    Julgávamos que essa megalomania estava por agora ultrapassada, porém com o avolumar das notícias avulso que vão "pingando" aqui e ali, as quais dão conta que o actual Governo se prepara para dar continuação à construção do TGV, neste momento um investimento ruinoso para os portugueses, depois de se ter oposto, enquanto oposição na anterior Legislatura, de forma frontal à sua construção  e ter feito uma campanha eleitoral durante a qual a suspensão dessa obra, tal como a do Novo Aeroporto, foi uma das principais bandeiras, é de antever o pior.

   Com efeito, e caso tal venha a acontecer trata-se de uma verdadeira VIGARICE política, que merece o mesmo repúdio que  mereceu a assinatura dos contratos para execução da obra, sem o visto do Tribunal de Contas, por parte de um antigo Ministro das Obras Públicas, cujo nome desconhecemos, para tornar a sua construção irreversível ou então proporcionar chorudas indemnizações às empresas envolvidas, e isto a poucos meses de eleições.

   Já tinhamos ficado de pé atrás com o actual Governo, que quando do lançamento do Imposto Extraordinário (vulgo corte do Subsídio de Natal) isentou os investidores financeiros do pagamento do mesmo, na senda aliás do que havia feito o anterior governo ao permitir a antecipação da distribuição de dividendos, sem que os mesmos fossem taxados, deixando no ar um sentimento de que afinal tudo continua como dantes, excepto para os mais pobres que pagam mais impostos.

   Ficamos atentos, aguardando pelo final de Setembro quando serão definitivamente decididas, dizem do Governo, as políticas em matéria de transportes.

   Espero sinceramente, tal como centenas de milhar de portugueses, não ser enganado.

   É que mesmo em política há um linha de credibilidade que não deve ser ultrapassada. Para não serem todos iguais.

 

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Estado de Alma: Agoniado (quase a vomitar)
Livro: Brevissimo Inventário
publicado por Lanzas às 13:27

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Domingo, 24 de Julho de 2011

PARABÉNS ANTÓNIO JOSÉ SEGURO

   António José Seguro, foi ontem eleito Secretário Geral do Partido Socialista, com mais de 2/3 dos votos dos militantes, no que foi uma demonstração evidente da vontade de mudar de página no partido, tal como os portugueses já haviam feito a nível nacional nas recentes eleições legislativas.

   Como diria Pedro Santana Lopes o percursor, em termos políticos, da leitura dos astros, estava escrito nas estrelas que um dia seria Secretário Geral do PS. Falta agora o própro afirmar que um dia será Primeiro Ministro, só não sabendo quando, tal como afirmou antes de ter utilizado o lugar que lhe serviu de trampolim para Bruxelas o destinatário original do discurso das estrelas, ou seja Durão Barroso.

   É de saudar a chegada de António José Seguro ao poder no partido. Pode dizer-se que é o corolário de uma longa caminhada, cujo objectivo foi delineado há muito tempo e de onde não se desviou nunca um milímetro sequer. Durante o consulado do ex- Secretário Geral do PS, o silêncio quase sepulcral, foi a fórmula que escolheu para atravessar o deserto partidário, já que o "eucalipto" secava tudo à sua volta.

   E até quando de muito em muito longe tinha alguma intervenção de fundo, ou votava "desalinhado", era dentro da linha de orientação por si traçada à longo prazo que o fazia. Queria ser Secretário Geral do partido, com obviamente quer ser Primeiro-ministro e nisso jogou a sua carreira política. Meteu agora um golo importante nesse objectivo mas está longe de ter vencido o desafio, pois as tácticas particulares, dentro do seu próprio partido, fazem deste um jogo de resultado imprevisível. E como diria quem sabe, prognósticos só mesmo no final.

   Tem a seu crédito méritos valiosos. Uma vida pública sem casos conhecidos e uma carreira académica honesta.

   E já demonstrou a capacidade de ser solidário com os amigos, quando acedeu ao "convite" de António Guterres para que abandonasse a "reforma" dourada de Bruxelas, e viesse para Lisboa ocupar o cargo de Ministro Adjunto do PM, quando a estrada que conduzia ao pântano já se estava a aproximar perigosamente do fim.

   Agora nesta fase crítica que o País atravessa, espera-se que saiba encontrar o compromisso entre a necessidade de fazer uma política de combate ao Governo, e a obrigação de o apoiar nas decisões mais difíceis que este terá de tomar para cumprir as metas a que o País se propôs. Equilíbrio, bom senso e sobriedade são atributos que se lhe reconhecem, e que se lhe exigem nesta fase.

   Educação também já demonstrou ter. E esta não se aprende na escola. Ou vem do berço ou não chega nunca. O passado recente no seu partido demonstrou à saciedade que em política os "animais ferozes" vão com facilidade para casa estudar, o que na realidade demonstraram bem precisar.

   Finalmente uma palavra de elogio para Francisco Assis, que soube ser fiel às políticas e aos políticos por quem deu a cara no Parlamento durante seis longos anos. Não foi por ele que o PS saiu do Governo, nem ele foi um dos rostos visíveis de um falhanço vivido.

   Portugal, e o Partido Socialista por maioria de razão, não podem desperdiçar um político como Francisco Assis.

   Esperemos que tal não aconteça.

 

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Estado de Alma: Esperançado
Livro: A Casa dos Espíritos
publicado por Lanzas às 13:57

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Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

O COLOSSAL DESVIO

   Os portugueses nas últimas eleições quiseram romper com um passado politico recente, que durou seis anos e cujos dois  últimos pareciam não ter fim, durante os quais o ex-Primeiro ministro que diga-se de passagem não reunia as competências mínimas necessárias para exercer o cargo, utilizou sistematicamente o “passado” como a causa de todos os nossos males e como a justificação da sua desastrosa  política com a qual conduziu Portugal a uma trágica situação económica e financeira, praticamente sem paralelo na história do País.

   Pedro Passos Coelho parecia querer cortar com essa forma enganosa, deselegante e sem credibilidade de fazer política, quando afirmou que o seu Governo “não se iria nunca queixar da herança deixada pelo PS”.

   Entrava assim em vigor uma nova forma de fazer política. Pela positiva.

   Além de ser elegante permitia deixar de vez os esqueletos no armário e abrir as janelas para entrada de ar puro. Arregaçávamos as mangas e olhávamos em frente. Para o futuro. Por muito difícil que esta seja.

   Eis senão quando, subliminarmente, numa reunião do PSD, Passos Coelho deixou cair que “o seu Governo encontrou um desvio colossal em relação às metas estabelecidas para as contas públicas”, o que levantou de imediato um coro de “virgens arrependidas” não contra os desvios, sejam do défice que não para de subir, seja com as consequências com obras iniciadas sem visto do tribunal de contas e que agora vão custar centenas de milhões de euros mesmo que não se façam, seja com outros desmandos semelhantes que a pouco e pouco haveremos de ter conhecimento.

   Convenhamos no entanto que apesar de não terem razão para carpir mágoas, foi-lhes servido, em bandeja de prata, um pretexto de ouro, que se apressaram a cavalgar, utilizando a Comissão de Acompanhamento do Programa da ‘Troika’, ao afirmarem que esta devia analisar as declarações de Passos Coelho e ouvir o que o Governo tem a dizer sobre as mesmas, para perceber o que está em causa, pois fazem parecer que "o Governo está já a preparar terreno para não cumprir os objectivos acordados com a 'troika'.

   Verdade ou não, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele e Passos Coelho quis mesmo dizer aquilo que dizia não querer dizer.

   Agora não tem do que se queixar.

 

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Estado de Alma: Desviado
Livro: A Criança Que Não Queria Falar
publicado por Lanzas às 10:05

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